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Arimatéa Souza

sábado, 25/05/2019

O ministro tagarela

Morde & assopra

Na viagem ´batismal´ de Jair Bolsonaro ao Nordeste, ontem, todas as partes envolvidas cumpriram rigorosamente os seus papeis – do próprio presidente, passando pela oposição e manifestantes.

O chefe do Executivo anunciou uma ´injeção´ de R$ 4 bilhões em recursos para financiamentos produtivos na região, via Sudene e BNB, e aproveitou para recobrar o envolvimento dos governadores e prefeitos com a reforma da Previdência.

Gula da…

O prefeito do Recife (anfitrião) Geraldo Júlio (PSB) citou que “há 30 anos, quando a Constituição foi promulgada, de cada R$ 4 que a União arrecadava, três eram compartilhados com estados e municípios. A Constituição não mudou, mas a receita mudou.

… União

“No decorrer desses 30 anos, a gente viu isso baixar para praticamente R$ 1,5. Então, em vez de 75% serem compartilhados, hoje cerca de 40% são compartilhados. Então, os municípios estão apertados”, grifou o recifense.

Acertar…

O ministro do Desenvolvimento Regional, Gustavo Canuto, buscou focar nos temas regionais, objeto principal da existência da sofrida Sudene: “A visão de um Nordeste sofrido, precário, difícil, tem que ficar para trás.

… O passo

“Os nordestinos – prosseguiu o ministro – são um povo muito forte, com riquezas naturais diferenciadas. Têm um potencial muito grande e nós só precisamos investir no lugar certo, da maneira correta, para que esse potencial possa ser destravado”.

Voluntarismo

O governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB), disse em seu discurso que “força de trabalho aqui nunca faltou. Se hoje se apresenta um novo Plano Regional Desenvolvimento do Nordeste, e se ele contar com o efetivo esforço de todos os poderes da Nação, nas suas diversas esferas, tenho convicção plena de que a parte que cabe ao povo, ele a fará. A nossa também faremos”.

Pega mal

“Eu não gosto desse modelo de estar condicionando ações e investimentos à reforma da Previdência. Isso não é bom nem para a aprovação da reforma da previdência. Fica parecendo que você está fazendo uma troca. E a previdência é algo tão importante para a nação, de tão longo prazo para o planejamento da vida das pessoas, que ela não pode ser permutada ou trocada por qualquer outra ação”, afirmou o governador baiano Rui Costa (PT).

Inegociável

O governador alagoano Renan Filho (MDB) avisou que “ninguém trocará ajuda à reforma se ela tirar direito dos mais pobres. A gente não vai apoiar reforma se ela tratar de forma brutal trabalhador rural, professores”.

Gradualismo

O petista Wellington Dias (PI) observou que “precisamos levar em conta que não estamos começando do zero a Previdência. Há um modelo e precisamos migrar para um outro. Tem que ter um bom prazo de transição, tem que se respeitar um conjunto de efeitos sociais que tem em relação a mulheres, professores, policiais”.

Efeito…

João Azevedo (PSB) ressaltou que “a questão da Previdência não traz um impacto imediato na economia do País”.

… Lá na frente

“A reforma da Previdência apresentada tem um impacto depois de 10 a 15 anos na economia. Ela pode criar até uma expectativa positiva em termos de investimento, mas não soluciona os problemas, as necessidades e nem os déficits previdenciários dos estados”, preveniu o socialista.

´Virar o disco´

O governador paraibano disse ainda que “o Brasil não pode parar, de forma nenhuma, exclusivamente pela reforma da Previdência. As outras políticas também precisam ser colocadas em pautas. Precisaríamos ter aqui definição de políticas para a segurança pública. É um problema para todos os estados.”

Escorregão

Tudo o que o País não precisa neste momento de crise aguda é de um ministro inconsequente, notadamente quando esse auxiliar presidencial é o próprio gestor – aliás ´supergestor´ – da área econômica.

Incorrigível

Na edição deste final de semana da revista Veja, o ministro Paulo Guedes chacoalha outra vez um governo que não consegue passar uma semana sem fazer uma ação atabalhoada ou deixar de proclamar uma ´incontinência verbal´ – dizer uma besteira na expressão popular.

Ameaça…

Vamos ao que disse Guedes: “Deixa eu te falar um negócio que é importante. Eu não sou irresponsável. Eu não sou inconsequente. Ah, não aprovou a reforma, vou embora no dia seguinte. Não existe isso. Agora, posso perfeitamente dizer assim: ‘Olha, já fiz o que tinha de ter sido feito. Não estou com vontade de ficar, vou dar uns meses, justamente para não criar problemas, mas não dá para permanecer no cargo’.”

… Explícita

Ainda o ministro: “Se só eu quero a reforma, vou embora para casa. Se eu sentir que o presidente não quer a reforma, a mídia está a fim só de bagunçar, a oposição quer tumultuar, explodir e correr o risco de ter um confronto sério… pego o avião e vou morar lá fora”.

Sem comedimento

Paulo Guedes tem todo o direito de pensar, projetar e até realizar tudo o que foi lido acima.

Acontece que é uma declaração intempestiva perante um ambiente volátil como é o financeiro.

´Bola fora´

A ´messiânica´ reforma da Previdência não tem sequer data para votação na Câmara Federal.

Tudo o que se falar sobre a sua apreciação é precipitado, incabível, principalmente partindo da principal autoridade econômica do País.

Livre para voar

A impertinência de Guedes teve que ser rebatida – inevitavelmente – pelo presidente Jair Bolsonaro: “Paulo Guedes está no direito dele. Ninguém é obrigado a ficar como ministro meu.”

Começa hoje o ´voo solo´ de Romero Rodrigues?...
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