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Arimatéa Souza

terça-feira, 28/05/2019

O ´ex´ entrou em erupção

Radiografia da crise

Credite-se ao jornalista Josias de Souza, do portal UOL, um das mais precisas avaliações sobre as atribulações recentes do Governo Bolsonaro, coroadas com os protestos de domingo último.

A seguir, alguns trechos dessas reflexões.

 

Desafios

“Na campanha presidencial de 2018, havia três grandes problemas sobre a mesa: ruína fiscal, estagnação econômica e corrupção endêmica. Jair Bolsonaro manda em Brasília desde janeiro de 2019.

Saldo

“Para dar certo, precisa aprovar reformas no Congresso, destravar a economia e higienizar o Estado. Em cinco meses, forneceu tuítes, crises e ineficiência.

´Inimigos´

“Assiste ao aumento do desemprego. Convive com malfeitos atribuídos ao primogênito Flávio Bolsonaro. Alega que o Congresso trava o governo. Sustenta que as corporações resistem às mudanças. E acusa o Ministério Público de ´perseguição´.

Metamorfose

“Em seis meses, se tudo o que o governo tiver a apresentar contra o buraco fiscal, a sedação econômica e a perversão ética for um conjunto de desculpas, o mesmo asfalto que aplaude pode rosnar para Bolsonaro.

Sabe o que quer

“Uma das belezas da democracia é a capacidade da opinião pública de identificar empulhações. Pragmático, o povo não costuma ser leal senão aos seus próprios interesses. Foi graças a essa peculiaridade, aliás, que Bolsonaro chegou à Presidência.

Por exclusão

“No segundo turno da disputa presidencial, parte do eleitorado escolheu um vencedor, não um presidente. Muita gente votou em Jair Bolsonaro para impedir que o triunfo de Fernando Haddad devolvesse o poder ao PT. Prevaleceu a exclusão, não a preferência.

Radicalizou

“Numa conjuntura assim, marcada pela polarização extrema, caberia ao vitorioso a generosidade da pacificação. Bolsonaro preferiu acentuar as diferenças. Trocou o ´nós contra eles´ do petismo pelo ´eles contra nós´.

À luz do sol

“A fratura nunca esteve tão exposta. O Brasil parece condenado à campanha perpétua.

Debilidade

“O presidente endossou os atos (de domingo último). Fez isso sem perceber que um governante recém-eleito que precisa socorrer-se das ruas em cinco meses é um governante fraco.

Sua missão

“Declarou que não cederá ao troca-troca. Ótimo. Falta agora sanear seu próprio governo, apinhado de contradições, e estabelecer laços decentes com os partidos, denunciando as propostas indecorosas. Esse tipo de tarefa, por intransferível, não pode ser terceirizado às ruas.

Precedentes

“Os dois últimos presidentes que imaginaram que seria possível emparedar o Congresso – Fernando Collor e Dilma Rousseff – foram mandados para casa mais cedo. A ideia de que o presidente manda e o Congresso obedece é consequência do pior tipo de ilusão que costuma acometer os presidentes novatos: a ilusão de que presidem.

Esmero

“É notável o refinamento, o cuidado, o acabamento extremo e, sobretudo, o custo com que a administração Bolsonaro atinge a ineficiência. Mantido o ritmo, o capitão logo descobrirá que não há popularidade sem prosperidade. E os manifestantes do dia 15 de maio (em favor da educação) e deste domingo tendem a se encontrar em manifestações conjuntas”.

´Trincou´

No final de semana houve uma fratura exposta do agrupamento governista (PSB/PB).

Cutucada à distância

Durante entrevista dada no Sertão, o ex-governador Ricardo Coutinho se permitiu opinar acerca da condução política do governo, notadamente a aparente tolerância de João Azevedo com o chamado ´G10´ (dez deputados que integram a base governista, mas possuem um comando e uma postura independentes).

Afirmativo

“Eu acho que isso vai terminar muito ruim, com atritos cada vez maiores. Eu não sou mais governante, mas se eu me visse numa situação como essa gostaria de ter uma definição sim, de quem está no governo e de quem não está. E eu acho que essa definição tem que ser cobrada”, avaliou.

Não desagregar

“Ricardo é o nosso maior líder político do PSB, tem uma história de muito trabalho pela Paraíba. Mas eu acho que nesse momento toda fala tem que ter o objetivo de unificar. E o G10 é governo. A minha preocupação não só com Ricardo, mas com outras lideranças do partido, para que possam ter um discurso de união para dar continuidade ao projeto do PSB e a governabilidade de João”, reagiu prontamente o deputado-presidente Adriano Galdino.

Dar o exemplo

“João tem feito um grande trabalho, com uma agenda grandiosa. Ele precisa do nosso apoio; precisa que estejamos juntos. Para isso, precisamos dar declarações de união, e Ricardo tem papel fundamental para isso”, acrescentou Galdino.

Despreocupado

De sua parte, o atual governador declarou ontem que “o ´G10´ é da base (governista) e é nessa lógica que nós temos trabalhado”.

– O ´G10´ é parte do governo e está lá para ajudar. Eu não tenho dúvida nenhuma (…) Eu não tenho nenhuma preocupação quanto a isso – acrescentou João Azevedo.

O ´girassol´ está ´despetalando´ aqui na Paraíba?...
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