Jornalista há quase 30 anos, escreve a coluna Aparte desde 1991. Já trabalhou em TV, rádio e foi editor chefe do Jornal da Paraíba e colunista das TVs Cabo Branco e Paraíba. É comentarista político das rádios Campina FM, Caturité AM e editor do portal de notícias Paraibaonline.

quinta-feira, 03/08/2017

Ganhando e sangrando

Sem sorriso nem festa

Sob os escombros dos cofres públicos, o presidente Michel Temer (PMDB) conseguiu virar outra página que o levaria ao precipício.

Afora a vaidade pessoal, o interesse dos que o cercam ou a tranquilidade de se livrar no curto prazo das garras da Justiça, nem mesmo Temer tem o que comemorar.

Imagine o povo brasileiro!

Desgastada

O resultado final da votação, com apenas 36 votos de maioria para o presidente, denota uma base parlamentar inequivocamente fragilizada, ainda mais se levando em conta que todos os deputados que ocupam cargos nos ministérios tiveram que reassumir os seus mandatos para ampliar a vantagem governamental.

Grande perdedor

A sessão de ontem da Câmara Federal serviu também para desfigurar ainda mais o PSDB, legenda que titubeia entre a coerência histórica e as vantagens imediatas do poder.

O partido caminha para amargar um brutal prejuízo eleitoral ou um racha expressivo.

Garimpo

Algumas frases ao longo do dia relatam a atmosfera de um Congresso Nacional banhado de descrédito.

Cumplicidade

“Os que rejeitarem a denúncia vão ser cúmplices da mala de dinheiro”.

Glauber Braga (PSOL-RJ).

Reflexo

“Blindar a presidência só contribuiu pra aumentar a descrença no parlamento”.

Ricardo Tripoli (SP), líder do PSDB.

Tchau

“Se depender de mim, não teremos mais cargos no governo”.

Governador Geraldo Alckmin (PSDB-SP).

Amadorismo

“Vocês venceram. Nós somos amadores. Vocês são realmente profissionais; profissionais do fisiologismo”.

Silvio Costa (PTdoB-PE).

Nunca antes

José Guimarães (PT-CE): “Nunca se viu um governo tão ruim como esse. Levou o país para o abismo fiscal e não tem apoio popular”.

A dúvida

“Será que esses deputados que blindam o presidente estarão aqui em 2019?”.

Júlio Delgado (PSB-MG).

´Sócios´

“Não vem com essa história de que o PT roubava, porque o PMDB tinha sete ministérios”.

Major Olímpio (SD-SP).

“O chefe”

“Michel Temer é chefe de esquema de corrupção. O povo viu o maior balcão de negócios do Brasil”.

Ivan Valente (PSOL-SP).

A ´paróquia´

Os 11 deputados paraibanos foram, em sua maioria, comedidos quando do voto.

Wilson Santiago Filho (PTB) não deu o ar da graça.

 

Abriu a fila

Aguinaldo Ribeiro (PP): “Voto com o relator, voto sim”.

Em tempo

Quando do encaminhamento da votação, como líder da bancada do governo, Ribeiro disse que o pedido contra o presidente era “afoito e premeditado”, baseado em “indícios frágeis”.

“Virou brincadeira mexer com a honra das pessoas”, acrescentou.

Sem temor

André Amaral (PMDB): “Não é hora de ter medo. É hora de ter coragem para encarar os desafios que a vida pública impõe ao jovem. Eu poderia fazer aqui um voto eleitoreiro, mas o meu voto é de responsabilidade e pautado na juridicidade da denúncia, que é inepta, ineficaz e não traz nenhum bem para a sociedade. Pelo contrário. A busca da verdade real acontecerá em 2019, quando o presidente vai pode ser julgado”.

“Hipocrisia”

Benjamin Maranhão (SD): “Eu ouvi muitos argumentos em defesa da democracia, das diretas já. Mas não é isso que nós estamos votando. Nós estamos votando o acatamento da denúncia do presidente da República, que seria o seu afastamento por 180 dias. Falar em eleições diretas e hipocrisia e demagogia. O meu voto é acompanhando o voto técnico que foi aprovado na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça). Voto sim”.

Poucas palavras

Damião Feliciano (PDT): “Acompanhando a orientação do meu partido, o meu voto é não”.

Efraim Filho (DEM): “Voto sim, com o relator”.

Hugo Motta (PMDB): “Voto sim, senhor presidente”.

O padre

Luiz Couto (PT): “Em respeito ao povo paraibano que quer o ´fora Temer´ e ´diretas já´, esse presidente corrupto, que está a serviço do mercado, que é destruidor de direitos, votamos não ao relatório”.

Dois pesos

Pedro Cunha Lima (PSDB): “A lei deveria valer para todos. Infelizmente, ainda não vale. Ainda que derrotado, voto sim à investigação; não ao relatório”.

Uma frase

Rômulo Gouveia (PSD): “Voto sim ao relatório”.

Veneziano (PMDB): “Eu voto contrariamente ao relatório”.

Não e não

Wellington Roberto (PR): “Com todo respeito ao meu partido, que fechou questão para votar sim, eu não posso deixar de reconhecer os milhares de votos dos paraibanos que me mandaram para poder representá-los aqui na Câmara. Dessa forma eu voto não ao relatório e já me antecipo contra a reforma da previdência, que prejudica o trabalhador brasileiro”.

Conta final

Levantamento divulgado na noite de ontem pela Rádio Jovem Pan (SP) mostrou que nas últimas semanas Michel Temer autorizou concessões da ordem de R$ 15 bilhões a estados e municípios, além de liberações de recursos (emendas) para congressistas da ordem de R$ 4,2 bilhões.

Feliz 2019!...
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