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Arimatéa Souza

segunda-feira, 25/06/2018

O voo do ´tucano´ por Campina

Marco zero

Tive a oportunidade de conhecer o empresário José Borges de Medeiros no começo de minha atuação como jornalista em Campina Grande.

A sua fama era de uma liderança classista dura, inacessível, fruto da passagem por muitos anos pela presidência da Associação (atualmente sindicato) que reunia o setor de transportes coletivos.

Escudo

Com a intensificação dos contatos e da convivência, foi possível observar que a aparência rude era, na verdade, uma espécie de ´casca´ de proteção para um caririzeiro que batalhou muito na vida para conseguir se estabelecer na atividade que escolheu se dedicar.

Aproximação

Veio a sua escolha para presidir a Associação Comercial de Campina Grande e o nosso contato se intensificou. Idem a admiração, recíproca.

“Meu pai queria muito bem a você”, observou o seu filho Geraldo Medeiros, no sábado.

Retalhos

´Zé Arlindo´, como era predominantemente chamado, gostava de conversar com as pessoas que admirava para resgatar passagens marcantes de sua vida.

Fazia isso por prazer pessoal e também como forma de aprendizado a quem o escutava.

Perdas

Com o passar dos anos, a expressão impenetrável, como me reportei acima, foi dando lugar à emotividade nos fatos que presenciava e nas tragédias que protagonizou, notadamente os netos e filho que perdeu num curto espaço de tempo, episódios que certamente afetaram e – diria – abreviaram a sua saúde e a sua vida.

Adeus

Diante do avanço do quadro degenerativo próprio do ´Mal de Alzheimer´, e de 46 dias de piora sucessiva de sua saúde, ´Zé Arlindo´ foi a óbito no sábado.

Órfão

Nos momentos derradeiros da despedida, sobressaiu, em meio às dezenas de pessoas presentes ao velório, o olhar – às vezes fixo no caixão, às vezes mirando o infinito – de seu primogênito, o médico Geraldo Medeiros (diretor geral do Hospital de Trauma Dom Luís Fernandes).

Ele ficou o tempo todo em pé, próximo ao corpo do pai, com lágrimas discretas, mas incessantes.

Situando

Para melhor compreender aquela imagem marcante é preciso contextualizar a convivência entre pai e filho.

A devoção de ´Zé Arlindo´ ao Dr. Geraldo saltava aos olhos. Era “meu cristal”, na expressão do próprio pai.

Na aurora

Havia uma rotina própria entre ambos, que perpassou por muitos e muitos anos.

Por volta das 5h15 da manhã, religiosamente, Dr. Geraldo chegava à casa do pai para pegá-lo e seguirem juntos para a caminhada às margens do Açude Velho.

Crepuscular

Além dos contatos ao longo do dia, era igualmente regular a passagem novamente na casa paterna no turno da noite.

Dependência

Com a progressiva piora no estado de saúde do genitor, essa vinculação foi ainda mais estreitada, ao ponto de ´Zé Arlindo´ só aceitar ingerir qualquer medicação se houvesse a recomendação expressa do filho.

Nos quase dois meses de internação hospitalar, o acompanhamento foi intensificado.

Leitura

Volto à imagem contemplativa do Dr. Geraldo diante do corpo do pai.

A sensação, observando à distância, era de um dilema interior (e arriscaria dizer insolúvel) entre o profissional médico, consciente de que tudo o que havia de disponível para remediar aquele quadro havia sido feito, e o filho inconsolável pelo ocaso de uma amorosa e diária convivência.

Solidão

A última imagem da cena de despedida foi um prolongado beijo do filho no pai e seu ídolo, com uma pergunta soluçada e para a qual a orfandade não tem resposta: “E quem vai caminhar comigo agora?”

Intensivão

O ex-governador de São Paulo (e pré-candidato a presidente pelo PSDB) Geraldo Alckmin aproveitou a véspera de São João e visitou vários locais em Campina Grande, a exemplo da zona rural (Sítio Capim Grande), Vila do Artesão, Vila São João, restaurante O Bananal (Lagoa Seca), centro de próteses da UEPB e Parque do Povo.

Microfone

Na central de imprensa do PP foi onde ele concedeu uma entrevista, na noite do sábado.

Alguns trechos de suas declarações é o que segue, começando pela pergunta do repórter do jornal Folha de São Paulo, que o questionou acerca de uma reunião entre o senador Aécio Neves (PSDB-MG) e o deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) para ´fritar´ a postulação do próprio Alckmin.

Nada a declarar

“Essa (reunião) não é uma informação correta. Mas, como eu não participei desse jantar, eu não tenho nenhuma informação a respeito.

Apuração

(sobre o envolvimento de um ex-auxiliar com denúncias de desvio de recursos públicos) “Nós defendemos sempre que, onde houver qualquer denúncia, que se investigue. O importante é que a investigação seja rápida.

Contexto

“Foi feito um aditivo na obra do Rodonel (contorno rodoviário) de São Paulo, e como há recursos do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), todos os cuidados foram tomados. O que existe é o relatório de um técnico do TCU (Tribunal de Contas da União), que tenho certeza vai ser totalmente esclarecido. Vamos aguardar, para não fazer injustiça para com as pessoas.

Cenário…

“Nós estamos saindo da crise que talvez tenha sido a maior do pós-guerra. Quase três anos de recessão econômica. Eu reuni os melhores economistas brasileiros para estudar quais as medidas que precisamos tomar para não termos crescimento cíclico – o País cresce um pouco e logo cai.

… Econômico

“O Brasil precisa crescer 5% ao ano durante décadas, para darmos outro salto. A nossa meta é dobrar a renda do brasileiro. E isso se faz com uma agenda de competitividade. Por outro lado, educação básica de qualidade. Depois, abertura comercial. Também falta competição no setor bancário, que gera crédito mais barato. Também (precisamos) de muita infraestrutura logística.

Via única

“Sem crescimento econômico, não tem solução. Isso é fruto de investimento. E investimento é fruto de confiança.

Vice

“Eu sou um grande admirador do Mendonça Filho (deputado do DEM/PE). Foi um grande ministro da Educação. Mas o Democratas tem um pré-candidato a presidente, que é o Rodrigo Maia (RJ), presidente da Câmara Federal. Rodrigo é uma jovem liderança, que respeitamos. Vamos aguardar. Essas questões vão ser definidas no final de julho.

Retardamento

“A campanha (eleitoral) ficou curtinha. Eu não acho ruim campanha curta, só que adiou as decisões.

Aprovada

“A reforma do ensino médio foi correta, porque o seu ensino estava muito chato e a evasão escolar muito grande. Esse é um desafio do mundo inteiro – como tornar a escola mais atrativa.

Baixo astral

“No Brasil inteiro há um desencanto, uma desesperança. Nós precisamos ficar de bem, o Brasil com os brasileiros. Acho que é possível isso. O nosso modelo político esgotou, faliu praticamente. Os partidos estão todos fragilizados”.

Com profundidade

Ainda Geraldo Alckmin: “Nós defendemos uma reforma política com o voto distrital ou distrital misto, cláusula de desempenho mais forte. O fato é que há uma crise de legitimidade. E temos que reconhecer isso. E não é só no Executivo, é no Legislativo e no Judiciário. Temos que fazer reformas profundas no Estado brasileiro.

 

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