Jornalista há quase 30 anos, escreve a coluna Aparte desde 1991. Já trabalhou em TV, rádio e foi editor chefe do Jornal da Paraíba e colunista das TVs Cabo Branco e Paraíba. É comentarista político das rádios Campina FM, Caturité AM e editor do portal de notícias Paraibaonline.

sábado, 24/03/2018

Falta “sentimento”

Mantendo as aparências

Após um prolongado período sem conceder entrevistas, a vice-governadora Lígia Feliciano (PDT) falou ontem com a imprensa, em Campina Grande.

Ela cumpriu, com precisão, o roteiro comportamental para o qual (presumivelmente) se programou: “Estou me preparando para ser o que eu sempre fui: a vice-governadora, ao lado do governador Ricardo Coutinho”.

Lígia acrescentou que a relação política com RC “sempre esteve bem”.

Consumado

O que até as pedras do calçadão das praias de Tambaú e Cabo Branco já esperavam foi concretizado ontem: o desligamento do vice-prefeito pessoense Manoel Júnior do MDB, após a frustração com a insistência do senador José Maranhão (presidente da legenda) de concorrer ao governo estadual e atrapalhar o seu objetivo de ser efetivado como prefeito da Capital.

´Piscou´

O vice acendeu a luz para o PSC, que segundo ele “é um partido extremamente carinhoso e generoso comigo”.

Cupular

Em nível nacional, o pastor Everaldo (presidente nacional do PSC) “me fez novamente um convite. Tudo isso nós estamos avaliando”, relatou Manoel Júnior, que ressaltou a necessidade de conversar com o prefeito Luciano Cartaxo (PV) para poder tomar a sua decisão.

Sem passar recibo

“Eu não quero apreciação sobre Manoel Júnior, até porque não recebi nenhuma comunicação e acho até prematuro falar sobre isso”, comentou Zé, ao saber da desfiliação.

Longe das urnas

O jornal ´Estadão´ informou que provavelmente o senador (poliprocessado) Aécio Neves (PSDB-MG) não deverá tentar a reeleição este ano, muito menos um mandato de deputado federal.

Demarcação

Luciano Cartaxo ´riscou a área´, ontem, em termos políticos: “O PV é governo municipal, em João Pessoa. O PV não vai estar a reboque de ninguém nem vinculado a qualquer outra liderança”.

Entre…

O site da revista Veja noticiou ontem que o ministro do TSE Admar Gonzaga “almoçou nesta quinta (23), em Brasília, com o advogado Gustavo Severo, que representa o governador da Paraíba, Ricardo Coutinho (PSB), no processo de cassação de mandato que tramita no tribunal”.

… Garfos

Ainda conforme a publicação, “a dupla se sentou numa das mesas mais devassadas do restaurante Rubayat, no Setor de Clubes da capital”.

Triscou

“A ação contra Coutinho por pouco não foi julgada ontem (anteontem) mesmo pelos ministros da corte”, arrematou ´Veja´.

Barrado

Decisão do desembargador Carlos Martins Beltrão Filho, do TRE-PB, proibiu o secretário de Infraestrutura do Estado (e pré-candidato a governador pelo PSB), João Azevedo, de participar das plenárias do Orçamento Democrático (a de ontem ocorreu em Campina Grande), em acatamento a uma ação proposta pela Procuradoria Regional Eleitoral.

Prerrogativa

Ao chegar ontem a Campina, Ricardo Coutinho externou o seu desapontamento com essa decisão, por ele considerada descabida.

“Ele (João) continua secretário, porque a lei me faculta e faculta a ele isso”, assinalou.

Pautar

“É preciso que todos nós discutamos no Brasil os limites de cada coisa: do Executivo, do Ministério Público, da Justiça… porque tudo na vida tem limites”, ponderou RC, frisando que “você não pode simplesmente estabelecer uma condição de ferir de morte a essência da política, que é o debate”.

Inerente ao cargo

Ainda conforme o governador, “eu tenho direito, eu sou político e tenho o direito de expressar a minha opinião. Eu não vim para ser gerente do Estado. Eu sou o governador do Estado, a minha função é essa, defendendo aquilo que penso e faço, e respondendo pelo que dá errado”.

