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Arimatéa Souza

sábado, 04/11/2017

O custo do ´penduricalho´

Sem a pulsação do tempo

É estarrecedora a postura de alguns agentes públicos nos tempos atuais, em que pese as sucessivas demonstrações de avanço na caminhada que o País realiza para atingir outro patamar de cidadania, mesmo tendo que passar pela dolorosa e até fétida depuração de sua classe política, como é o caso da Operação Lava Jato.

Esta semana, a ministra Luislinda Valois, justamente da pasta dos Direitos Humanos, apresentou ao governo um pedido (207 páginas) para acumular o seu salário com o de desembargadora aposentada, o que lhe garantiria vencimento bruto de R$ 61,4 mil.

 

Rompeu o…

À primeira vista, seria tolerável e até normal para os padrões atuais, apesar do vigente teto de vencimentos no serviço público, o pleito da ministra.

… Suportável

Mas na justificativa ela passou dos limites e adentrou no terreno da insensibilidade temperada pelo acinte: a sua situação, sublinhou na petição, “sem sombra de dúvidas, se assemelha ao trabalho escravo, o que também é rejeitado, peremptoriamente, pela legislação brasileira desde os idos de 1888 com a Lei da Abolição da Escravatura”.

´Complementos´

Além da remuneração, a ministra tem à disposição carro com motorista, jatinhos da FAB, cartão corporativo e imóvel funcional.

Só lembrando

À luz do Código Penal, trabalho similar ao escravo significa submeter a pessoa a condições degradantes para a atividade funcional, jornada exaustiva, trabalho forçado, cerceamento de locomoção e servidão por dívida.

Recuo

Luislinda Valois, diante da péssima repercussão, acabou desistindo da solicitação de reembolso.

Desculpa

Mas mesmo assim alegou que pediu o pagamento integral (R$ 61.400) porque o cargo impõe despesas extras como se “vestir com dignidade” e “usar maquiagem”.

Insistência

“Todo mundo sabe que quem trabalha sem receber é escravo”, arrematou.

Roubaram…

Aliás, os ministros de Temer estiveram em evidência nessa ´morna semana´ política.

… A cena

Torquato Jardim, ministro da justiça, afirmou que o governador Luiz Fernando Pezão (PMDB-RJ) e o secretário de Segurança, Roberto Sá, “não controlam a Polícia Militar”.

E que comandantes de batalhões da PM “são sócios do crime organizado no Rio”.

Resumo

E ninguém foi demitido por Michel Temer.

Pluralizar

Apesar de reafirmar o entendimento de que João Pessoa e Campina terão um peso adicional na definição da chapa das oposições e no resultado do pleito do ano que vem, o prefeito pessoense Luciano Cartaxo (PSD) defendeu ontem que esse processo de formação da chapa conte com a direta participação de lideranças interioranas.

Garimpo

O singular cantor e compositor baiano Caetano Veloso concedeu uma longa entrevista ao jornal Folha de São Paulo.

A seguir, algumas frases marcantes.

Brasil atual

“No momento as preocupações são maiores do que as esperanças.

Troca de governo

“Tudo me parece muito complexo. Eu não era fã de Dilma como política. Ela mostrou não ter muito talento para essa atividade. Nunca fui petista. Lula é uma grande figura histórica, aconteça o que acontecer com ele.

 

Lava Jato

“A Lava Jato tinha muita cara de neolacerdismo. A desconfiança de que tudo era para desfazer o PT (…) Os conservadores corruptos esperavam exatamente isso dela.

Nunca antes

“A novidade de ver empresários e políticos graúdos sendo presos não pode deixar de ter impacto sobre nós, sobre mim.

´Retrô´

“Os discursos dos parlamentares no dia do impeachment (de Dilma) mostraram um Brasil retrógrado e, como é o caso da homenagem de (Jair) Bolsonaro ao torturador Ustra, um Brasil ameaçador das liberdades democráticas.

Paradoxo

“O mais chocante é que um punhado de bandidos que estão sob acusações mais fortes (e com provas mais contundentes) do que as enfrentadas por Dilma mantêm-se no poder, seja como presidente da República, seja como ministros seus, seja como legisladores.

´Meu candidato´

“Quero compensar o nítido boicote que os grandes jornais fazem a seu nome, estou com Ciro Gomes. A imprensa nunca lembra que ele é dos pré-candidatos mais assumidos. Desde que o conheci, garoto, prefeito de Fortaleza, achei que ali nascia um grande quadro político.

Diferencial

“Embora eu ame Marina (Silva), sua figura, sua história, e me sinta esmagado pela imensidão do problema ambiental (que ela toma para si e Ciro parece desprezar), fico com Ciro, que é a figura de político que crê na política, que apresenta planos claros para o país e que poderá fazê-lo forte.

O que nos espera

“Teremos uma eleição dentro de um ano e será melhor injetar saúde na nossa vida política do que deixar que a antipolítica possibilite uma situação opressiva.

Indesejável

“A polarização Lula versus Bolsonaro está no ar. Mas seria melhor que essa cena não dominasse a eleição”.

Sábado é dia de poesia

“As casas tão verde e rosa que vão passando ao nos ver passar/ Os dois lados da janela/ E aquela num tom de azul quase inexistente, azul que não há/ Azul que é pura memória de algum lugar…” (Caetano Veloso).

Desembolso

Em entrevista ontem, o ministro Gilmar Mendes do Supremo Tribunal Federal revelou que o famigerado ´auxílio moradia´, pago aos magistrados de praticamente todo o País, custa anualmente aos cofres públicos entre R$ 800 milhões e R$ 1 bilhão.

´Montanha´

“Estamos falando, portanto, de uma montanha de dinheiro. Custa mais do que o Orçamento do Supremo por ano, porque espalha para a esfera federal e a esfera estadual”, comparou Mendes, ao defender que o assunto seja decidido o quanto antes pelo STF, uma vez que o seu o pagamento ocorre por força de uma liminar dada pelo ministro Luiz Fux.

´Pega mal´

“A rigor, não é uma indenização. O auxílio moradia é pensado para um juiz em lugar distante, que não tivesse residência e tudo mais. Na medida em que ele tem casa e recebe esse auxílio, isso vira vencimentos e não tem nada a ver com o auxílio-moradia”, argumentou o ministro.
Gilmar Mendes admitiu que “isso nos enfraquece, nos debilita perante a própria opinião pública porque, de novo, estamos nos concedendo benefícios em nome da autonomia administrativa e financeira em cima desse orçamento”.

Como está a escolha do novo desembargador paraibano?...
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