Jornalista há quase 30 anos, escreve a coluna Aparte desde 1991. Já trabalhou em TV, rádio e foi editor chefe do Jornal da Paraíba e colunista das TVs Cabo Branco e Paraíba. É comentarista político das rádios Campina FM, Caturité AM e editor do portal de notícias Paraibaonline.

quinta-feira, 23/03/2017

Freio no ´tagarela´

Faiscando

Em duas ocasiões, ao longo dos últimos dias – na cidade de Monteiro, domingo último, e ontem, nas dependências da Assembleia Legislativa –, o clima azedou entre o atual presidente da ALPB, Gervásio Maia (PSB), e o seu antecessor, deputado Adriano Galdino (PSB).

Procura-se quem queira mediar essa convivência.

Pintados para…

Aliás, tem crescido a troca de farpas, em plenário, entre a vereadora-presidente Ivonete Ludgério (PSD-CG) e o seu antecessor Pimentel Filho (PSD).

… A guerra

Com base no perfil de ambos, a temperatura deverá subir bem antes que chegue o calor das fogueiras juninas.

Aparente…

Ontem, por exemplo, Ivonete criticou a proposta (da véspera) de Pimentel para zerar o pagamento de gratificação pela participação de conselheiros no Conselho Municipal Previdenciário.

… Incoerência

“Muito me estranha, pois até o ano passado Pimentel não teve essa ideia e, anteriormente, ele também já participou como conselheiro (do Ipsem)”, cravou a vereadora.

Recuo

O vereador Alexandre do Sindicato (PHS) ocupou ontem a tribuna da Câmara para anunciar que iria oficiar à direção do Ipsem para não receber esse ´jeton´ do Conselho.

´Nomes aos bois´

Mas ele fez um apelo: “Vamos dizer quem recebeu antes de nós (como vereador) essa gratificação”.

Pensando bem

O vereador Rodrigo Ramos (PDT) também sinalizou ontem que deverá abrir mão do ´jeton´.

´Tapioca´

Ivonete externou ontem o desejo de concorrer à reeleição para o biênio 2019/2020.

Para tanto, disse que conta com o apoio de oito vereadores.

´Pacote´

A articulação que está sendo tecida prevê a reeleição de toda a atual mesa diretora da Câmara campinense.

Apelos

“Eu não tinha essa pretensão, até dias atrás, mas fui procurada por alguns colegas que votaram em minha pessoa para o 1º biênio, pedindo para que eu pensasse essa questão de renovar o mandato de presidente por mais dois anos”, situou Ivonete, acrescentando que já recebeu um documento de apoio com oito assinaturas, que já avançaram para 15.

Assimilar

E o acordo com o vereador Marinaldo Cardoso (PRB), que seria o candidato no 2º biênio?

Ivonete: “Eu acredito que não haverá problema. Acho que ele vai entender que os colegas estão aceitando a minha maneira de trabalhar. A mesa toda pensa dessa forma e foram (vereadores da mesa) os primeiros que pediram que eu repensasse as minhas decisões”.

´Foiçada´

Ato do governador Ricardo Coutinho, publicado na edição de ontem do Diário Oficial do Estado, exonerou todos os ocupantes de cargos comissionados no Ideme (Instituto de Desenvolvimento Municipal e Estadual), que cuida das estatísticas oficiais.

O detalhe

Especula-se que o Ideme poderá ser extinto.

Tribuno

Haverá uma sessão especial hoje (conjunta) da Assembleia Legislativa e Câmara campinense em homenagem ao ex-vice-governador Raymundo Asfora, que se foi há 30 anos.

Bolso

A deputada Camila Toscano (PSDB) questionou na Assembleia Legislativa – fazendo eco ao que tem sido publicado na imprensa nacional – quem bancou as despesas do ato público com o ex-presidente Lula, domingo último, na cidade de Monteiro.

Apuração

De sua parte, a Procuradoria Regional Eleitoral instaurou procedimento para “investigar possível irregularidade eleitoral” no evento ´inauguração popular´ de trecho da transposição do Rio São Francisco, ocorrido em Monteiro.

Incontinência…

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, é –literalmente – o avesso da imagem clássica de um magistrado.

… Verbal

Ainda mais, quando a referência é a um membro da principal corte judiciária do País, a denominada ´guardiã da nossa Constituição´.

Sem cerimônia

Aquela crença cristalizada de que o juiz ´só deve falar nos autos´ não se aplica a Mendes, que mesmo acumulando a presidência do Tribunal Superior Eleitoral não se constrangeu em organizar, em sua casa, uma festa de aniversário para o senador José Serra (PSDB-SP), denunciado na Operação Lava Jato, objeto de apreciação no STF.

