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Arimatéa Souza

quarta-feira, 11/09/2019

Inventário dos ´jardins´

Mutilação

O notável filósofo e poeta francês Paul Valéry (citando a França, com a sua permissão, presidente Bolsonaro) ensinava que “um chefe é um homem que precisa dos outros”.

Talvez, o ex-governador Ricardo Coutinho tenha subestimado essa assertiva. E, dessa maneira, está colocando em risco – ou, pelo menos, em vulnerabilidade – um projeto político e administrativo renovadamente aceito (e avalizado) pela maioria da população paraibana.

 

Alto…

As palavras no dia de ontem verbalizadas por algumas lideranças do PSB e de partidos aliados falam por si próprias.

… Falante

Um compêndio dessas declarações emoldura a crise amplificada que o grupo dos ´girassóis´ passou a encarar após a decisão da cúpula nacional socialista de nomear uma comissão estadual provisória e designar Ricardo Coutinho para presidi-la. É o que segue.

“Burro”

Já na noite de 2ª feira, em entrevista à TV Arapuan, o deputado-presidente Adriano Galdino qualificou a crise partidária como uma “burrice de Ricardo. Se ele queria se presidir o PSB, teria conseguido apoio total dele (AG) e de João”.

´Trator´

“Se ele (RC) tivesse usado o caminho da conversa, do diálogo, tinha sido tudo resolvido. Mas ele veio por cima, humilhando Edvaldo Rosas, humilhando o governador e constrangendo militantes”, assinalou o socialista.

Sem remendo

Na manhã de ontem, em entrevista a este colunista na ALPB, Adriano admitiu que a crise no PSB/PB “não tem colagem”.

Bifurcação

“Na minha opinião, o PSB está rachado, dividido. João (Azevedo) vai caminhar numa direção e Ricardo (Coutinho) noutra, e vamos aguardar os acontecimentos”, avaliou AG, adiantando que “na hora que houver a divisão, eu vou me posicionar politicamente e direi para que lado irei”.

Debandada

Galdino prognosticou que “vão sair de 30 a 40 prefeitos do PSB, com toda certeza, porque não aceitam o que aconteceu com o companheiro Edvaldo (Rosas), e também não aceitam a maneira como foi tratado o governador João Azevedo”.

“Rebuliço”

“(vão sair) vereadores, prefeitos, vice-prefeitos, deputados estaduais… Enfim, vai ter um rebuliço muito grande dentro do PSB, que vai deixar de ser o maior para ser um dos menores partidos da Paraíba”, avançou o presidente da ALPB.

´Limpa´

Ele sugeriu que “o governador tem que administrar com pessoas que acreditam no projeto dele, que acreditam nele e na sua gestão”.

2020

Adriano prognosticou que “vamos ter reflexos, com certeza”, na sucessão pessoense: “Temos uma candidatura que, em tese, é favorita, que é a de Ricardo Coutinho, e esse movimento todo pode trazer desconforto para esse pré-candidatura. Vamos aguardar os acontecimentos, até porque a eleição só será no ano que vem”.

Atalho

“Ricardo usou um caminho desnecessário, que constrangeu, que humilhou e que maltratou companheiros. Se ele quisesse ser presidente, estava legitimado para ser, pela grandeza que ele sempre teve no PSB, pelo líder que ele é, por ter sido governador. Bastaria ele ter dito que queria ser presidente, e todos tinham aberto mão, tranquilamente”, reiterou Galdino.

´Troncho´

Adriano repisou: “A maneira como Ricardo fez para chegar à presidência (do PSB) é o que não aceitamos, não concordamos. Aquele atropelo todo, constrangendo amigos, gente assinando (a dissolução do diretório estadual) sem nem saber o que era. É um caminho muito torto e nós não aceitamos e vamos marchar em caminhos opostos daqui pra frente”.

Incitadores

O presidente comentou ainda que “houve deputados que ficaram no ouvido de Ricardo contando muitas histórias, envenenando o ex-governador. Alguns deputados ficaram jogando Ricardo contra João, e isso foi muito ruim”.

Inábil

“Mas outro grande responsável é o presidente nacional do PSB (Carlos Siqueira), que cometeu o erro de dissolver um diretório sem conversar com as partes envolvidas. Um absurdo!” – opinou AG.

Sem ré

O líder do governo, Ricardo Barbosa, rotulou como “inequívoca e irremovível” a sua posição nessa crise partidária, conforme a carta dirigida à direção nacional do partido, destacada na edição de ontem de APARTE.

