Fechar

logo

Fechar

Arimatéa Souza

terça-feira, 18/09/2018

O ´carequinha´ de volta

Além das urnas

A campanha política, apesar de toda a ojeriza de expressiva parcela da opinião pública ao ´status quo´ nacional, tem o condão de atrair as atenções quando avança para os seus dias decisivos – e derradeiros.

Mas abandono essa ´selva´ de paixões (muitas delas irracionais) para tratar de um assunto sobre o qual o mundo (notadamente o seu lado ocidental) está olhando como crescente interesse – e preocupação. Em especial, a imensa comunidade católica.

Falo da crise que ronda o papado de Francisco, motivada pela nova conjuntura cultural mundial e pela resistência interna à sua liderança.

Deu causa

A bem da verdade, o próprio Francisco na sua espontaneidade (e no improviso, sempre arriscado) contribui para as farpas recebidas externamente.

Pronunciamento

O capítulo mais ecoado nos últimos tempos foi a entrevista que concedeu no avião, quando do retorno de uma viagem à Irlanda.

Indagação

Um jornalista perguntou ao papa o que diria aos pais que observam orientações homossexuais em seus filhos. Resposta de bate-pronto: “Eu diria, em primeiro lugar, que rezem, que não condenem, que dialoguem, que deem espaço ao filho ou filha”.

Direito

“Nunca direi que o silêncio é um remédio. Ignorar seu filho ou filha com tendências homossexuais é uma falha da paternidade ou maternidade. Essa criança tem direito a uma família”, discorreu o pontífice.

Derrapada

Veio então o adendo ruidoso: “Quando é observado a partir da infância, há muito o que pode ser feito por meio da psiquiatria, para ver como são as coisas. É outra coisa quando se manifesta depois dos 20 anos”.

Reprovação

Prontamente, associações LGBT francesas atacaram a frase de Francisco: “Condenamos estas declarações que fazem referência à ideia de que a homossexualidade é uma doença. Se há uma doença é esta homofobia arraigada na sociedade”.

Reparo

A assessoria do Vaticano tratou de esclarecer que o papa não havia se exprimido bem (ou compreensivelmente) em suas palavras, mas o estrago estava feito.

Sem condenar

Credite-se a Francisco uma postura acolhedora nesse terreno.

Não custa lembrar que em sua visita ao Brasil o papa proclamou (para surpresa de muitos): “Se uma pessoa é gay, busca Deus e tem boa vontade, quem sou eu para julgá-la?”

Amor incondicional

Na recente (e conturbada) visita ao Chile, Francisco recebeu um homossexual e verbalizou: “Deus o fez assim e o ama dessa maneira. E para mim não importa. O papa o ama dessa maneira, e você deve ser feliz do jeito que é”.

Na ordem do dia

Quis a história (ou o destino, como queiram) que ´caísse no colo do atual papado lidar frontalmente com a questão delicada dos abusos sexuais praticados por religiosos.

Compartilhar

“O fracasso das autoridades eclesiásticas – bispos, superiores religiosos, sacerdotes e outros – em lidar adequadamente com esses crimes repugnantes, deu motivo justamente à indignação e continua sendo uma fonte de dor e vergonha para a comunidade católica. Eu mesmo compartilho desses sentimentos”, reconheceu Francisco em pronunciamento na Irlanda.

Nada…

Como esse tema dos abusos fervilhando mundo afora, o Vaticano decidiu publicar uma carta dirigida aos católicos de todo o mundo, na qual o papa reconhece que a Igreja não esteve à altura e que “descuidou e abandonou as crianças”, e “o que pode ser feito para pedir perdão nunca será suficiente”.

… Compensa

“É essencial que nós, como igreja, sejamos capazes de reconhecer e condenar, com dor e vergonha, as atrocidades perpetradas pelas pessoas consagradas, clérigos e todos aqueles a quem confiamos a missão de zelar e cuidar dos mais vulneráveis”, sublinha a carta noutro trecho.

