Jornalista há quase 30 anos, escreve a coluna Aparte desde 1991. Já trabalhou em TV, rádio e foi editor chefe do Jornal da Paraíba e colunista das TVs Cabo Branco e Paraíba. É comentarista político das rádios Campina FM, Caturité AM e editor do portal de notícias Paraibaonline.

segunda-feira, 19/06/2017

O ´rei´ novamente nu

Outra entrevista ruidosa

O assunto nos meios políticos nacionais, no final de semana, foi a entrevista que o empresário Joesley Batista (dono da JBS/Friboi) concedeu à revista Época, em sua nova edição.

Segue um indispensável resumo.

Há tempo

“Conheci Temer através do ministro Wagner Rossi, em 2009, 2010. Logo no segundo encontro ele já me deu o celular dele. Daí em diante passamos a falar. Eu mandava mensagem para ele, ele mandava para mim. De 2010 em diante.

Contatos

“Sempre tive relação direta. Fui várias vezes ao escritório (dele) da Praça Pan-Americana; fui várias vezes ao escritório no Itaim; fui várias vezes à casa dele em São Paulo; fui algumas vezes ao Jaburu. Ele foi ao meu casamento.

Passe livre

“Nunca foi uma relação de amizade. Sempre foi uma relação institucional, de um empresário que precisava resolver problemas e via nele a condição de resolver problemas. Acho que ele me via como um empresário que poderia financiar as campanhas dele – e fazer esquemas que renderiam propina. Toda a vida tive total acesso a ele.

Alvo certo

“Ele sempre tinha um assunto específico. Nunca me chamou lá para bater papo. Sempre que me chamava, eu sabia que ele ia me pedir alguma coisa ou ele queria alguma informação.

Objetivo

“Conheci Temer, e esse negócio de dinheiro para campanha aconteceu logo no iniciozinho. O Temer não tem muita cerimônia para tratar desse assunto. Não é um cara cerimonioso com dinheiro.

Encontros

“Sempre estava ligado a alguma coisa ou a algum favor. Raras vezes não. Uma delas foi quando ele pediu os R$ 300 mil para fazer campanha na internet antes do impeachment, preocupado com a imagem dele. Fazia pequenos pedidos. (…) Pediu para fazermos um mensalinho. Fizemos. Volta e meia fazia pedidos assim.

Locação

“Teve uma vez também que ele (Temer) me pediu para ver se eu pagava o aluguel do escritório dele na praça (Pan-Americana, em São Paulo). Eu desconversei, fiz de conta que não entendi, não ouvi. Ele nunca mais me cobrou.

Peditório

“Há político que acredita que pelo simples fato do cargo que ele está ocupando já o habilita a você ficar devendo favores a ele. Já o habilita a pedir algo a você de maneira que seja quase uma obrigação você fazer. Temer é assim (…) Sempre pedindo dinheiro.

Ciumeira

“O PT mandou dar um dinheiro para os senadores do PMDB. Acho que R$ 35 milhões. O Temer e o Eduardo (Cunha) descobriram e deu uma briga danada. Pediram R$ 15 milhões, o Temer reclamou conosco. Demos o dinheiro. Foi aí que Temer voltou à Presidência do PMDB, da qual ele havia se ausentado. O Eduardo também participou ativamente disso.

´Chefe´

“A pessoa a qual o Eduardo (Cunha) se referia como seu superior hierárquico sempre foi o Temer. Sempre falando em nome do Temer. Tudo que o Eduardo conseguia resolver sozinho, ele resolvia. Quando ficava difícil, levava para o Temer. Essa era a hierarquia.

´Instâncias´

“Funcionava assim: primeiro vinha o Lúcio (o operador Lúcio Funaro). O que ele não conseguia resolver pedia para o Eduardo. Se o Eduardo não conseguia resolver, envolvia o Michel.

Delegação

“Quando eu ia falar de esquema mais estrutural com Michel, ele sempre pedia para falar com o Eduardo (…) Temer se envolvia somente nos pequenos favores pessoais ou em disputas internas, como a de 2014.

Temor

“Eu morria de medo de eles encamparem o Ministério da Agricultura. Eu sabia que o achaque ia ser grande. Eles tentaram. Graças a Deus, mudou o governo e eles saíram.

Presidência

“O mais relevante foi quando Eduardo tomou a Câmara. Aí virou CPI para cá, achaque para lá. Tinha de tudo. Eduardo sempre deixava claro que o fortalecimento dele era o fortalecimento do grupo da Câmara e do próprio Michel. Aquele grupo tem o estilo de entrar na sua vida sem ser convidado.

Chantagem

“Eduardo, quando já era presidente da Câmara, um dia me disse assim: ´Joesley, tão querendo abrir uma CPI contra a JBS para investigar o BNDES. É o seguinte: você me dá R$ 5 milhões que eu acabo com a CPI´. Falei: “Eduardo, pode abrir, não tem problema”.

Morde e assopra

“A realidade é que esse grupo é o de mais difícil convívio que já tive na minha vida. Daquele sujeito que nunca tive coragem de romper, mas também morria de medo de me abraçar com ele.

´Pensão´

“Virei refém de dois presidiários (Eduardo Cunha e Lúcio Funaro – ´operador´ do PMDB). Combinei quando já estava claro que eles seriam presos, no ano passado. O Eduardo me pediu R$ 5 milhões. Disse que eu devia a ele. Não devia, mas como ia brigar com ele? Dez dias depois ele foi preso”.

Ou no Planalto ou na cadeia

Ainda Joesley Batista: “Essa é a maior e mais perigosa organização criminosa deste país. Liderada pelo presidente (…) O Temer é o chefe da Orcrim (organização criminosa) da Câmara. Temer, Eduardo, Geddel (Vieira Lima), Henrique (Eduardo Alves), (Eliseu) Padilha e Moreira (Franco). É o grupo deles. Quem não está preso está hoje no Planalto. Essa turma é muita perigosa. Não pode brigar com eles. Nunca tive coragem de brigar com eles. Por outro lado, se você baixar a guarda, eles não têm limites.

Temer já não tem biografia, mas ´prontuário´ policial...
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