Jornalista há quase 30 anos, escreve a coluna Aparte desde 1991. Já trabalhou em TV, rádio e foi editor chefe do Jornal da Paraíba e colunista das TVs Cabo Branco e Paraíba. É comentarista político das rádios Campina FM, Caturité AM e editor do portal de notícias Paraibaonline.

sexta-feira, 09/06/2017

Novo slogan nacional

Alcance da UEPB

Começo a coluna de hoje invocando uma apropriada observação feita pelo professor Nelson Júnior, presidente da Associação dos Docentes da UEPB: a importância que a instituição de ensino tem para a economia campinense.

A linha de raciocínio é clara e pertinente: o funcionamento regular da UEPB vai muito além do seu já relevante componente educacional.

Dito ainda melhor: a UEPB funcionando interessa não apenas aos alunos e aos seus pais – sem falar nos servidores a ela vinculados.

Sair da…

Diante do impasse prolongado, da conveniência questionável da paralisação, cumpre aos segmentos organizados da sociedade campinense cobrar que haja um desfecho para o impasse.

… Passividade

E isso passa, no estágio atual, pelo governo estadual, provedor da UEPB, e pelo Tribunal de Justiça, que precisa colocar em pauta, rapidamente, a ação litigiosa entre o Estado e a Reitoria da UEPB.

Invocação

Que as primeiras palavras da coluna de hoje acerca do julgamento (inconcluso) no TSE sejam do renomado jurista Modesto Carvalhosa: “O que está ocorrendo no TSE é uma farsa; é uma fraude à lei”.

Contextualizando

Farsa, que na sua tradução literal (ou etimológica) significa mentir, diz respeito também a um gênero teatral, no qual predomina o aspecto caricatural, desplugado de valores.

Embuste

Se coerência existisse em abundância nas prateleiras da vida nacional da atualidade, notadamente no ambiente do serviço público – e se o espelho fosse usado como conselheiro -, os dois ministros recentemente indicados pelo ´presidente´ Temer (Admar Gonzaga e Tarcísio Neto) teriam tido a hombridade de se considerarem suspeitos de julgar uma ação relativa ao ´investigado´ Temer, poupando o País da enganação que protagonizaram ontem.

Bumerangue

“Os nossos votos constrangem ou não a nós mesmos”, cravou o relator da ação, ministro Herman Benjamin, ao se dirigir a Admar.

Invenção

Herman pontificou que a criatividade brasileira – para o bem ou para o mal – criou algo que não havia sido devidamente mapeado satisfatoriamente na literatura jurídica: a compra direta de leis pelo poder econômico.

Longa duração

O relator sublinhou que o abuso do poder econômico deixou de incidir sobre campanhas eleitorais pontuais: “O investimento não é só numa campanha, mas num projeto de poder e em sua continuidade”.

´Tour´

No até aqui impecável voto do ministro paraibano do TSE (a sua conclusão ocorrerá hoje), foi possível fazer um nefasto passeio pelo submundo das fontes de financiamento das campanhas politicas no País, uma engrenagem com os requintes de uma ´linha de produção´ industrial devidamente automatizada.

Abundantes

“As provas são oceânicas” – exclamou Herman, para sublinhar que “é um milagre que nós estejamos aqui apurando esses fatos”, algo só possível – admitiu o ministro – devido às chamadas delações premiadas e ao desmedido empenho do juiz coordenador da Operação Lava Jato, Sérgio Moro.

Espanto

“É um panorama inimaginável” – atestou o ministro do TSE (e do Supremo) Luiz Fux.

Adjetivo

Ao comentar o ´didático´ voto de Herman Benjamin, a jornalista Cristiana Lobo (Globonews) disse que “a condução é exemplar”.

Expurgo

A postura sinalizada ontem por quatro dos sete ministros da Corte Eleitoral foi evidente, apesar de não terem proclamado os seus votos: a volumosa delação dos ex-executivos da Odebrecht deve ser deixada de lado, ou seja, ignorada nessa ação que visa cassar a chapa Dilma/Temer.

Miopia

É como se – figurativamente – a maioria do TSE decidisse literalmente abolir a cognominada ´delação do fim do mundo´ e, por conseguinte, evitar o apocalíptico desfecho de uma chapa financiada – predominantemente – por recursos espúrios.

´Carão´

“Não se pode julgar sem atentar para a realidade política que se vive hoje. Somos uma Corte. Avestruz é quem enfia a cabeça no chão”, alertou o ministro Luiz Fux.

Paralelo

Num dos poucos momentos de coesão com a relatoria, o ministro Gilmar Mendes (favorável ao ´sumiço´ da delação da Odebrecht) reconheceu que o escândalo do ´mensalão´ (do Governo Lula) hoje “teria que ser julgado num juizado de pequenas causas”.

Pacto perverso

No fecho desta coluna, recorro ao ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal: “A verdade é que um direito penal absolutamente incapaz de atingir qualquer pessoa que ganhe mais de cinco salários mínimos criou um país de ricos delinquentes, em que a corrupção passou a ser um meio de vida para muitos e um modo de fazer negócios para outros. Houve um pacto espúrio entre iniciativa privada e setor público para desviar esses recursos. E não é fácil desfazer esse pacto”.

– Primeiro, foi ditadura nunca mais. Depois, tortura nunca mais e, agora, chegou a vez de o povo brasileiro dizer: corrupção nunca mais – arrematou Barroso.

Não há sinais de estancamento na ´hemorragia´ de Temer...
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