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Arimatéa Souza

quinta-feira, 01/09/2016

Embate com lados invertidos

Nada a comemorar

A bem da verdade, não deveria existir fogos a espocar ou brindes a fazer quando um País de dimensão continental, como o Brasil, em menos de três décadas, abrevia o mandato presidencial pela via do impeachment.

Conceitualmente, trata-se de um evidente sintoma de que existe algo grave a ser corrigido, sob pena de nos degradarmos enquanto Nação.

Em xeque

Ao acompanhar a ´via crucis´ processual da ex-presidente Dilma, coloquei em dúvida o apregoado bordão de que ´nossas instituições´ e o nosso sistema político se encontram ativos e em pleno funcionamento.

Eficácia

Afinal, que mecanismos atuantes de cidadania e de controle social são esses, que para atuar ou para agir carecem de situações extremadas, penosas e custosas?

Retardamento

Por que as derivações de rumo, de postura e de conduta não são combatidas em estágios mais embrionários e menos traumáticos?

Comparação

No comentário que fiz, na noite de ontem, no telejornal Itararé Notícias (TV Itararé, canal 18.1, digital, e 19, analógico) verbalizei uma analogia: no sistema presidencialista, impeachment é como aplicar morfina em graves enfermos: é um recurso derradeiro.

Ensinamento

Fica desse episódio a lição de que o voto não é – e é bom que não seja – um cheque em branco e com a duração de um mandato inteiro.

Voto é delegação, passível de acompanhamento e de cobrança.

Desintegração

Dilma não perdeu o mandato ontem. Ela colecionou equívocos e inverdades a partir do instante em que desejou sair da condição de ´presidente de transição´ para o retorno de Lula ao governo, e decidiu enfrentar o seu criador (Lula) e o PT, e se lançar no desafio de sua atropelada e atribulada reeleição.

Da boca de…

“… Agosto, mês de dramas na história política do Brasil…” (governador Ricardo Coutinho, ontem, nas redes sociais).

Meio de campo

O senador Raimundo Lira (PMDB-PB) integrou o grupo de senadores do PMDB que votou pelo abrandamento da pena imposta a Dilma Rousseff.

Por pouco

Ao cumprimentar ontem Michel Temer, na escada que dá acesso à mesa diretora do Senado, Cássio Cunha Lima se desequilibrou e quase se acidenta.

Da boca de…

“… O homem (Michel Temer) parece acreditar piamente que terá o respeito e a estima dos brasileiros pelo fato de agora ser presidente. Engana-se…” (Joaquim Barbosa, ex-presidente do Supremo Tribunal Federal, através das redes sociais).

Ofensiva

Após consumado o seu afastamento do cargo, Dilma fez ontem o seu mais contundente pronunciamento ao longo desse processo, como se estivesse ´se pintando´ para uma guerra tribal.

Leia trechos.

Reedição

“É o segundo golpe de estado que enfrento na vida. O primeiro, o golpe militar, apoiado na truculência das armas, da repressão e da tortura, me atingiu quando era uma jovem militante. O segundo, o golpe parlamentar desfechado hoje por meio de uma farsa jurídica, me derruba do cargo para o qual fui eleita pelo povo.

Fraudulenta

“É uma inequívoca eleição indireta, em que 61 senadores substituem a vontade expressa por 54,5 milhões de votos. É uma fraude, contra a qual ainda vamos recorrer em todas as instâncias possíveis.

Quem chega

“Causa espanto que a maior ação contra a corrupção da nossa história, propiciada por ações desenvolvidas e leis criadas a partir de 2003 e aprofundadas em meu governo, leve justamente ao poder um grupo de corruptos investigados.

Farpa

“O projeto nacional progressista, inclusivo e democrático que represento está sendo interrompido (…) com o apoio de uma imprensa facciosa e venal.

Alcance

“Mas o golpe não foi cometido apenas contra mim e contra o meu partido (…) O golpe é homofóbico. O golpe é racista.

Vem aí

“Eles pensam que nos venceram, mas estão enganados (…) Haverá contra eles a mais firme, incansável e enérgica oposição que um governo golpista pode sofrer.

