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Arimatéa Souza

quinta-feira, 04/10/2018

Ele sim!

Rumo ao desconhecido

O País avança rumo às urnas movido por sentimentos extremados e irracionais, o que amplia as chances de escolhas equivocadas e de prematuro arrependimento.

Mas é igualmente necessário pontificar que é compreensível essa reação (e sensação) de fatia expressiva dos eleitores.

Sem o …

O candidato na dianteira das pesquisas, Jair Bolsonaro (PSL), nem de longe tem o preparo e a moldura para encarar os desafios que esperam pelo futuro presidente.

… Figurino

Em medidas diferenciadas, os demais presidenciáveis também se mostram aquém do momento histórico que a Pátria vivencia.

Colheita

Parece que estamos a recolher, na campanha em curso, o acúmulo da indignação nacional em face da indiferença e/ou da arrogância de nossa elite política e partidária.

Indiferença

É como se os renovados recados dados recentemente, a começar pelo monumental popular levante de 2013, não tivessem sido entendidos ou mesmo subestimados pelos seus destinatários, que imaginaram ser tão somente uma espécie de ´nuvem passageira´.

Blefe

Nas eleições seguintes (2014), as fraudes que embalaram as campanhas (pelo menos) dos dois principais candidatos (Dilma e Aécio), aliadas ao ´estelionato eleitoral´ da petista, que fez da campanha um instrumento de demonização de seus concorrentes e, concretizada a reeleição, aplicou ações administrativas opostas ao que defendeu na campanha e/ou que buscou imputar aos seus competidores.

Vergonhoso

Da parte do PSDB, à irresignação do resultado da disputa presidencial de 2014 se somou a imensurável decepção com o então presidenciável Aécio Neves (PSDB), cujas práticas e vocabulário subterrâneos enojaram o povo brasileiro como um todo.

Cumplicidade

Os ´tucanos´ se quedaram ao ´espírito de corpo´ e foram condescendentes com Aécio, ao ponto de não puni-lo e de terem promovido o seu afastamento do comando partidário com uma demora temporal afrontosa à nação.

Castigo

Diante disso, e com o PSDB apostando na ´memória curta´ do povo brasileiro, Geraldo Alckmin já ingressou na campanha deste ano condenado a purgar, com déficit acentuado de votos, pela fragilidade comportamental partidária e pela insensibilidade à ´reprovação rouca das ruas´.

Involução

Não é pouca coisa: estando há 16 anos longe do poder federal, mas tendo participado da reta final da disputa em todos os pleitos desse período, os ´tucanos´ – é o que mostram as pesquisas – estão fadados a saírem da eleição do domingo com uma votação insignificante.

Catalisou

Bolsonaro não é – nem de longe – o protótipo do que poderíamos chamar de um democrata.

A sua ascensão na campanha deste ano é o desaguar de um encadeamento de fatos distintos, que o levam a encarnar, por exclusão, o desejo de significativa maioria do eleitorado de expurgar o ´status quo´ na política nacional.

Avesso

O candidato do PSL é oposto, em diversos e emblemáticos temas, dos votos e posicionamentos do deputado Bolsonaro em suas quase três décadas de parlamento.

Vem moldando as suas posições de acordo com a aferição do pulsar da opinião pública.

Por exclusão

A aposta na insignificância do ´projeto Bolsonaro´ e a convicção de muitos partidos e líderes políticos de que a sua postulação se desidrataria ao longo da campanha, configura um erro histórico e mostra que um recorte expressivo da população foi buscar, por falta de alternativas, dentro do sistema político atual quem pudesse protagonizar a encubada revolta popular, mesmo a maioria sabendo que está optando muito pela necessidade da ruptura do que pela racionalidade de pensar o Brasil e o futuro.

