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Arimatéa Souza

quarta-feira, 15/04/2020

O adeus ao pastor

As maiores podas

Um estudo do Observatório de Informações Municipais (OIM), destacado pelo jornal Valor Econômico, demonstrou que as grandes cidades, mais dependentes do Imposto sobre Serviços (ISS), serão as mais afetadas pela pandemia do novo coronavírus, que forçou o fechamento do comércio e interrompeu a maior parte da atividade econômica no País.

O levantamento comprova que, quanto maior o aporte demográfico do município, maior a participação do ISS na arrecadação tributária, podendo chegar a 54,85% em casos de cidades com mais de 5 milhões de habitantes, como São Paulo e Rio de Janeiro.

Anote aí

A Petrobras reduziu ontem, OUTRA VEZ, o preço da gasolina (menos 8%) e do diesel (menos 6%).

O detalhe

No acumulado do ano, o preço da gasolina já caiu 48,2% e o do diesel 35,4%.

Trevas

O jornal O Globo noticiou que uma pesquisa, feita por acadêmicos da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade de Brasília (UNB) aponta que o número de casos do novo coronavírus no Brasil ultrapassou a marca de 313 mil no último sábado, dia 11.

Fosso

Na notificação oficial, do Ministério da Saúde havia divulgado 20.727 infectados, número cerca de 15 vezes menor que o estimado pelos cientistas.

O detalhe

Os pesquisadores usaram o número de mortos por covid-19 no País para estimar o tamanho da subnotificação, e aplicaram os números à taxa de letalidade da Coreia do Sul, um dos poucos países com dados consolidados sobre o vírus.

Luz

Uma publicação chinesa divulgou ontem que o Ministério da Ciência e Tecnologia do país aprovou para testagem clínica três potenciais vacinas contra a covid-19.

Despedida

O momento da ´partida final´ é sempre limítrofe. É o instante em que edificamos o intangível e forte monumento à saudade.

Fragilidades

Também devemos relativizar as fraquezas e vicissitudes de quem nos despedimos, buscando simultaneamente sublimar seus feitos, conquistas e gestos.

Descanso

É o que cabe fazer diante da morte do arcebispo emérito da Paraíba, Dom Aldo Pagotto, que lutou tenazmente nos últimos anos contra um implacável câncer.

Interação

Tive poucos contatos pessoais com Dom Aldo, mas foi possível entrevistá-lo inúmeras vezes por telefone.

Ele tornou-se, na década passada, um habitual colaborador do PARAIBAONLINE.

Na Serra

O contato mais marcante foi numa solenidade no auditório da FIEP, em Campina, quando o arcebispo proferiu uma palestra sobre Maria com raro brilhantismo.

Percepção

Posteriormente, comentei com amigos como a recorrente – e nem sempre recomendável – participação do arcebispo no debate político regional ofuscava um pregador de excelência.

Envolvimento

É igualmente merecedor de resgate e registro o apoio intensivo e decisivo que Dom Algo ofereceu ao movimento – afinal vitorioso – em favor da transposição das águas do Rio São Francisco.

Saciedade

O combate à vergonha nacional que é a fome foi outra bandeira constante de Dom Aldo.

Cabe resgatar, em sua homenagem, trechos de um artigo que escreveu em meados da década passada sobre o tema.

 

“Miséria”

“A questão da superação da fome remete-nos à superação da miséria moral. A falta de iniciativas em busca de recursos, no mais das vezes, é resultado infeliz da ausência ou da negação dos valores humanos, familiares, cívicos e religiosos.

“Sina”

“Esses valores sempre foram referenciais éticos para o desenvolvimento integral dos povos e das nações. Devem, pois, estar presentes nos projetos de desenvolvimento integral da nação, remetendo o povo à visão de seu presente e de seu futuro (…) O povo que não é acostumado ao planejamento terá a sina do destino. A verdade é essa!

Causa

“A questão da fome no mundo deve-se à imperícia dos governantes, mas também da acomodação de um povo, domesticado pela inércia, acostumado com soluções paliativas, viciado em receber como escola o que seria conquista de seus direitos e cumprimento de seus deveres.

Consequência

“A questão da fome não se reduz à falta de produção de alimentos. É resultado da inércia, da ausência de planejamento. Não pode ser sina da ignorância de um povo, talvez habituado à espera de milagre.

Patrimônio

“O maior e melhor capital é o humano, oferecendo dignidade e respeito à vida, à história. Supera-se assim a mentalidade mesquinha e atrasada de pintar o Nordeste como região pobre, desfavorável, desguarnecida. Se o Estado incutir uma nova mentalidade produtiva, formará jovens para enfrentar a vida!”

Conflitos

Na carta na qual comunicou aos seus colegas bispos do Regional Nordeste II da CNBB (PB, RN, AL e PE) a sua renúncia à titularidade de Arquidiocese, Dom Aldo relata que “tentei doar o melhor de mim mesmo, não obstante as sérias limitações de saúde, ademais das repercussões no equilíbrio emocional, causadas pela constante necessidade de superar conflitos inevitáveis, advindos de reações ao meu modo de ser e de agir.

´Mea culpa´

“Cometi erros por confiar demais, numa ingênua misericórdia. Tomei posições assertivas diante de políticas públicas estruturais em vista do desenvolvimento integral de nossa gente e de nossa terra. Evitei ´ficar em cima de muro´.

Sem pretensões

“Foi inevitável acolher reações e interpretações diferentes, independente de minha reta intenção de não me imiscuir na esfera político-partidária, e jamais almejar algum poder de ordem temporal”.

Afetividade

Na carta de despedida aos paraibanos, Dom Aldo Pagotto afirmou que “deixo o território material da Paraíba. Espiritualmente, porém, a pequenina gigante, a Paraíba, nunca sairá do meu coração, agradecido pelo muito que aprendi com o espírito guerreiro, hospitaleiro e amoroso de nossa gente”.

Palavra final

Talvez, a melhor homenagem a ser prestada a Dom Aldo, embalada pela fé que nutriu e propagou, seja reproduzir, nesse tempo Pascal, a última expressão do Cristo Ressuscitado ao apóstolo Pedro, escolhido para ´tomar conta das suas ovelhas´: “Siga-me” – disse o Senhor.

É preciso cantar

“O povo de Deus no deserto andava
Mas a sua frente alguém caminhava
O povo de Deus era rico de nada
Só tinha esperança e o pó da estrada

Também sou teu povo Senhor
E estou nessa estrada…”

(hino sacro)

Queda-de-braço interpoderes à vista...
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