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Arimatéa Souza

quarta-feira, 07/08/2019

O café que (quase) azedou

Largando cedo

Se o frio intenso que tem sido sentido nas madrugadas de Campina Grande não mudou o estado de espírito do empresário Artur Bolinha Almeida, presidente da CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas), ele anunciará hoje – na entrevista que concede às 9h da manhã – que decidiu, desde já, disputar novamente a Prefeitura Municipal de Campina Grande no ano que vem.

Legenda

O partido para essa empreitada eleitoral de Bolinha deverá ser o PSL.

Ressalva

Mas é sempre temerário falar em opção partidária no Brasil faltando oito meses para encerrar o período para se fazer a opção definitiva visando encarar as urnas.

Incorporação

Outra transação milionária no mercado educacional nacional.

O grupo Ânima Educação informou ontem a aquisição do Centro Universitário Ages (UniAges), em um negócio estimado em R$ 200 milhões.

O detalhe

A compra estabelece a entrada do grupo no Nordeste.

Potencial

A UniAges possui 5.600 alunos em 26 cursos de graduação na Bahia e em Sergipe.

A Ânima agora soma mais de 120 mil alunos, distribuídos em sete Estados.

Bem na foto

A ideia inicial do governador João Azevedo era reunir à mesa, num café da manhã, ontem, os 24 deputados governistas, demonstrando a harmonia na base aliada (24 parlamentares), no recomeço das atividades parlamentares na Assembleia Legislativa.

Ausências

Mas faltaram comensais (só 14 apareceram), apesar do irrepreensível cardápio matinal.

Boca fechada

À saída do encontro com João, no Palácio da Redenção, o silêncio predominou entre os deputados.

Pareciam ´entalados´ com o cardápio verbal do chefe do Executivo.

Travado

Já no ambiente da ALPB, o deputado Tião Gomes (Avante) quebrou o ´gelo´ e disse que uma das fontes da ´indigestão´ na base seria a resistência governamental em permitir a evolução do projeto que trata das emendas impositivas.

Situando

Entenda-se por emenda impositiva o objeto de uma PEC (emenda constitucional) proposta pelo deputado Nabor Wanderley (PRB).

´Cheque em branco´

Assim como ocorre no Congresso Nacional, esse tipo de emenda é proposto ao Orçamento e tem que ser obrigatoriamente liberada pelo Executivo aos destinatários.

Respaldo

“É uma medida importante para a Paraíba e para nós. Por que não ser aprovada? Por que vamos tirar dinheiro do governo? Não! Nós vamos ajudar o governo a administrar. Nós somos cobrados. E, às vezes, são coisas tão pequenas, mas nós não podemos levar”, ponderou Tião, realçando que 30 deputados já se mostraram favoráveis à mencionada PEC.

Minimizou

Ao abordar a ausência de 10 deputados – predominantemente do cognominado ´grupo dos 10´ (G10), do qual faz parte -, a deputada Pollyanna Dutra (PSB) disse que “não entendo como um boicote”.

Hipóteses

“O ´G10´ pode ter entendido que foi necessário recuar; alguns deputados do ´G10´ são do Sertão e a BR (230) estava interditada. É necessário ouvir cada deputado´”, conjecturou a socialista.

Com João

“Todos os deputados do ´G10´ são da base do governador e a gente vai ver isso aqui na Casa, quando chegarem as matérias do Executivo”, assinalou Pollyanna.

Sem açúcar

A deputada relatou que durante o café palaciano o governador “colocou na mesa a questão financeira do Estado e as dificuldades de relacionamento da Paraíba com o Governo Bolsonaro. E isso é ruim, porque quem vai pagar esse preço é o povo da Paraíba. É necessário, nesse momento, a união de todos”.

Distante

Líder do Governo na ALPB, o deputado Ricardo Barbosa (PSB) não permaneceu por muito tempo no plenário da ALPB e evitou contatos com a imprensa.

Digeriu bem

Wilson Filho (PTB), líder do chamado ´Blocão´ (totalidade da bancada governista), disse que a reunião com o governador foi “muito produtiva”.

A quem compete

Ao ser questionado sobre a ´dezena de xícaras´ que ficaram desocupadas no café recém terminado, o petebista alegou que “essa resposta pode ser colocada, de forma mais correta, pelo líder do Governo”.

Explicações

“O convite não foi feito a blocos, mas aos deputados da base. Aqueles que não puderam ir, que façam as duas devidas justificativas”, ressalvou Wilson.

Tomada…

Ainda conforme Santiago, “é totalmente natural e importante a existência de blocos. Mas cada um deles deve ter a posição de ser governo ou oposição”.

… De posição

O líder do ´blocão´ acentuou ainda que “ser base do governo não é para balançar a cabeça para erros. Mas nós entendemos que o governo está acertando e feito coisas que outros governos e outros estados maiores não estão conseguindo fazer. E isso vem do seu perfil técnico de gestão”.

