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Arimatéa Souza

sábado, 27/10/2018

Nada a festejar

Em prosa

O jornal The New York Times publicou esta semana um artigo assinado pelo cantor e compositor baiano Caetano Veloso, intitulado “Tempos sombrios se aproximam de meu país”.

O artista vincula uma eventual eleição de Jair Bolsonaro (PSL) a uma onda de “medo e ódio”.

Trechos

“Como outros países, o Brasil enfrenta uma ameaça da extrema direita, uma tempestade de conservadorismo populista.

Daqui não saio

“Muitos aqui dizem que planejam deixar o país se o capitão vencer. Eu nunca quis viver em nenhum país que não fosse o Brasil. Tampouco quero agora. Fui forçado a me exilar uma vez. Não acontecerá de novo.

Grito de alerta

“Quero que minha música e minha presença sejam uma resistência permanente a qualquer traço antidemocrático que surja de um provável governo Bolsonaro.”

Acompanhe

Neste final de semana, cobertura intensiva do PARAIBAONLINE no tocante ao 2º turno das eleições pelo Brasil.

Apenas…

Para o governador eleito João Azevedo (PSB), “estamos diante de dois perfis” em termos de sucessão presidencial.

… Depurar

“Basta você olhar o perfil de cada um (dos candidatos) para a escolha ficar fácil”, acrescentou o socialista, ao renovar a sua aposta na vitória de Fernando Haddad (PT).

Triunfar

De sua parte, o governador Ricardo Coutinho (PSB) externou ontem que “tenho certeza de que a vitória de Haddad na Paraíba será maiúscula”, como também em todo o País.

´Pinel´

Para RC, é necessário “rechaçar o ódio, a truculência e a intimidação”.

Ele observou adicionalmente: “Alguém que elogia a tortura não é normal”.

´Nomeado´

Na sua passagem ontem por João Pessoa, no último dia ´oficial´ de campanha, Haddad afirmou, em entrevista, que Ricardo “tem qualificação para ser presidente”, e que, com certeza, integrará o seu ministério, em caso de vitória.

Afago

“Ricardo é uma pessoa com serviços prestados, que tem lado e honra a vida pública”, assinalou.

Falácia

O candidato petista afirmou que “o meu adversário não tem projeto para o País. O que ele tem é a retórica da violência”.

Virada

Haddad explicitou otimismo com o pleito deste domingo: “Está caindo muito rapidamente a diferença. E mesmo com a intimidação que eles estão promovendo, nós estamos vendo que o povo está nas ruas, inquieto com essa perspectiva medonha de ter uma pessoa desequilibrada e despreparada na Presidência da República”.

Insignificante

“O Brasil nunca viveu tanto risco numa campanha presidencial como agora. Ele (Bolsonaro) não é respeitado por nenhum dos colegas de parlamento. Ele próprio é uma fake news”, emendou o presidenciável do PT.

No andar de cima

Em sua entrevista, Haddad revelou que frequentemente comparece a teatros e cinemas na companhia do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Pra já

Caso Jair Bolsonaro vença as eleições deste domingo, ele pretende anunciar ainda na próxima semana a sua equipe econômica, conforme publicou o jornal Valor Econômico (SP).

´Tô nem aí´

Dado interessante da última pesquisa do Ibope: 73% das pessoas ouvidas não visualizam o que chega de propaganda política ou de ataques a candidatos em seus aparelhos de celular.

Da boca de…

“… É bobagem ficar brigando, porque depois os políticos estão todos abraçados…”  (Dom Dulcênio Fontes de Matos, bispo de Campina Grande, sobre as disputas políticas).

Timoneiro

Em entrevista ontem à ´Arapuan FM´, Jair Bolsonaro disse que não compareceu a debates no 2º turno porque “não vou debater com um fantoche, um pau mandado de Lula. Haddad não manda em nada. Quem manda é Lula”.

“Bandido”

Ainda na ofensiva, o candidato do PSL enfatizou que o presidenciável petista “responde a mais de 30 processos na Justiça por corrupção”.

“Não vou colocar a minha saúde em risco com um bandido desses”, sapecou.

Sábado é dia de poesia

“Desesperar jamais/ Aprendemos muito nesses anos/ Afinal de contas não tem cabimento/ Entregar o jogo no primeiro tempo…” (Ivan Lins, cantor e compositor).

Palanque

“Bolsonaro é um anti-ser humano. É tudo que precisa ser varrido da face da terra”.

Fernando Haddad (PT).

Da boca de…

“… Nem Fernando Haddad vai implantar o comunismo nem Bolsonaro, o nazismo. Afirmar isso é ofensivo à inteligência das pessoas…” (deputado Miro Teixeira, Rede-RJ, parlamentar no exercício, com mais mandatos na Câmara Federal).

Rastro

Afinal, está chegando à conclusão de um processo eleitoral recheado de atropelos, de valorização do que não é essencial na conjuntura atual, e que deixou pelo caminho chagas profundas no tecido social e até mesmo na convivência entre amigos e até familiares.