Mentor

Dizia acima que o ´mito´ Bolsonaro é fruto de uma conjunção de fatores. E se o presidenciável personaliza esse Brasil do ´basta´, igualmente é preciso creditar ao ex-presidente Lula uma importante cota nesse desfecho polarizado que se desenha na sucessão presidencial.

Replay

O petista banca no processo eleitoral deste ano uma aposta ousada: converter a sua condenação num desagravo coletivo e eleitoral à sua pessoa, além de jactar-se de que pode, outra vez, eleger um militante petista de ´dotes´ eleitorais acanhados para a Presidência da República.

Consciente

Desde a sua condenação – e confirmação da pena por um órgão colegiado (Tribunal Regional Federal 4) – Lula sabia que não disputaria a eleição deste ano, até porque foi o presidente que sancionou a ´Lei da Ficha Limpa´.

Travou

Não é o momento de avaliar aqui a consistência ou não da condenação.

Mas o fato é que ele passou a politizar todos os desdobramentos dessa decisão judicial, praticamente paralisando o debate sucessório por meses a fio, em função de sua indiscutível liderança.

Manipulação

Antes da prisão, durante o prolongado e midiático processo de sua entrega para o cumprimento da pena, e a partir de sua cela/apartamento na Polícia Federal, em Curitiba (PR), Lula atuou deliberada e focadamente para subordinar a eleição deste ano, especialmente dentro do PT, aos seus caprichos e/ou conveniências.

Postergação

Essa estratégia passou pela afronta a várias decisões do Judiciário; pela apresentação de centenas de recursos protelatórios e pela sobrevida, no limite processual, do natimorto pedido de registro de candidatura, em setembro último.

Detonação

Jogando com os prazos e com a nítida intenção de até perder a eleição, mas não abdicar do controle com ´mão de ferro´ da estrutura partidária do PT, Lula operou para tratorar quem passou pelo caminho do seu projeto de novamente ´eleger um poste´ (ou preposto, como queira) para a cadeira presidencial.

Aniquilamento

Através de recados e de bilhetes, Lula esvaziou precocemente, já no período das convenções, as candidaturas de Marina Silva (Rede) e de Ciro Gomes (PDT), ao atuar duramente para que os ditos concorrentes ´do campo da esquerda´ não firmassem coligações consistentes, o que se converteria – como ocorreu – em espaços ínfimos na propaganda gratuita no rádio e na TV.

Escolher o…

Tudo o que Lula conduziu, armou ou determinou tinha como pano de fundo criar as condições para que o segundo turno fosse disputado entre o candidato do PT (Fernando Haddad, por ele interiormente escolhido desde a sua condenação) e Jair Bolsonaro, na presunção de que seria o mais fácil a ser derrotado.

… Adversário

A aposta pesada de Lula corre o sério risco de fugir ao controle de suas mãos, o que implicará (se ocorrer) num legado oneroso para o País, de consequências incertas, porque essa forjada polarização entre ´lulistas´ e ´antilulistas´ empurra o Brasil para o imponderável, como se já não bastassem as crises ética e econômica que habitam há anos o nosso cotidiano.

Apequenou-se

Um líder da estatura e da sensibilidade social de Lula não tinha o direito de pensar tão pequeno e apenas no seu próprio umbigo.

Mesmo que a sua estratégia saia vencedora, ficará pelo caminho um povo dilacerado e uma reconciliação difícil de se concretizar no curto prazo.

Por antecipação

Os frutos da sucessão presidencial já se mostram azedos antes mesmo de sua conclusão, com um País muito mais do que dividido: é uma nação que tolhe o direito da escolha, estigmatiza oponentes e execra quem pensa diferente.

Onde fomos parar

Se milhares de brasileiros e brasileiros têm ido às ruas, compreensivelmente, bradar “Ele não!” acerca de Bolsonaro, igualmente é pertinente exclamar: “Ele sim!” – Lula é o ´arquiteto´ desse Brasil retalhado entre pendores fascistas e sentimentos ocultos de vingança.

Que domingo nos espera?...
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