Fechar

logo

Fechar

Arimatéa Souza

segunda-feira, 11/03/2019

O ´dono do cofre´

Além dos costumes

Seguramente, o acontecimento de maior relevância na semana carnavalesca – que, na prática, terminou ontem – foi, do ponto de vista macro, a longa entrevista dada ao ´Estadão´ pelo superministro da Economia Paulo Guedes.

O que ele pensa – e, principalmente, o que ele prepara ou encaminha – terá impacto na vida de todos os brasileiros ao longo dos próximos anos e/ou décadas, em escala variada de intensidade.

Por isso, segue o resumo de suas declarações.

Mote de campanha

“O presidente Bolsonaro ganhou a eleição dizendo ´Brasil acima de tudo, Deus acima de todos´ e o Paulo Guedes dizendo que vai privatizar. Foi essa agenda que ganhou a eleição.

Confiante

“Minha visão: nós vamos aprovar essa reforma da Previdência.

Nova gestão

“É um governo que veio de fora do establishment. Não é uma transição suave. Esse barulho é natural.

Nova realidade

“A velha política perdeu o eixo. O eixo era compra de voto mercenário no varejo e esse eixo se esfacelou com a Lava Jato. Agora, são dois novos eixos. O primeiro é temático, que foi muito explorado na campanha: bons costumes, família, segurança. (O segundo eixo é o econômico)

Óticas distintas

“O lado de lá fala que o presidente está distribuindo vídeo pornográfico. O lado de cá diz que o presidente está dizendo à tribo dele que continua atento aos costumes e à turma que usa dinheiro público para expressar “arte”. É uma disputa temática válida. O presidente está mobilizando os temas que aqueceram sua campanha.

Autonomia

“Tive total liberdade para montar o meu time. Agora, o parlamentar eleito tem direito de pedir participação nos orçamentos. Mais até do que isso: estamos articulando a apresentação da PEC (proposta de emenda constitucional) do pacto federativo no Senado. Queremos devolver o protagonismo orçamentário da classe política.

Faz parte

“O que não é normal é o parlamentar falar ´me dá um cargo aí porque quero pegar um dinheiro para mim´. Agora, pedir dinheiro para educação, para fazer saneamento, esgoto nas comunidades, é absolutamente normal.

Tamanho do bolo

Há pedidos que são legítimos – e acho até que é pouco. Uma classe política que tem um orçamento da União de R$ 1,5 trilhão para alocar e supostamente está contente em sair com R$ 15 milhões para cada um, para favorecer suas bases eleitorais? Acho que esses caras estão fora da realidade.

Aprendizado

“Política é feita por partidos. Agora esses partidos não podem ser mercenários. Têm de ser temáticos e programáticos. É um choque do antigo com o novo e não adianta acusar o governo de não querer fazer política como antigamente. Claro que não! Fomos eleitos para não fazer. Aquele jeito de fazer política está na cadeia e está perdendo eleição. Qual o jeito novo? Não sabemos. Vamos aprender juntos.

Nova PEC

“A principal função política é controlar os recursos públicos. É aí que entra a PEC (emenda constitucional) do pacto federativo. Os políticos vão entender que, em vez de discutir R$ 15 milhões ou R$ 5 milhões de emendas, vão discutir R$ 1,5 trilhão de orçamento da União, mais os orçamentos dos municípios e dos Estados.

Desgastada

“A classe política hoje está sob opinião pública desfavorável: muitos privilégios, aposentadoria, salários, estabilidade, assessoria, moradia, uma porção de coisas, e não tem atribuições nem obrigações. É inequívoco isso.

Mudança

“A eleição do Bolsonaro foi uma crítica à velha política. Essa classe política brasileira vai se reinventar, porque eles são capazes, são inteligentes. Estão percebendo que o caminho mudou.

Aceitação

“Se a proposta é menos Brasília e mais Brasil, preciso do pacto federativo para fazer o dinheiro chegar lá. Todo mundo com quem a gente conversa está entendendo que o caminho é esse.

Quebrados

“Vamos lançar o pacto federativo já. Os governadores e os prefeitos, que estão todos quebrados, dizem ´pelo amor de Deus, pelo amor de Deus, faz alguma coisa´. Eles estão devendo para o funcionalismo, para fornecedores. Não estão pagando dívidas. Está caótico o quadro financeiro de Estados e municípios. Isso significa que o timing político é já.

´Pacto Federativo´

“São os representantes do povo reassumindo o controle orçamentário. É a desvinculação, a desindexação, a desobrigação e a descentralização dos recursos das receitas e das despesas.

