Fechar

Fechar

Arimatéa Souza

quinta-feira, 08/11/2018

´Girassol´ despetalado

Tudo nas nuvens

Uma famosa música da marcante banda Blitz, no final do século passado, tinha esse verso: “No começo tudo era lindo/ Tá tudo divino/ Maravilhoso/ Até debaixo d’água…”

Aplique-se o verso ao bloco governista na Paraíba: governador eleito no 1º turno, folgada bancada para a próxima legislatura na Assembleia Legislativa, tendo o PSB conquistado individualmente o maior número de cadeiras na ALPB.

Precoce

Com o 2º turno das eleições restrito à sucessão presidencial, o vácuo político que surgiu no Estado foi logo ocupado pela antecipada discussão acerca da nova mesa diretora da ALPB, que só será eleita no dia 1º de fevereiro.

Pressa

Muitos deputados reeleitos se animaram para a (não assumida) disputa, sob a inspiração de que ´quem é coxo, parte cedo´.

´Exumada´

No último dia 30, na ´ressaca´ das eleições no turno suplementar, subitamente foi pinçada dos arquivos e colocada em votação a PEC (proposta de emenda constitucional) 13/2015, de autoria do deputado Ricardo Barbosa (PSB), que acaba com a possibilidade de reeleição na presidência da ALPB e proíbe a antecipação de eleição da mesa para o 2º biênio da legislatura.

Aceita

A mudança aparentemente parecia absorvida e pacificada entre os deputados.

Anteontem, por exemplo, o deputado-presidente Gervásio Maia (PSB) defendeu em entrevista a supressão da referida reeleição.

Endosso

“A centralização de poder traz um atraso gigantesco para o Poder Legislativo. A alternância é muito importante e para que se tenha alternância não se pode ter reeleição. Eu sou contra a reeleição e plenamente a favor da alternância e composição de uma mesa eclética”, declarou Maia,

Reprovação

Outro deputado socialista, Jeová Campos, apenas anteontem clareou sutilmente a resistência à aprovação da PEC de 2015: “Não se vota uma matéria de tão relevância com tanto açodamento”.

Trava

Na sessão ordinária de ontem, veio à tona a divisão na base governista: Jeová, o líder Hervázio Bezerra (PSB) e a deputada Estela Bezerra (PSB) protocolaram um recurso contra a aprovação da PEC e pedindo a anulação da respectiva votação.

Tiroteio

O que segue é um resumo do bate-boca em plenário entre parlamentares do PSB, diante de uma oposição, cuja tarefa parece ser muito mais eficazmente realizada pelas desavenças situacionistas.

Apuração

Gervásio presidia os trabalhos e avisou (diante do recebimento do recurso) que “o regimento interno vai ser cumprido, essa garantia eu já dei. Se tudo foi feito de maneira correta… Vamos apurar com a presidência e a Procuradoria da Casa, na maior brevidade possível, e vamos sim fazer valer o regimento”.

Nova etapa

Ele informou que a conclusão da matéria terá “redação final e a promulgação no plenário”.

Aviso prévio

Nesse ponto veio à ressalva do presidente, com senha de estorno: “Agora, eu não assinarei nenhum papel, caso o regimento tenha sido descumprido, sobretudo numa matéria da importância e da relevância – que tem, inclusive, trâmite especial –, que trata de proposta de emenda à Constituição. Será nessa linha. Mas se tudo foi feito da maneira correta, nós não temos nem o que discutir. Dará tudo certo e o final será plenamente feliz”.

Agachado

O autor da emenda, Ricardo Barbosa – 1º secretário da atual mesa diretora – moldou-se, outra vez, ao figurino dos discursos contundentes e inflamados: “Vossa Excelência não está cumprindo o regimento aqui. Está cumprindo certamente interesses subalternos, que não me permito confessar a esta Casa as razões pelas quais Vossa Excelência se agacha tanto”.