Desvio

Novamente, os principais protagonistas deixaram de encarar as agruras prementes da sociedade brasileira para deslocar a polêmica para temas relevantes, mas não prioritários, a exemplo das questões religiosas, morais e até de gênero.

Senha

A primeira constatação da atipicidade do pleito de 2018 veio do 1º turno, na eleição proporcional.

Manipulação

Nos periódicos remendos feitos na legislação eleitoral, ao gosto dos grupos políticos dominantes, foram adotadas várias mudanças com a intenção evidente de preservar os mandatos de quem está com cadeira no Congresso Nacional, a exemplo do encurtamento do período eleitoral e do financiamento público das campanhas, com a prerrogativa de ratear esses recursos sendo conferida às cúpulas partidárias.

Simples assim

Ou seja, no ´abastecimento´ financeiro das campanhas já se propiciava um desequilíbrio na disputa.

Vassourada

Mesmo assim, o eleitorado promoveu a maior renovação das últimas décadas no Congresso: mais de 40% na Câmara e mais de 80% nas vagas disputadas para o Senado.

Cara de paisagem

A sensação é de que as cúpulas não quiseram ouvir, entender ou aceitar o descontentamento latente na sociedade, na perspectiva de que fosse um movimento difuso e passageiro, cuja melhor reação seria o silêncio ou a indiferença diante dele.

Brasília

E o que dizer da sucessão presidencial, um pleito no qual o País foi submetido, por meses, a um falso dilema: se o ex-presidente Lula seria ou não candidato.

Montou a cena

Como já mencionei neste espaço, a arrogância do petista burilou uma estratégia na qual ele se permitiria escolher o seu substituto no partido – e assim o fez com Fernando Haddad -, e também instrumentalizar táticas de esvaziamento de candidaturas de centro-esquerda (como as de Marina Silva e Ciro Gomes), com a finalidade de assegurar a ´batalha final´ com uma figura por ele considerada (inicialmente) desprezível, desgastada e limitada, chamada Bolsonaro.

Vingou

Por capricho da história e manipulação dos fatos – tudo isso temperado tragicamente pela impensável facada em Bolsonaro -, os desígnios do ilustre presidiário de Curitiba foram consumados, apenas com uma inversão de expectativas: o ´patinho feio´ virou um surpreendente favorito.

Origem

Os que prezam e estudam a sociologia identificam no desmedido descontentamento da maioria dos brasileiros com o chamado sistema político a causa desse ´fenômeno´ Bolsonaro.

Intermediário

A bem da verdade, o candidato do PSL tem os pés rente à superfície, mas calça, circunstancialmente, o ´salto alto´ de uma insatisfação geral que não encontrava um canal para desaguar e/ou se expressar.

Receptor

Bolsonaro atraiu – catalisou, como gostam de dizer os acadêmicos – distantes expressões de indignação, fazendo-as convergir, mesmo sendo de natureza heterogênea, para o mesmo ´rio´ institucional.

Tradução

Dito de outro jeito: Bolsonaro é muito menor do que as bandeiras que encarnou perante o eleitorado.

Pegou o vácuo

Com o atraente, oportunista e superficial discurso de acabar com a violência e a corrupção, Bolsonaro envolveu – até por exclusão – um corte denso do eleitorado que ficou ou está desapontado com o PT.

E assim, podemos deduzir que não estamos diante de um mito, mas de quem soube surfar nas circunstâncias.

Reversão

O incisivo discurso do PT, massificado desde o começo da década passada, apresenta internamente a sua conta.

A insistente invocação do “nunca antes” neste País e a estimulada propaganda de que todas as coisas boas só começaram a partir de 2003 (início do Governo Lula) mostram a sua outra face: a inexistência da plena correspondência entre o enredo messiânico e as práticas cotidianas.

Insensatez

O malogro antecipado, este ano, do projeto petista de retomar o governo foi evitado por uma insensatez do candidato concorrente e agregados, que ousaram atacar um dos pilares da cidadania: a democracia, ao ponto de o País novamente ter sido colocado em ebulição nas últimas horas, atordoado com a dicotômica escolha entre a reedição de um assumido e desgastado projeto de poder – como grifado publicamente pelo ex superministro José Dirceu – e um voo cego com um personagem político que começou esse processo eleitoral com objetivos panfletários e chega ao seu ápice se permitindo flertar publicamente com práticas abomináveis.

Caminho

Então, o que resta aguardar da eleição deste domingo?

A assimilação do resultado, qualquer que seja ele, para que não embarquemos em mais quatro anos de estéril e depreciativa conflagração, cujo saldo pode ser simbolizado (perversamente) nos mais de 20 milhões de conterrâneos desempregados.

Banho de realidade

O domingo não será um dia para festas. É tempo de ´arregaçar a camisa´ e encarar os monumentais problemas que batem à porta, agudizados pela prolongada demora nas soluções.

Na simples expressão do professor Fernando Schuler, do renomado Insper, a receita para o futuro: “O Brasil precisa de um choque de normalidade!”

 

“A esperança é o sonho do homem acordado” (Aristóteles)...
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