Compatibilização

Quanto à delicada questão das emendas impositivas, Wilson Filho argumentou que como presidente da Comissão de Orçamento “eu ainda tenho sérias dúvidas se é possível permiti-las ou a coexistência dessas emendas com o Orçamento Democrático, da forma como está sendo colocado na PEC”.

Nova…

O próximo passo para o avanço dessa PEC é a criação de uma comissão especial para apreciá-la, cuja atribuição pertence ao presidente da ALPB.

… Etapa

“Com essa comissão, será possível fazer um debate mais consistente e significativo, avaliando os pros e os contra”, emendou o petebista.

Fim da…

O café da manhã oficial tirou do ´jejum´ midiático e público o deputado Hervázio Bezerra (PSB), que está exercendo opaca e silenciosamente o comando da Secretaria de Esportes e Lazer do Estado.

… Hibernação

“A vida é feita de opções. Cada um escolhe o que julga e o que entende ser melhor para si”, comentou apimentadamente Hervázio acerca da ausência de 10 deputados governistas.

Olímpico

De sua parte, o deputado-presidente Adriano Galdino (PSB) atuou balsamicamente na cena pública: “O governador convidou toda a base para conversar, dialogar e desejar bons trabalhos no segundo semestre. E, como sempre, o governo mostrou a realidade do que está passando a Paraíba no que se refere à relação como governo federal, as dificuldades financeiras e os projetos que serão executados no segundo semestre”.

Coesão

“A base sempre esteve coesa e sempre está pronta para votar de acordo com os interesses do governo e da Paraíba”, adendou Galdino.

Convivência

Ainda segundo o presidente, “o governo tem tido uma postura de muito equilíbrio e tranquilidade; de muito respeito a todos os deputados da base”.

´Vai que é tua´

Sobre as volumosas ausências, Adriano respondeu que “vocês (jornalistas) têm que perguntar a eles. Alguns disseram que não conseguiram chegar (devido ao protesto dos transportes alternativos na BR 230); outros não quiseram vir. Isso é fato. Agora é preciso perguntara eles o motivo”.

Réplica

João Azevedo disse no seu contato de ontem com jornalistas que lamentava (outra vez) a postura do presidente da República acerca dos governadores nordestinos.

Consórcio

“Esse conceito de divisão nem passa pela nossa cabeça nem existe. O que existe é que os governadores do Nordeste, em discussão interna, criaram um mecanismo extremamente moderno para a região poder superar os problemas que nós temos hoje”, sublinhou.

Inspiração…

“A região – prosseguiu João – tem um potencial enorme, mas não estamos tendo financiamento para isso. Essa forma de se consorciar vai trazer economia na escala de compras. Imagine o que é todos os estados fazerem compras conjuntamente na área da saúde”.

… Econômica

Ainda de acordo com o socialista, “a justificativa do presidente (Bolsonaro) não tem sustentação na lógica. O que nós queremos é criar instrumentos para vencer as dificuldades que são reais. A economia não cresce. Não tem recursos para financiamento. E a forma é se organizando, através de consórcios, que vão permitir que várias frentes se abram para receber investimentos aqui. É para isso que criamos. Não é para fazer disputa política nem de ideologia política”.

Desvirtuamento

“Entretanto, os discursos são levados para isso por desinteresse, evidentemente. São levados para uma pauta que não nos interessa. A pauta que nos interessa é o desenvolvimento”, concluiu o governador sobre o tema.

Ir pro debate

No tocante ao encontro ´gastronômico´ e político com a sua base parlamentar, Azevedo frisou que “a bancada tem o papel importante de fazer a disputa e a discussão política sobre as questões” que dizem respeito à administração estadual.

Pauta

“A reunião teve muito mais um foco administrativo, com relação aos projetos que estamos encaminhando”, resumiu Azevedo.

Visão

Ele partiu então para um conceito: “Eu entendo base como sendo todos os deputados que compactuam com os interesses do Estado. Eu não trato pessoas dentro de grupos G1, G2… G10… Isso não me interessa. Nós temos 24 deputados na base e eu espero que eles tenham na Assembleia o posicionamento de defender o governo”.

Cobranças à vista

As afirmações finais do governador paraibano tiveram um tom mais enfático: “Ninguém é obrigado a estar na base, nem estar fazendo a defesa do governo. Entretanto, para aqueles que se dizem e se anunciam da base, nós vamos cobrar sim o posicionamento de defesa dos interesses do Estado”.

– Eu não quero crer que os deputados não tenham participado do café como um recado. Eu nunca vejo as coisas dessa forma. Mas cada um, com a reabertura dos trabalhos, terá o seu posicionamento e, a partir daí, vamos avaliar – encerrou João Azevedo, em forma de aviso prévio.

Há algo de ´movediço´ na praça dos poderes em JP...
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