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Arimatéa Souza

segunda-feira, 10/02/2020

Fratura exposta

Pegou fogo

Não foi na bela praia do Cabo Branco, em João Pessoa, que a temperatura subiu surpreendentemente neste final de semana, mas sim na baldeada política paraibana, na qual nem mesmo o prenúncio de novos e ainda mais tenebrosos capítulos da Operação Calvário parece arrefecer o ímpeto dos protagonistas.

Resgate

Mas antes, é importante recordar um trecho da edição do último dia 6 desta Coluna, mais precisamente no dia seguinte à ida do governador João Azevedo (Cidadania) à Assembleia Legislativa, ocasião na qual ele foi ruidosamente recepcionado com um pedido de instalação de uma CPI e outro pedido solicitando o seu impeachment e de sua companheira de gestão, a vice-governadora Lígia Feliciano (PDT).

Reprodução

“É um movimento tático da oposição, que provavelmente tem o apoio velado de parlamentares governistas, inegáveis beneficiários dessa nova realidade posta.

Outro fecho

É como se a Paraíba estivesse ingressando numa espécie de ´semiparlamentarismo´ branco, que vai demandar muita articulação, envolvimento e arte do governador e equipe”.

Denúncia

No tradicional remanso do final de semana, o deputado federal Damião Feliciano, ´dono´ do PDT na Paraíba, verbalizou um alerta à opinião pública estadual.

Golpistas

Segundo ele, “o que está acontecendo é mais que grave. É gravíssimo (…) Os deputados da Paraíba já colocaram em andamento um golpe contra o governador João Azevedo e a vice Lígia Feliciano”.

Beneficiário

“A dedução é que se isso acontecer, quem assumiria o governo do Estado é o presidente da Assembleia Legislativa, Adriano Galdino. Ele seria o beneficiado direto sobre o desfecho dessa situação, e daqui a 15 dias, pelo andar da carruagem, o governador do Estado seria o deputado Galdino”, projetou Damião

“Inferno”

O deputado foi além: “Isso é o que a gente chama de golpe. O maior golpe na democracia desse Estado. Eu, como parlamentar, estou acusando publicamente este golpe, que a Paraíba não pode absolutamente compartilhar. Isso seria sair da Operação Calvário para entrar na Operação Inferno, porque se tiraria aquilo que é do estado de direito democrático para colocar na mão de quem naturalmente não tem o direito de governar o Estado”.

Rolou…

Feliciano, em declarações ao jornalista Heron Cid, observou que o presidente da ALPB remeteu o pedido de impeachment para a assessoria jurídica, quando poderia arquivar.

… A bola

“Adriano Galdino é um sujeito simples, experiente, e ele sabe que isso não pode prosseguir”, completou.

Surpreso

Em nota divulgada com a imprensa, Adriano Galdino declarou que recebeu com estranheza as declarações de Damião, acusando a ALPB de estar envolvida num suposto golpe.

Livre arbítrio

O presidente pondera que é prerrogativa de qualquer parlamentar apresentar requerimentos e projetos de Lei, desde que observados todos os pré-requisitos regimentais, não podendo essa prerrogativa ser tolhida em qualquer hipótese.

Ineditismo

Adriano enfatiza na nota que por se tratar de matéria inédita na Casa Epitácio Pessoa, e que envolve preceitos jurídicos, decidiu encaminhar o requerimento para a Procuradoria Jurídica da Casa, para que todos os requisitos jurídicos e legislativos fossem verificados pelo setor competente.

Apoio & condução

Galdino conclui ressaltando que desde a campanha eleitoral de 2018 e durante todo o ano de 2019, já demonstrou seu apoio político ao governador João Azevêdo e, na condição de Presidente, lhe cabe agir com equilíbrio e prudência no comando do Poder Legislativo.

“Vergonha”

O deputado Cabo Gilberto (PSL) foi inserido na confusão e classificou como “uma vergonha” o alerta de Damião, que considerou uma tentativa de “querer colocar em cheque a independência da oposição na Assembleia Legislativa”.