Revisão

“Essa decisão retira a essência da política. É decisão muito difícil e polêmica, que espero que seja revista imediatamente”, adendou.

Inoportuna

“Eu considero como uma intervenção desnecessária, no campo das políticas administrativas, proibir um secretário de Estado, no exercício da função, de participar de um ato meramente administrativo”, lamentou o procurador geral do Estado, Gilberto Carneiro.

Ditadura

Em nota divulgada, João Azevedo considera que a decisão do desembargador “é algo que remonta aos períodos mais nebulosos da nossa combalida democracia. Não silenciarei diante disto. É meu dever não permitir que a censura se estabeleça na Paraíba”.

Fixadas

“A legislação eleitoral já impõe às restrições específicas para quem tenciona disputar as eleições deste ano, estabelecendo prazo definido para desincompatibilização”, observa Azevedo.

Abuso

Por fim, o postulante socialista afirma na nota que “a decisão da qual fui vítima impõe uma desincompatibilização precoce, antecipada. É, portanto, uma violência. E eu não me curvarei diante de violência alguma. Por meus princípios. E pela Paraíba”.

No ninho

O PSDB, através de parte de suas ´cabeças pensantes´ na Paraíba, esteve novamente reunido (informalmente) em João Pessoa.

De molho

A deliberação é pragmática: aguardar passar o fatídico dia 7 de abril (prazo de desincompatibilização) para começar as definições.

Esgotar o tempo

“Não é momento de falar, é momento de esperar. Nós só vamos nos posicionar sobre isso a partir do dia 7. Vamos manter a decisão de esperar o desfecho das desincompatibilizações que deverão acontecer. Vamos ter que esperar, não há outro caminho senão esperar”, declarou o senador Cássio Cunha Lima após a reunião.

Vertentes

Apesar de previsível, o posicionamento dos ´tucanos´ comporta duas deduções: ou dirigentes do PSDB fixaram um prazo para o prefeito Romero Rodrigues (que não compareceu à reunião de ontem) decidir se deixa ou não a PMCG, ou eles já foram informados antecipadamente da permanência no cargo de Romero.

Sábado é dia de poesia

“Tudo de bom que você me fizer/ Faz minha rima ficar mais rara/ O que você faz me ajuda a cantar/ Põe um sorriso na minha cara…” (Caetano Veloso, que dias atrás fez um belíssimo show no Rio de Janeiro).

Microfone

Ricardo Coutinho concedeu ontem uma entrevista a este colunista, ocasião em que tratou de temas vinculados ao seu futuro político e à sua gestão.

Acompanhe abaixo algumas de suas declarações.

Farpa

“Venho mais em Campina Grande do que os nascidos aqui em Campina que estão na política (referência ao senador Cássio).

Julgamento de Lula

“O Brasil vai muito mal. As posições foram esgarçadas, estimuladas a se radicalizarem. Há cinco anos só existe ódio e essa disputa acirrada. No Brasil de hoje tudo é extremado.

Planejamento

“Se todas as obras do Estado terminassem hoje, amanhã eu mandaria pagar.

Sai ou fica?

“Eu nem lembro sequer do dia 7 de abril (…) Não troco a estabilidade que a Paraíba tem por nenhum mandato para mim.

Governo Temer

“A nossa posição política é inegociável.

Apoio

“Eu acho que é uma tendência natural (nome do deputado Veneziano para concorrer ao Senado).

Capítulo da vice-governadora

Confrontado a sua decisão de só sair do governo se fosse acompanhado da vice-governadora Lígia, Ricardo teceu algumas observações.

“(a sua postura) É favor de uma estratégia política minha. Eu não estou julgando ninguém, imagina!

“Eu precisaria ter tido sentimento – e não palavras, que não política valem tão pouco – de que as coisas serão daquela forma.

“Eu me sinto no direito de dizer que esse projeto vai até, pelo menos, 31 de dezembro deste ano.

“O que vi na imprensa foram declarações outras.

“Por que mudar o secretariado? Por que lotear o governo?”

Ainda bem que o Maior São João do Mundo não fica em Brasília...
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