 

Radical

“A desvinculação que eu quero é total. Aí vamos ver quanto dá, mas vou tentar. Os políticos têm de assumir as suas responsabilidades, as suas atribuições e os seus recursos. Eles são gestores públicos e sabem o desafio que têm.

Imobilizado

“Hoje o cara está sentado lá numa prefeitura, no governo do Estado, vendo subir isso, subir aquilo, sendo obrigado a fazer isso, fazer aquilo, e percebendo que ele não manda nada. Eles têm de mudar isso, assumir o protagonismo.

Definir…

“Ele (pacto) vai ter duas dimensões importantes. Uma é de curto prazo, sim. Tem de vir um ´balão de oxigênio´, mas ele é condicionado às reformas em nível estadual e municipal. É uma antecipação de receitas para quem fizer o ajuste.

… Prioridades

Por isso é que preciso desamarrar, desindexar, desvincular os orçamentos. Se você devolver o poder de decisão para os prefeitos e governadores, eles vão poder fazer o que é mais urgente para cada um.

Como vai funcionar

“Vou dar um exemplo que já está sendo analisado. Um Estado está fazendo um programa de ajuste que parece que vai assegurar a ele R$ 4 bilhões. Então, em vez de ele ter os R$ 4 bilhões lá na frente só, ele poderá ter uma antecipação entre R$ 1 bilhão e R$ 2 bilhões, para sobreviver enquanto seu pacote não funciona.

´Faxina´

“Vou privatizar, reduzir dívida. Todo mundo bateu palma quando a Petrobras vendeu ativos, reduziu a dívida e passou a valer dez vezes mais. Eu quero fazer isso com os ativos do Estado, inclusive os imóveis. Nós temos metas.

Limites

“Eu gostaria de vender tudo (estatais) e reduzir dívida. Agora, quem tem voto não sou eu, é o presidente. Aí ele diz: ´Não vai vender a Petrobras, não vai vender o Banco do Brasil…´

Cronologia

“Se a Previdência vai quebrar o Brasil, enfia a (reforma da) Previdência. Ah, os governadores e prefeitos estão desesperados. Enfia o pacto federativo. Aprovamos os dois? Aprovamos. Começa a simplificação dos impostos. Aliás, nós vamos começar a disparar tudo ao mesmo tempo.

Setor industrial

“Queremos um choque de reindustrialização com energia barata.

Militares

“Todo mundo tem de estar dentro (da reforma previdenciária). Se os militares ficarem fora da conta, ninguém vai entender. Estamos indo para o sacrifício.

Meta

“Se não der (reforma da Previdência) uma economia de R$ 1 trilhão, estaremos assaltando as futuras gerações. Vamos deixar os pequenininhos pagando para a gente de novo. Vai estourar o regime. Tem um custo de transição. Tem de ter potência fiscal.

Supressão

“A segunda exigência para viabilizar o sistema é acabar com os encargos trabalhistas. Essa reforma é só o começo. Vamos mexer mais. Já, Já. Mas primeiro eu preciso de uma potência fiscal para ter fôlego.

Pobreza

“A primeira coisa que estamos fazendo pelos pobres é assegurar todas as aposentadorias dos pobres, que iriam acabar com esse regime de privilégios. A segunda coisa que vamos fazer é dar um choque de emprego no País. Vamos reduzir e simplificar os impostos.

BPC

“Cada medida tem uma razão. Se quem não contribuir ganhar a mesma coisa daquele que contribuiu, ninguém vai contribuir. O BPC (Benefício de Prestação Continuada) tem de ser o seguinte: o cara não contribuiu, ganha um pouco menos do que quem contribuiu. Em compensação, o governo dá o benefício antes. Tem de ter uma diferença. Eu acho que, se em vez de fazer 60 anos (idade para começar a receber o benefício) e 70 anos (para ter o salário mínimo) colocar 62 anos e 68 anos, passa no Congresso. Além disso, se o valor de R$ 400 for para R$ 500 ou R$ 600, passa”.

“Tanta coisa boa”

Ainda Paulo Guedes: “Vem uma pauta positiva aí: PEC do pacto federativo, simplificação e redução dos impostos, aceleração da privatização, desestatização do mercado de crédito, abertura da economia. Tem coisas que vocês não estão vendo. Vem aí o choque da energia barata em mercado. Isso vai permitir uma redução do custo de energia de quase 50%. É tanta coisa boa que tem que fico com pena do Brasil de ficar discutindo sexo dos anjos”.

A política paraibana vai esquentar...
Share this page to Telegram

Arquivo da Coluna

Arquivo 2019 Arquivo 2018 Arquivo 2017

2018 - Paraiba Online - Todos os direitos reservados.

BeeCube