 

 

Metendo a colher

Gilmar, diante da falta de freios e de filtros, vinha se permitindo falar “sobre tudo”, para invocar a famosa expressão de uma memorável música de Raul Seixas (Metamorfose Ambulante).

Linha direta

O ministro participou de renovadas conversas com o presidente Michel Temer – que responde a processo no TSE -, ao ponto de os jornalistas brasilienses o rotularem como ´conselheiro´ do presidente.

Sem amarras

Gilmar igualmente decidiu – como se fosse um integrante do Congresso Nacional – tomar parte ativamente das discussões das reformas eleitorais e políticas.

Confrontação

Nessa porção ´palmatória´ do mundo, Gilmar Mendes decidiu, anteontem, mirar o Ministério Público Federal, ao tomar como verdade absoluta a informação segundo as qual membros do MPF tinham realizado uma ´entrevista coletiva´ informal para´vazar´ nomes denunciados nas delações de ex-executivos da empreiteira Odebrecht.

Extrapolando

Disse Mendes, em reunião numa das turmas da STF: “Não há nenhuma dúvida de que aqui está narrado um crime. A Procuradoria não está acima da lei. E é grande a nossa responsabilidade, sob pena de transformarmos este tribunal num fantoche. Um fantoche da Procuradoria da República. É preciso tratar o Supremo com mais respeito”.

Acomodação

Ainda o ministro do STF: “A imprensa parece acomodada com este acordo de traslado de informações. Pouca relevância dá ao fato inescapável de que, quando praticado por funcionário público, vazamento é crime. Os procuradores certamente não desconhecem”.

Revide

De maneira surpreendente, o procurador geral da República, Rodrigo Janot, resolveu responder e encarar – duramente – o ministro do Supremo, algo pouco comum.

Leia trechos a seguir.

Lesiva

“O mérito da Lava Jato foi haver encontrado o veio principal da corrupção política. Esse tipo de corrupção, como disse, é de altíssima lesividade social porque frauda a democracia representativa, movimenta bilhões de reais na clandestinidade e debilita o senso de solidariedade e de coesão, essenciais a uma sociedade saudável.

Mudança

“Nosso sistema político-partidário foi conspurcado e precisa urgentemente de reformas. É necessário abrir espaço para a renovação o quanto antes, pois a política não pode continuar a ser uma custosa atividade de risco propícia para aventureiros sem escrúpulos.

Sem enganar

“Tenho afirmado reiteradamente que o Ministério Público não engana a ninguém e não costuma vender ilusões ou fantasias. Quem busca atalhos e facilidades, de fato, não terá aqui o melhor lugar para encontrá-los.

Mentiroso

“A maledicência e a má-fé são verdugos constantes e insolentes (…) Não quero deter-me no fato específico, mas não posso deixar de repudiar com toda veemência a aleivosia que tem sido disseminada para o público nos últimos dias: é uma mentira, que beira a irresponsabilidade, afirmar que realizamos, na Procuradoria-Geral da República, coletiva de imprensa para ´vazar´ nomes da Odebrecht.

Assédio

“Só posso atribuir tal ideia a mentes ociosas e dadas a devaneios (…) Procuramos nos distanciar dos banquetes palacianos. Fugimos dos círculos de comensais que cortejam desavergonhadamente o poder político. E repudiamos a relação promíscua com a imprensa.

Valendo-se da toga

“Ainda assim, em projeção mental, alguns tentam nivelar a todos à sua decrepitude moral, e para isso, acusam-nos de condutas que lhes são próprias, socorrendo-se não raras vezes da aparente intangibilidade proporcionada pela posição que ocupam no Estado.

Ambicioso

“Infelizmente, precisamos reconhecer que sempre houve, na história da humanidade, homens dispostos a sacrificar seus compromissos éticos no altar da vaidade desmedida e da ambição sem freios.

Parcial

“Esses não hesitam em violar o dever de imparcialidade ou em macular o decoro do cargo que exercem; na sofreguidão por reconhecimento e afago dos poderosos de plantão, perdem o referencial de decência e de retidão”.

´Abaixo o servilismo´

Ainda Janot: “Para encerrar, compartilho com os senhores a advertência do mestre Montesquieu que sempre tive presente comigo: o homem público deve buscar sempre a aprovação, mas nunca o aplauso. E, se o busca, espera-se, ao menos, que seja pelo cumprimento do seu dever para com as leis; jamais por servilismo ou compadrio.”

Ricardo Coutinho já ´afivela as malas´ para regressar ao PT?...
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