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Arimatéa Souza

quinta-feira, 16/05/2019

João, versão pragmático

Gente nas ruas

Há múltiplas facetas, que não se esgotam nas linhas que seguem, acerca da ruidosa e densa mobilização que a comunidade acadêmica de instituições federais promoveu no dia de ontem em cerca de 180 cidades brasileiras.

Foi um público e inequívoco sinal de desmedido descontentamento com as medidas de retenção orçamentária que estão sendo adotadas pelo atual governo.

Dever de casa

Cabe inicialmente pontuar que exige-se, via de regra, de quem ocupa a titularidade da Presidência da República, a obediência mínima a critérios civilizados, quando exteriorizar conceitos e opiniões, porque, afinal de contas, ele não governa apenas para quem sufragou o seu nome nas eleições do ano passado.

Faz corar

O misto de incontinência verbal com descompostura vernacular de Bolsonaro, ao mesmo tempo, constrange, envergonha e (principalmente) preocupa uma fatia expressiva de seus governados.

Detratou

Para ficar na mais recente e deplorável declaração, eis a sua reação ao inquestionável (do ponto de vista da organização) protesto de ontem contra o seu governo: “É natural, é natural, mas a maioria ali é militante. Se você perguntar a fórmula da água, não sabe, não sabe nada”.

Provocação barata

E aí veio a perfuração mais insensata: “São uns idiotas uteis que estão sendo usados como massa de manobra de uma minoria espertalhona que compõe o núcleo das universidades federais no Brasil”.

Procedimento

Num ambiente democrático, como presumivelmente é o que desfrutamos, compete ao chefe do Executivo escutar, refletir e até discordar fundamentadamente das demandas objeto dos protestos.

Apelação

Jamais enveredar pela prévia desqualificação dos oponentes, ainda mais quando o ´outro lado´ é um segmento valioso e indispensável, como é o educacional.

Pagamos pra ver

Saltava à vista, desde o período eleitoral, as evidentes limitações de Jair Bolsonaro para o exercício da Presidência.

O exercício dela apenas, em doses diárias, está reforçando essa percepção.

Catalisou

Essas limitações – registre-se – não tolhem a legitimidade de seu mandato, muito menos arrefecem o sentimento majoritário que o levou ao cargo: uma mudança radical nas práticas políticas ao cabo do transcurso do mandato, com os atropelos e concessões do percurso.

Tiro no pé

Os protestos de ontem igualmente carecem de outra angulação.

O radicalismo desmedido e incondicional contra o presidente desgasta-o muito menos do que se imagina à primeira vista, pelo elementar fato de realimentar o seu discurso pseudo ´messiânico´ contra o ´status quo´ do Brasil real dos últimos anos.

Efeito

Dito de outra maneira: quando setores organizados ou corporativos atacam (às vezes) desarrazoadamente o Governo Bolsonaro, solidificam ainda mais a amalgama que o une a uma fatia relevante do eleitorado nacional.

Polarização

Ou seja, não é com a radicalização da oposição ao presidente que será alcançado um nível de contraposição satisfatória às políticas e ações que ele elegeu como prioritárias.

Antes de atingir o governo, essa estratégia o favorece no curto prazo.

Confronto…

Por fim – sem esgotar o tema, como alertei acima – é preciso mencionar o desequilíbrio e a parcialidade flagrantes de parte da ´grande mídia´ com o governo atual.

… Explicito

A cobertura de ontem (especialmente da Rede Globo) desnudou – em termos de tempo – os manuais de conduta e ´princípios editoriais´ tão decantados em prosa e verso.

Implacável

Há, por razões presumivelmente empresariais, uma conduta de sistemática contestação (ou ridicularização) a tudo que se origine do poder central.

Patinando

Em suma, o País segue ´namorando com o precipício´, com cinco anos seguidos de estagnação econômica e pintando na cor cinza o horizonte para a grande maioria de sua população.

Loucura…

Falta a racionalidade para uma dedução elementar: o malogro vertical do governo de plantão e o afogamento da Nação por inteiro.

… Coletiva

Num mundo crescente e inexoravelmente globalizado, o ´quanto pior, melhor´ é, antes de qualquer coisa, um atestado de irracionalidade.

Da boca de…

“… Não se pode usar a prisão preventiva para antecipar a pena, antecipar a condenação, para satisfazer a opinião pública. A prisão preventiva não é para isso. Ela tem pressupostos, é a exceção. Qualquer outra coisa é invencionismo, é delírio das bases constitucionais…” (Gilmar Mendes, ministro do Supremo Tribunal Federal, sobre a prisão do ex-presidente Michel Temer).

Litígio

Com a morte de um de seus herdeiros, Otávio Frias Filho, no ano passado, os demais herdeiros do grupo Folha (jornal Folha de São Paulo) deflagraram uma contenda judicial que se arrasta há meses na Justiça, sem perspectiva de acordo.

O que vale é o painel de votação

Poucos dias após defender o fim dos ´bloquinhos´ e ´blocões´ na Assembleia Legislativa, o governador João Azevedo ajustou o seu discurso e declarou que “a preocupação que eu tenho com relação à Assembleia Legislativa é: para os projetos e pleitos encaminhados para ela, o que importa é quem vota a favor e quem vota contra o governo. A forma deles (deputados) se organizarem internamente cabe aos deputados”.

O ´cupido´ ronda o Senado Federal...
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