Retorno

“Esta história não acaba assim. Estou certa que a interrupção deste processo pelo golpe de estado não é definitiva. Nós voltaremos.

 

Posteridade

“Inspiro-me em Darcy Ribeiro (sociólogo já falecido) para dizer: não gostaria de estar no lugar dos que se julgam vencedores. A história será implacável com eles.

Pausa

“Neste momento, não direi adeus a vocês. Tenho certeza de que posso dizer ´até daqui a pouco´.

Arremate

“Encerro compartilhando com vocês um belíssimo alento do poeta russo Maiakovski:
‘Não estamos alegres, é certo,
Mas também por que razão haveríamos de ficar tristes?
O mar da história é agitado
As ameaças e as guerras, haveremos de atravessá-las,
Rompê-las ao meio,
Cortando-as como uma quilha corta´.”

Réplica

Algum tempo depois do pronunciamento de Dilma, Michel Temer respondeu à contundência de sua antecessora, como também sinalizou sobre o seu governo, agora efetivo.

Leia tópicos.

Prioridade

“Gerar emprego é o primeiro tema que deve ser levado em conta nas nossas decisões. Se há hoje um certo amargor das pessoas nas ruas, é em função do desemprego (…) Não há coisa mais indigna que o desemprego.

Instabilidade

“Evidentemente a interinidade sempre deixava certa preocupação sobre até onde poderíamos ir (…) A cobrança será muito maior sobre o governo.

Interação

“Pedi que haja uma campanha de publicidade sobre necessidade da reforma da previdência, essas coisas têm que ser divulgadas, esclarecendo à população. Não queremos fazer coisa de cima para baixo, queremos que haja compreensão da sociedade brasileira.

“Colegiado”

“Não é um partido que está no poder e despreza os demais. Pelo contrário, é um partido que está no poder e que preza pelos outros.

Interlocução

“Há algumas coisas que não podemos abrir mão. Temos que insistir junto às bancadas, e eu farei pessoalmente, para que possamos da aprovação dessas matérias.

Bateu…

“A partir de agora, nós não vamos levar ofensa para casa. Agora, falou, nós respondemos (…) Agora que as coisas se definiram, é preciso muita firmeza.

… Levou

“É preciso contestar, a partir de agora, essa coisa de golpista. Golpista é você que está contra a Constituição. Não se pode tolerar este tipo de afirmação.

Aos aliados

“Quem tolerar, eu confesso, vamos trocar uma ideia sobre isso, pois não é possível tolerar. Porque isso aqui não é brincadeira, nem ação de amigos, e nem ação contra inimigos.

Contenção

“Não vamos deixar que tentem demonstrar que o governo não é capaz de responder.

Exemplar

“Já há partidos dizendo que vão sair do governo. Ora, isso é fazer jogo contra o governo. Não dá para fazer isso (…) Eu estou dizendo muito claramente isso para dar, desde já o exemplo, de que não será tolerada esta espécie de conduta”.

Jogo aberto

“Se tem gente que não quer que o governo dê certo, muito bem, declare-se contra o governo. Mas, o que não pode é tomar atitudes que desmereçam a conduta governamental”.

Outro figurino

“Quem dá golpe é aquele que propõe a ruptura constitucional e nós não propusemos a ruptura constitucional.

Firme

“Nós não vamos levar ofensa para casa, agora que as coisas se definiram, é preciso muita firmeza e a firmeza, muitas vezes, vem pela elegância da conduta, não vem pelo xingamento, nem pela agressão.

No exterior

“Vocês sabem que no âmbito internacional eles tentaram muito e até conseguiram, com algum sucesso, propor e dizer que aqui no Brasil teve um golpe.

Interrogação

“Que golpe? Um golpe que durou 108 dias de processo de impedimento, com defesa, com 40 testemunhas de um lado, 40 testemunhas de outro, com o Judiciário presidindo, com a presença do Supremo Tribunal Federal”.

 

Parâmetros

Ainda Temer: “Se é governo, tem de ser governo. E se não concorda com a posição do governo, vem pra cá e conversa conosco, para nós termos uma ação conjunta. O que não dá é para aliados nossos se manifestarem no plenário sem ter uma combinação conosco”.

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