Desaprovação

Esses gestos públicos ´de mea culpa´ e de perdão não são assimilados (ou mesmo aceitos) por muitos do que formam a ´elite´ da Igreja Católica.

Vespeiro

Além do mais, Francisco mexeu desde o início com a carcomida estrutura burocrática e financeira do Vaticano – chamada de Cúria Romana.

Confrontação

Existem cardeais (a cúpula da Igreja, também chamados de ´purpurados´, devido ao vermelho da indumentária) que passaram a abertamente atacar Francisco (chamando-o até de herege) e a pedir a sua renúncia.

Espremido

“Ele está acossado. Sofre ataques do setor que domina a Igreja, que é um grupo não só conservador, mas também autoritário”, avaliou a socióloga Maria José Rosado, da Universidade de São Paulo.

Nem lá nem cá

Ela trouxe à tona um aspecto adicional inquietante: “Se por um lado a sua postura, de maneira geral, desagrada aos reacionários, o papa também não consegue atender todos os anseios da ala mais progressista da Igreja”.

Precedente

Essa ´ala´ resistente da Igreja ao arejamento funcional da instituição sente-se encorajada desde que obteve a inesperada renúncia do papa Bento XVI, que assumidamente entregou o ´trono de Pedro´ alegando falta de condições de seguir adiante em sua missão.

Oposição

Instado a falar sobre o assunto, dias atrás, ao jornal O Estado de São Paulo, o professor da PUC (SP) Arnaldo Lemos Filho (Ciências Sociais) afirmou que “é evidente que Francisco encontra uma resistência interna muito grande, apesar de todos os gestos de despojamento desde a sua chegada”.

Alegoria…

Arnaldo traçou o quadro em outra perspectiva, comparando a trajetória da Igreja milenar a um rio de 2018 quilômetros (anos), que foi tendo sua água poluída, mexida, ao longo de seu percurso. Mas que, ainda assim, teve momentos de ´despoluição´, como com Francisco de Assis.

… Verbal

“Então, se pegar a Igreja em 2018, há uma necessidade de retorno à fonte, porque é onde a água é pura. Por outro lado, tem que se adaptar à modernidade. Esse é o grande conflito da Igreja hoje”, situou o professor.

Interrogação

Até quando Francisco, de 81 anos e saúde debilitada, vai encarar esse desafio é uma pergunta que começa a ser feita no mundo católico de maneira intensiva.

Termômetro

Um jornal italiano publicou, há algumas semanas, um diálogo emblemático com um colaborador, ao cabo de uma missa celebrada pelo papa argentino.

– Tudo bem, Santidade?

– Muita pressão – respondeu Jorge Mario Bergoglio (Francisco).

Na tela

Lucélio Cartaxo, candidato a governador pelo PV, é o entrevistado da noite de hoje no programa ´Ideia Livre´, levado ao ar às 22h15 pela TV Itararé: canal 18.1 (HD) e 19 (analógico), ou ainda pela internet, no endereço eletrônico www.tvitarare.com.br

Outra…

Foi anunciada ontem a segunda mudança na suplência do candidato a senador Veneziano Vital do Rêgo (PSB).

… Substituição

No dia da convenção – recordando -, Edvaldo Rosas, presidente do PSB/PB, foi substituído de última hora por uma indicação do Democratas – João Teodoro, que é ligado à entidade nacional dos corretores de imóveis.

De volta

Houve ontem a desistência do demista e a vaga foi ocupada pelo ex-senador Ney Suassuna (PRB), que no passado atribuiu ao próprio ´V´ parte do seu insucesso na tentativa de renovar o mandato para o Senado.

Mandato compartilhado?

A chegada de Ney à chapa majoritária como suplente desencadeia (desde já) conjecturas sobre quais seriam os planos e os projetos de Veneziano para os pleitos de 2020 e 2022, em caso de triunfo das urnas este ano.

Por que Roberto Paulino ´não cola´ na campanha de Maranhão?...
Share this page to Telegram

Arquivo da Coluna

Arquivo 2019 Arquivo 2018 Arquivo 2017

2018 - Paraiba Online - Todos os direitos reservados.

BeeCube