Sem embasamento

RB acrescentou que Gervásio “não conseguirá dizer à Paraíba, nessa sessão nem em sessões vindouras, qual o artigo que lhe acoberta a tomar essa decisão esdrúxula, autoritária, equivocada e submissa”.

Ocaso

“Lamento que Vossa Excelência se despeça desta Casa, nos próximos dias, de forma deprimente para todos nós”, arrematou Barbosa.

Não suspensivo

Antecessor de Gervásio na presidência da ALPB e pré-candidato para voltar ao posto, Adriano Galdino (PSB) mergulhou no debate: “Nós temos uma matéria aprovada. Esse recurso pode dar base para entrar com recurso no Tribunal de Justiça. Mas não pode estar aqui parando matérias. Se todo mundo aprovar matéria e se entrar com recurso, esta Casa não vai mais aprovada nada, nunca”.

Outro destino

Galdino apelou para que Maia “respeite o regimento e aceite que a emenda foi aprovada, e que esse recurso não tem poder para parar uma matéria já aprovada. Se os deputados (que estão recorrendo) quiserem considerar o aprovado inconstitucional, que vão depois de promulgada a emenda ao TJ, pedir a inconstitucionalidade”.

Limites

“Vossa Excelência não tem poderes, nesse momento, de desrespeitar o plenário, o regimento e a Constituição” insistiu Adriano.

Diferencial

Hervázio, subscritor do recurso e envolvido no racha dentro de sua bancada e de seu próprio partido, alegou que o documento protocolado junto à mesa diretora questiona “o ritual não de qualquer projeto simples de lei, mas de uma PEC, que tem um ritual próprio definido pelo nosso regimento”.

Tudo atropelado

“Uma PEC requer votação em dois turnos, o interstício (intervalo) de cinco dias e uma votação nominal. Quem assistiu viu que esse rito não foi cumprido e tudo foi feito de forma açodada, sem prévia publicação”, argumentou Bezerra.

Por imposição

Ao se reportar a Ricardo Barbosa, o líder governista afirmou que ele “quer ganhar as coisas no grito e atacando a honra das pessoas”.

Vitória certa

Hervázio disse esperar “que não sejamos induzidos a entrar com uma ação na Justiça porque, fatalmente, nós ganharemos, pois temos como provar que o regimento foi totalmente descumprido por um acordo que fizeram”.

Comprovação

Se a subscrição do recurso pelo líder do governo já era um sinal nítido de que o Executivo estava indócil com a votação da emenda por parte de vários deputados de sua base, o próprio Ricardo Coutinho tratou de se imiscuir na confusão.

Mérito

“Por que se barra a reeleição? Reeleição, quando não é possível, é só você mudar a chapa. Isso deveria ter sido discutido com toda a bancada, e votado de forma regimental. E não foi. Foi votado como se fosse um requerimento. É uma emenda à Constituição, que é perene, não é algo descartável”, disse RC em entrevista.

Interlocução

O governador afirmou que “penso eu, deveria ser discutida (a PEC) com quem conduz, com quem tem maioria na Assembleia Legislativa e na sociedade, e é governo. Isso teria que ser discutido. E, infelizmente, não foi”.

´Aguarde carta´

“Eu tenho certeza de que diversos deputados estão acordando para as diversas situações que permeiam isso. E o nosso bloco, que é majoritário – e não tem dono – haverá de tomar os encaminhamentos necessários que julgar mais importantes”, antecipou Ricardo.

´Vai que é tua´

Todo esse ´salseiro´ na base governista deverá desaguar no colo – ainda não diplomado – do governador eleito João Azevedo, que tirou 10 dias de férias e retorna à Paraíba no próximo final de semana.

Quem sabe João já não incorporou o ensinamento do filósofo francês Voltaire: “Deus me defenda dos amigos, que dos inimigos me defendo eu”.

 

A Escola Redentorista merecia um melhor destino...
Simple Share Buttons

2018 - Paraiba Online - Todos os direitos reservados.

BeeCube