Termômetro

Veja outros trechos da entrevista que ele concedeu ontem na ALPB a este colunista.

Sem reconciliação

“Infelizmente, eu acho que sim. Caminhamos irremediavelmente para um rompimento. Eu fui bombeiro até quanto pude. Agora, acho que já não há água para apagar essas chamas. Os desdobramentos têm sido muito intensos. As discussões e posicionamentos têm sido cáusticos. Lamento!

Murchar

“A formalização do rompimento deixará o partido nanico, justamente o PSB que é o maior partido a Paraíba, e no Estado onde mais ele cresceu. E ai inventaram essa história de tirar o presidente Edvaldo Rosas. Pagaremos o preço todos nós. Esse foi o pior caminho que poderíamos trilhar.

Fatura

“Quem nos conduziu para esse caminho, que arque com a responsabilidade e com o preço dessas decisões.

Dupla

“O partido encolherá muito. E a gente aproveita para responsabilizar, entre vários atores e protagonistas desse processo, as deputadas Cida Ramos e Estela Bezerra, que trouxeram esse assunto à baila.

Prepostas

“Se estavam sendo ventríloquas de alguém, aí também têm a responsabilidade de terem assumido esse gesto.

Colegas

“Eu dizia que era uma discussão inócua e inoportuna (afastamento de Edvaldo Rosas da presidência), e que tinham perdido (Cida e Estela) uma boa razão de ficarem caladas naquela questão. A história está provando quem estava certo e quem está errado.

Hemorragia

“O partido que é o maior do Estado, está se esvaindo e sangrando”.

“Golpe”

RB disse em outra entrevista que a decisão nacional do PSB de instalar uma comissão provisória “foi para além de equivocada. Foi antidemocrática. Um verdadeiro golpe! Sem nenhuma razão ou motivação”.

Desandou

O líder admitiu que “não há mais clima” para o governador continuar no partido.

“O que começa errado, tem muito para terminar errado”, emendou.

Com João

A deputada estadual Pollyanna Dutra (PSB) frisou que “estou no agrupamento do partido que não aceita o poder pelo poder, que respeita a democracia”.

Da boca de…

“… Um gesto de ingratidão do governador João Azevedo, porque Ricardo Coutinho é o grande condutor…” (vereadora pessoense Sandra Marrocos – PSB).

Constrangimento

Outro vereador pessoense (e ex-secretário de Esportes do Governo Ricardo), Tibério Limeira (PSB) declarou que “me solidarizo com João Azevedo, que está sendo constrangido com a intervenção do diretório”.

´Mal na foto´

“É um constrangimento tanto para Azevedo, quanto para Ricardo Coutinho. Até porque Ricardo, sempre defendeu a democracia. E ser colocado como interventor do partido não é a melhor das decisões que estão colocando para ele”, acrescentou o vereador.

Escolha certa

À ótica do deputado federal Gervásio Maia, “Ricardo é o melhor nome que a gente tem para cuidar do partido daqui para frente, principalmente porque está sem mandato, por opção”.

Estrela

Surpreendentemente, o presidente do PT/PB, Jackson Macedo, afirmou que “o PT não abre mão de fazer parte do governo de João, porque ajudou o governador a chegar onde chegou, ajudou nas eleições. O governo de João é um governo exitoso nas políticas públicas, como foi o governo de Ricardo. Nós vamos lutar até o fim pela manutenção, pela presença dos companheiros que compõem esse governo no campo progressista e popular”.

Senador fica…

Poucas horas após a Executiva Nacional do PSB ter indicado o seu nome para ser o secretário-geral da comissão estadual provisória do partido, o senador Veneziano recusou o convite.

… De fora

“Como foi extraída da reunião a impossibilidade de reacomodação, defendida por nós, agradeço a lembrança daqueles que sugeriram nosso nome como integrante da comissão, mas declino do convite, por constatar que a proposta da Executiva Nacional não conseguiu, lamentavelmente, harmonizar as relações internas”, justificou o ´V´.

Sem vácuo

A direção nacional do Democratas já fez chegar um convite para que João Azevedo se filie ao partido.

Peneirada

De acordo com as projeções feitas ontem, nos bastidores da Assembleia Legislativa, apenas três deputados estaduais deverão cerrar fileiras com Ricardo Coutinho: Cida Ramos, Estela Bezerra e (provavelmente) Jeová Campos.

E não faz muito tempo: “Ninguém larga a mão de ninguém”...
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