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Arimatéa Souza

quarta-feira, 16/11/2016

O PT no espelho

´Bomba relógio´

Um trabalho produzido pelo economista Nelson Marconi, professor da Fundação Getúlio Vargas, dimensiona o tamanho do problema que aguarda as finanças públicas estaduais para a década que se aproxima, se é que o estampido não será estridente ainda para os atuais governadores.

Ao longo dos próximos 10 anos, 48% dos servidores estaduais hoje na ativa terão direito a pedir a aposentadoria. Serão 1,8 milhão de funcionários públicos.

Insuportável

“Pelas regras atuais, os sistemas previdenciários estaduais não vão suportar a conta e a crise, hoje concentrada em alguns Estados, vai se espalhar”, prognosticou Nelson, em entrevista ao ´Estadão´.

Origem

O economista Paulo Tafner, especialista em Previdência, sublinhou que o problema deriva de uma enxurrada de contratações que ocorreram em praticamente todas as esferas do setor público no final dos anos 80 e início dos anos 90, durante a redemocratização.

Adubo

A Constituição de 1988 reforçou o processo, ao ampliar as obrigações de Estados e municípios nas áreas de educação, saúde e segurança, que dependem de muita mão de obra.

Particularidades

Pesa também – acrescentou o especialista – o fato de duas categorias, professores e policiais, cujas contrações estão concentradas nos Estados, terem direito a aposentadorias especiais.

Extrapolaram

O aperto fiscal também bate à porta das capitais. Onze delas ultrapassaram o limite de gastos com pessoal previsto na Lei de Responsabilidade Fiscal, conforme dados divulgados pelo Tesouro Nacional.

Dito de outro jeito: estão destinando mais de 60% da receita corrente líquida à folha de pessoal.

O detalhe

João Pessoa, por exemplo, tem 66% das receitas pendurados nos gastos com o funcionalismo.

Lacônico

Na conversa que manteve na semana passada com autoridades campinenses, o representante da empresa aérea Gol avisou que se o problema do posto de abastecimento não estiver resolvido até março próximo, ´tchau, tchau Campina´.

Novo voo

O vereador pessoense Fernando Milanez (PSD), que não disputou a reeleição este ano, já tece o projeto de concorrer a um mandato de deputado federal ou estadual em 2018.

Fogo amigo

O vereador reeleito Rodrigo Ramos (PDT-CG) tem renovadamente afirmado que “fui perseguido pela própria coligação partidária”, numa alusão à aliança puxada pelo ex-prefeitável Adriano Galdino (PSB).

Convicto e…

Sobre o próximo mandato, Ramos assinalou que “sou oposição por convicção, ressalvando que nunca tive cargos”.

… Flexível

Rodrigo Ramos fez uma ressalva sintomática: “Não faço oposição do quanto pior, melhor. Não tenho nenhuma dificuldade de votar alguns projetos de interesse público”.

Se sobrar…

A Itália foi a opção do licenciado senador Cássio (PSDB) para celebrar as chamadas ´segundas núpcias´.

 

… Tempo

Distante do ´rame-rame´ paroquial, talvez aproveite o descanso para refletir acerca de sua opção de candidatura para 2018.

Garimpo

É lapidar a reflexão do jornalista Josias de Souza (UOL) sobre a situação atual do ex-presidente Lula e do seu rebento chamado PT.

Leia trechos.

Profundidade

“A surra eleitoral ajudou a expor o tamanho da crise pela qual passa o PT. É proporcional a dois fenômenos que grudaram na estrela vermelha: a ruína econômica e a degradação ética. Os petistas dividem-se entre a evasão e a falta de rumo.

Sem ´mea culpa´

“A ausência de desconfiômetro impede o PT de reconhecer os seus erros. A escassez de quadros mantém a legenda acorrentada a Lula e sua rotina penal.

Miopia

“A inexistência de ideias dá ao partido uma aparência de cachorro que acaba de cair do caminhão de mudança. Não é que os petistas tenham dificuldades para encontrar soluções. Em verdade, eles ainda não enxergaram nem o problema.

Ilegítimas

“No documento de convocação do Congresso partidário, o PT anuncia que fará ´oposição implacável´ ao ´governo usurpador´ de Michel Temer. Critica a emenda constitucional do teto dos gastos federais, a reforma da Previdência e a reformulação do ensino médio. As críticas são natimortas.

Aos fatos

“Henrique Meirelles, o ministro da Fazenda de Temer, serviu à gestão Lula como presidente do Banco Central. Só não virou ministro de Dilma porque a criatura rejeitou o conselho do criador. Nelson Barbosa, último titular da Fazenda no governo Dilma, também flertou com um modelo de teto de gastos. Madame caiu antes que ele pudesse implementá-lo.

Cogitada

“A reforma da Previdência também compunha o cardápio anticrise de Dilma.

“Plágio”

“Quanto à reforma do ensino médio, o PT poderia acusar Temer de plágio. Dilma fez da modernização do ensino médio bandeira da campanha presidencial de 2014. A então candidata prega o mesmo modelo sugerido sob Temer: definição de um currículo comum e enxugamento do número de disciplinas.

Inversão

“Madame Dilma chegou mesmo a insinuar que matérias como filosofia e sociologia seriam dispensáveis. É como se agora, apeado do poder, o PT assumisse o papel de Narciso às avessas. Acha feio o que é espelho.

Radicalidade no recomeço

Ainda Josias: “Num partido cujos filiados só conseguem citar o nome de três grandes líderes – Lula, Lula e Lula – a renovação é utopia irrealizável. Impossível revitalizar um agrupamento que trata os hóspedes da Polícia Federal de Curitiba como ´herois do povo brasileiro.´

No seu esforço para voltar a seduzir o eleitorado, o PT terá de superar um paradoxo: a legenda acha que é uma coisa. Mas a soma dos palavrões que inspira nas esquinas e nos botecos indica que sua reputação é outra coisa. Ou a renovação começa do zero ou o novo será apenas o cadáver do velho. Será facilmente reconhecido pelos vermes”.

Como será o ´degelo´ hoje de Temer e Ricardo Coutinho?...
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