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Arimatéa Souza

quarta-feira, 24/10/2018

O perigo é ´logo ali´

O ´paciente´ respirou

Os números da nova pesquisa do Ibope acerca da sucessão presidencial, divulgados na noite de ontem pela TV Globo, provocaram uma espécie de alento na campanha de Fernando Haddad (PT) à Presidência da República.

Nem tanto pelo resultado – 57% a 43% – nos votos validos, mas pela oscilação em termos de rejeição: a de Jair Bolsonaro (PSL) aumentou 5 pontos percentuais, e a rejeição ao petista caiu seis pontos percentuais.

Espelhando

Esses números, à primeira vista, retratam a série de fatos políticos adversos que a campanha do ´capitão´ protagonizou, notadamente a divulgação do vídeo no qual o seu filho, deputado Eduardo Bolsonaro (PSL), menospreza as atribuições e a importância do Supremo Tribunal Federal.

Precipitação

O açodamento de correligionários de um favorito, de tratar acerca de decisões políticas e administrativas futuras antes da realização do 2º turno, é um procedimento vez por outra punido exemplarmente pelo eleitorado.

Repulsa

A aparente sorte de Bolsonaro é que se sobrepõe às derrapadas de sua campanha um desmedido sentimento antipetista, que abre mão da racionalidade em favor de uma aversão caudalosa.

O detalhe

O Ibope ouviu 3.010 eleitores em 208 municípios nos dias 21 a 23 de outubro. A pesquisa está registrada sob o protocolo BR‐07272/2018.

Largada

O deputado estadual reeleito Manoel Ludgério (PSD) foi ágil ao se projetar como postulante a protagonista na sucessão campinense de 2020, ao ponto de anunciar (por antecipação) ao grupo político que integra a sua candidatura, mesmo na hipótese de o senador Cássio Cunha Lima (PSDB) entrar no páreo.

Da boca de…

“… Bolsonaro é um homem destemido, que tem Deus no coração, que tem sangue no olho e vai enfrentar os bandidos. Mas o Brasil não tem bandido só roubando no ponto de ônibus com (revólver) 38. O Brasil tem bandidos também nos Tribunais Superiores (…) No Supremo Tribunal Federal deste país, cada um tem o seu bandido de estimação…” (senador Magno Malta, PR/ES).

Afivelando

O deputado (reeleito) Tovar Correia Lima (PSDB) admitiu, ontem, na Assembleia Legislativa, a hipótese de deixar o PSDB.

“Ainda não sei o momento. Vai depender também da adequação do PSDB a uma nova política que estar por vir. E se isso acontecer, não haverá saída do partido”, ressalvou.

Na valsa

Tovar assinalou ainda que “se nós sairmos, não vai ser nada abrupto. Isso precisa ser muito bem digerido. Eu não vou mudar de legenda por conveniência”.

Porta aberta

“Espero que o Ciro (Gomes) dê um alô de onde estiver, aguardo ansiosamente”.

Fernando Haddad, anteontem, no programa Roda Viva da TV Cultura.

Retorno

Está prevista uma visita de Fernando Haddad a João Pessoa nesta quinta-feira.

Garimpo

Vale a pena reproduzir algumas declarações do presidente nacional do Democratas e prefeito de Salvador (BA), ACM Neto, que atuou na coordenação central da campanha do ex-presidenciável Geraldo Alckmin (PSDB), ao jornal Folha de São Paulo.

Resultado

“Foi muito abaixo de todas as expectativas e de qualquer cenário que tenha sido traçado. Um desastre eleitoral como este jamais é resultado apenas de um elemento, mas de um conjunto.

Aprendizado

“Fica uma lição para os tucanos. Ao longo de todas as últimas eleições, eles deixaram para estruturar a candidatura presidencial em cima da hora. Esse resultado também demonstra que não dá mais para fazer um projeto grandioso da noite para o dia.

Imponderável

“Todas as pesquisas que a gente via mostravam o Bolsonaro com um teto muito abaixo do que o que ele veio a ter no primeiro turno. Então, não tenho dúvida de que a facada (que o candidato sofreu) contribuiu.

Resumo

“Poucos (no PSDB) efetivamente trabalharam por Geraldo Alckmin. Cada um cuidou de seu próprio umbigo”.

´Barrigada´

Na ânsia de atacar a chapa adversária, Fernando Haddad afirmou ontem que o general Hamilton Mourão (PRTB), vice na chapa de Jair Bolsonaro (PSL), foi um torturador na época da ditadura militar brasileira.

De corpo e alma

O petista declarou em entrevista que houve um relato, feito no sábado (20) pelo cantor Geraldo Azevedo, que disse em show na Bahia que foi preso e torturado durante o regime militar.

Azevedo afirmou que Mourão era um dos torturadores do local onde ele ficou encarcerado por 41 dias.

Data não bate

Acontece que o cantor pernambucano foi preso em 1969 e o hoje general da reserva Mourão só ingressou no Exército em 1972.

Desafinou

Em resumo, Haddad e Geraldo Azevedo fizeram – como na famosa música – “um bicho de sete cabeças”.

Vida real

Enquanto os candidatos que disputam a sucessão presidencial (e alguns governos estaduais) chafurdam na tentativa de desconstrução incondicional dos adversários e na priorização de temas secundários (ou não inerentes) para quem vai ocupar a cadeira presidencial, o mundo real permanece crescentemente desafiador.

Na prateleira

É o caso da relevante reforma previdenciária, que está empoeirada desde que começou a propaganda gratuita no rádio e na TV.

Engessamento

Levantamento promovido pelo jornal Folha de São Paulo mostra que em 2022, quando chegará ao fim o mandato dos governadores que estão sendo eleitos este ano, em 16 estados e no Distrito Federal já estarão gastando acima de 80% de suas receitas somente com despesas com pessoal.

Na ´UTI´

Há quatro estados com situação calamitosa, caso preservadas as condições previdenciárias atuais: Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Distrito Federal.

Nesses casos, em 2022 de cada 100 reais arrecadados, 95 reais serão gastos com pessoal.

E nós?

No caso da Paraíba, conforme o estudo já referido, sem reforma previdenciária o governador eleito João Azevedo (PSB) deixará o cargo (ou tentará a reeleição) em 2022 gastando com o funcionalismo R$ 82,90 de cada R$ 100 de receitas.

Quem juntará os ´cacos´ do PSDB após as eleições?...
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