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Arimatéa Souza

segunda-feira, 28/12/2020

Os bastidores do poder

Relato de protagonista

O (ainda?) superministro Paulo Guedes, da Economia, concedeu uma longa entrevista à revista Veja, passando a limpo temas relevantes para o país por ele testemunhados ao longo dos últimos meses.

Vale a pena pinçar e realçar algumas de suas declarações.

Privatizações

“É evidente que tem problema dentro do governo a respeito disso. Cada ministro tem a sua estatal. Estamos convencendo um a um. No início do governo, vários ministros achavam natural ficar com as suas estatais. Os militares, por exemplo, são a favor das estatais. Eles fizeram uma porção delas.

Funcionalismo

“Entreguei a reforma administrativa no fim de novembro do ano passado, e o entorno do presidente a bloqueou. Fiz a minha parte. Entreguei a proposta ao presidente (que a enviou ao Congresso em setembro deste ano). Mas o atraso da administrativa foi mais do que compensado pelo congelamento de salário dos servidores públicos (…) Nunca perdi o foco.

Saída do…

“Houve um momento em que isso quase aconteceu. Mas não foi por causa do presidente. Foi quando a Câmara, o Senado, a liderança do governo e todo mundo deixou aberta a possibilidade de destinar o dinheiro para o combate à Covid-19 para dar aumentos salariais generalizados.

… Governo

“Naquele momento, pedi ao presidente para vetar. Se ele não vetasse, não tinha mais o que fazer no governo.

Etapas

“A nossa reforma tributária virá por fases. Desde a campanha, falei isso. Queremos uma brutal simplificação de impostos e gostaríamos de ter uma desoneração da mão de obra também.

Sem elevação

“Não adianta fazerem acordo com a esquerda e me chamarem para uma reforma tributária que aumenta imposto. Somos liberais. Não vamos aumentar impostos.

Dois caminhos

“Se tudo der certo, o Brasil pode crescer 4% em 2021 e por dez anos seguidos. Se as reformas estruturantes não forem aprovadas, teremos crescimento baixo, inflação alta e dólar descontrolado.

Injeção na economia

“O Brasil será a maior fronteira de investimentos do mundo em 2021. Ninguém está oferecendo tantas alternativas de investimento quanto nós (…) O grande desafio de 2021 será exatamente esse. O Brasil será a maior fronteira de investimento do mundo.

Virar a…

“O grande desafio agora será transformar a recuperação cíclica alicerçada em consumo em uma retomada do crescimento baseada em investimentos.

… Chave

“Porque para ser crescimento de verdade é com investimento, ampliação de capacidade produtiva. Temos de fazer uma transição completa de uma economia dirigista para uma economia de mercado.

Desestabilização

“Houve, sim, um movimento para desestabilizar o governo. Não é mais ou menos, não. Tinha cronograma. Em sessenta dias iriam fazer o impeachment. Tinha gente da Justiça, tinha o Rodrigo Maia (presidente da Câmara Federal), tinha governadores envolvidos.

Reação

“Liguei para cada um dos ministros do Supremo para tentar entender o que estava acontecendo. Conseguimos desmontar o conflito ouvindo cada um deles.

Sinalização

“O ministro Gilmar Mendes, por exemplo, sugeriu que o governo deveria dar um sinal, caso estivesse realmente interessado em pacificar as relações. A demissão do Weintraub (ex-ministro da Educação) foi uma sinalização.

A corda…

“Mas teve um momento de muita tensão, quando o Supremo sinalizou que podia apreender os telefones do presidente da República. Me lembro que teve uma reunião de ministros e o Weintraub chamando para o pau. O presidente chegou lá bufando: ´Fala aí, Abraham, fala aí, Abraham´.

… Esticada

Aí o Abraham: ´Quero saber quem está comigo. Eu vou partir para cima do Supremo, e o Supremo vai querer me prender. Antes me prender, vou fazer uma passeata e partir para cima do Supremo e quero saber qual ministro está comigo e quem está com os traidores´.

Panos quentes

“Nessa hora, eu interferi. Disse que estávamos caindo numa armadilha, que o script já estava montado, que aquilo era inapropriado. Os generais presentes me apoiaram. Sugeri ao presidente mandar o Weintraub para o Banco Mundial, em junho. A partir daí, as coisas se acalmaram entre o governo e o STF.

O voto conduz

“O presidente Bolsonaro tem direito a opinião dele. Quem ganhou eleição tenta aprovar a sua pauta. Quem perdeu se candidata em 2022 e muda a pauta na próxima. Encaro isso como normal. Mas há pessoas que encaram como uma guerra. E essa guerra precisa acabar”.

Como é Brasília?

Ainda Paulo Guedes: “Me sinto atravessando um rio no lombo de um monte de jacaré. Toda hora pulo de um jacaré para o outro. Aí, de repente, vejo os críticos jogando pedra. Eu pulando de um jacaré para o outro, e os caras vendo se me derrubam para o jacaré me comer. O negócio é incompreensível.

Dificuldades para escalar o time...
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