Se…

O cabo foi adiante: “Tenho certeza absoluta que se tivéssemos colocado o pedido de afastamento somente contra o governador, ele não iria falar nada e muito menos em relação ao presidente da Assembleia’.

“Assalto”

Ainda mais contundente, o deputado do PSL acrescentou que golpe foi o que o PSB, o PDT e aliados fizeram contra o estado, quando assaltaram os cofres públicos na gestão do ex-governador Ricardo Coutinho e Lígia era também a vice-governadora, desviando milhões da Saúde, Educação e Segurança.

Além do…

Quem também botou a sua colher foi o deputado Walber Virgulino (Patriota), que encabeçou o pedido de impeachment.

… Afastamento

Ele declarou que no documento protocolado na ALPB não há somente provas que justificam o impeachment, como há também fatos que fomentam a prisão preventiva dos dois governantes.

Voo solo

“O deputado (Damião) só me elogiaria se eu tivesse pedido apenas o impeachment do governador e deixasse o governo para mulher dele. Mas a nossa análise não é somente política, mas jurídica. E eu não entrei com esse pedido para prejudicar ou desmoralizar ninguém. Tenho independência política, não sou vinculado a nenhum grupo. Portanto, o presidente Adriano não tem qualquer poder sobre mim. Aliás nenhum político desses tem influência sobre minhas ações”, verbalizou Walber.

Contra-ataque

Ao sentir a dimensão que o encadeamento de fatos estava tomando, mesmo no habitualmente ameno fim de semana, a retaguarda do governador se articulou rapidamente para mobilizar um cinturão de proteção e de solidariedade de legendas aliadas.

Desestabilização

PCdoB, Democratas, Cidadania, PDT, PMN, Avante, Podemos, PTB, PT, PL e Rede emitiram uma nota conjunta, na qual grifam que a ação dos deputados oposicionistas é uma tentativa clara de procurar desestabilizar o Governo do Estado.

Inconsistente

Sobre o pedido de impeachment propriamente dito, o texto frisa que “trata-se de uma peça jurídica nula de direito, que não aponta um único crime de responsabilidade aos dois (João e Lígia) gestores e muito menos qualquer ato irregular cometido no exercício do atual mandato”.

Ação articulada

“Trata-se, na verdade – segue a nota – de uma tentativa clara de procurar desestabilizar o Governo do Estado, justamente quando a Paraíba vive um dos seus melhores momentos administrativos, com uma gestão fiscal rigorosa, equilíbrio absoluto nas contas públicas reconhecido pelo Tesouro Nacional”.

Incógnita

Mais à frente, uma interrogação: “A quem interessa e por que interromper a normalidade democrática e gerar um clima de profunda instabilidade política e social no Estado da Paraíba?”

Guerra declarada

Para azedar ainda mais o ambiente político, o novo líder do grupo (governista) ´G11´, deputado Felipe Leitão (DEM), divulgou um pronunciamento, em nome de todo o colegiado, atacando o que chamou de “postura irresponsável” de Damião, “que para defender seus interesses passa por cima de um homem que atua como conciliador” e vem defendendo o governo de João Azevêdo desde o primeiro dia de gestão, unindo Legislativo e Executivo em prol do desenvolvimento do Estado, numa referência ao presidente Adriano Galdino, qualificado como “um homem justo e verdadeiro”.

– Quando falta respeito, não sobra nada. É lamentável que o deputado Damião Feliciano, agindo de má fé para defender seus interesses e de sua família tente manchar o nome do presidente Adriano Galdino. Nós, que compomos o G11, repudiamos, com veemência, tais declarações infundadas, irresponsáveis, de quem mostra que não tem nenhum respeito a quem representa o Legislativo paraibano – acrescentou Felipe, prometendo a aprovação esta semana de um ´voto de repúdio´ ao ´deputado do coração´.

Todos à espera da ministra Laurita Vaz (STJ)...
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