Jornalista há quase 30 anos, escreve a coluna Aparte desde 1991. Já trabalhou em TV, rádio e foi editor chefe do Jornal da Paraíba e colunista das TVs Cabo Branco e Paraíba. É comentarista político das rádios Campina FM, Caturité AM e editor do portal de notícias Paraibaonline.

terça-feira, 30/08/2016

´Peia´ no vice

Nove fora nada

Após 14 horas de duração e perguntas de 48 senadores, a presidente afastada Dilma Rousseff (PT) saiu ontem do Senado provavelmente mais aliviada, mas com (aparentemente) nenhuma variação no plenário do Senado para a votação de seu impeachment.

Na abertura de sua participação, a petista leu um discurso previamente escrito que durou 37 minutos, sem a passionalidade que os seus aliados estavam a sinalizar.

Em todo o tempo não se percebeu um gesto sincero e público de ´mea culpa´.

Sabor azedo

“Diante das acusações que contra mim são dirigidas neste processo, não posso deixar de sentir, na boca, novamente, o gosto áspero e amargo da injustiça e do arbítrio”, acentuou a petista em seu pronunciamento.

Recado

Adiante, Dilma avisou que “não esperem de mim o obsequioso silêncio dos covardes. No passado, com as armas, e hoje, com a retórica jurídica, pretendem novamente atentar contra a democracia e contra o Estado do Direito”.

Incoerência

A petista afirmou que “se alguns rasgam o seu passado e negociam as benesses do presente, que respondam perante a sua consciência e perante a história pelos atos que praticam. A mim cabe lamentar pelo que foram e pelo que se tornaram”.

Resistência

Ela prometeu “resistir sempre. Resistir para acordar as consciências ainda adormecidas para que, juntos, finquemos o pé no terreno que está do lado certo da história, mesmo que o chão trema e ameace de novo nos engolir”.

Luta impessoal

A presidente afastada afirmou que “não luto pelo meu mandato por vaidade ou por apego ao poder, como é próprio dos que não tem caráter, princípios ou utopias a conquistar. Luto pela democracia, pela verdade e pela justiça. Luto pelo povo do meu País, pelo seu bem-estar”.

A quem compete

Conforme Dilma, “quem afasta o Presidente pelo ´conjunto da obra´ é o povo e, só o povo, nas eleições. E nas eleições o programa de governo vencedor não foi este agora ensaiado e desenhado pelo governo interino e defendido pelos meus acusadores”.

LRF

Para surpresa dos petistas, Dilma sublinhou que “eu lamento o meu partido não ter aprovado a Lei de Responsabilidade Fiscal”.

Especialidade

“A senhora é especialista em terceirizar responsabilidades”, cravou o senador José Aníbal (PSDB-SP), que registrou na tribuna a sua convivência com Dilma há 50 anos.

Desperdiçou

Para o senador Cássio, líder do PSDB no Senado, Dilma perdeu ontem “a derradeira oportunidade de se defender contra os graves crimes que lhe são imputados”.

Origem

Ele registrou em sua intervenção que o impeachment não nasceu no Congresso Nacional, mas sim nas ruas do país.

Significado

“Golpe é vencer uma eleição mentindo a um país; golpe é quebrar uma empresa como a Petrobras; golpe é fazer terrorismo contra os mais pobres, como em todas as eleições fez o partido de Vossa Excelência”, bradou CCL.

Rigor

O líder ´tucano´ ainda acrescentou: “A pena é severa demais? Não. Severo é haver 12 milhões de desempregados. Duro é viver em um país que está há três anos em recessão: indústrias fechando, comércio encerrando suas atividades, um povo sem esperança, desiludido. Isso, sim, é grave”.

Mentor

Ao responder ao ´tucano´, a presidente disse que “eu vou lembrar ao senhor o que foi amplamente noticiado pela mídia e que até o próprio acusador declarou à imprensa: que a aceitação do meu pedido de impeachment tratava-se de uma chantagem explícita do Sr. Eduardo Cunha (ex-presidente da Câmara Federal) com a qual infelizmente vocês se aliaram”.

Silêncio

Os senadores paraibanos Raimundo Lira e José Maranhão (ambos do PMDB) não se inscreveram para fazer perguntas à petista.

Entre…

No programa ´Ideia Livre Política & Economia´ de hoje – 22h, na TV Itararé (canal 18.1, digital, e 19, analógico), uma agradável conversa com o publicitário Emerson Saraiva.

…Parênteses

Como APARTE sinalizou há dias, a suplente de deputada estadual Olenka Maranhão (PMDB) virou secretária do Trabalho, Produção e Renda da Prefeitura de João Pessoa.

Seu adjunto será o advogado José de Paiva Gadelha Neto.

Outros atos

José Bernardino da Silva é o novo adjunto da Secretaria de Segurança Pública da Capital.

Adelmar Azevedo Regis sobe de procurador adjunto para o cargo de procurador geral da PMJP. Esse cargo de adjunto passa a ser ocupado por Francisco Assis Freire. Fred Queiroga é o novo adjunto da EMLUR (responsável pela limpeza pública).

Ainda Dilma

Dilma Rousseff dedicou uma referência explicita ao seu vice-presidente Michel Temer (PMDB): “Os votos não são do senhor Michel Temer, os votos foram obtidos por mim”.

O ex-senador Gim Argello voltou a depor perante o juiz Sérgio Moro...
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