Fechar

logo

Fechar

Arimatéa Souza

terça-feira, 23/10/2018

Educação pode ser ´apartada´

Torcida

Desde o final de semana, a parte (ainda) pensante do País torce para que não se aplique ao deputado reeleito Eduardo Bolsonaro (PSL) uma emblemática expressão bíblica, de Mateus: “A boca fala do que está cheio o coração”.

Histórico

O fato realçado ocorreu em julho último, mas o vídeo com o seu conteúdo veio à tona no final de semana.

Na verdade, nesse irreconhecível Brasil dos dias atuais, o conteúdo está postado nas redes sociais do parlamentar.

Indagação

Numa aula de um cursinho paranaense, Eduardo foi questionado se o Supremo Tribunal Federal poderia impedir que Jair Bolsonaro assumisse e, se isso acontecesse, o Exército poderia agir sem ser invocado.

Peitar

“Aí já está caminhando para um Estado de Exceção. O STF vai ter que pagar para ver e, se pagar para ver, vai ser ele contra nós”, respondeu.

Não encaram

O deputado (reeleito este mês com 1,8 milhão de votos) prosseguiu: “Se o STF quiser arguir qualquer coisa, por exemplo, que recebeu uma doação ilegal de R$ 100 e impugnar a candidatura dele. Não acho improvável mesmo. Mas vai ter que pagar pra ver. Será que vão ter essa força mesmo? (…) Essa resposta só vamos conseguir dar se o STF ou o TSE quiserem pagar para ver. Acho que não vão querer pagar pra ver.”

Irônico

“O pessoal até brinca lá: se quiser fechar o STF sabe o que você faz? Você não manda nem um Jipe, manda um soldado e um cabo. Não é querendo desmerecer o soldado e o cabo. O que é o STF cara? Tira o poder da caneta de um ministro do STF, o que ele é na rua?”.

Sem reação

“Se você prender um ministro do STF, você acha que vai ter uma manifestação popular a favor dos ministros do STF? Milhões na rua ´solta o Gilmar, solta o Gilmar´.”

Contestação

Coube ao ministro decano (mais antigo) do Supremo, Celso de Mello, reagir pronta e duramente, como merecia a situação.

“Irresponsável”

“Essa declaração, além de inconsequente e golpista, mostra bem o tipo (irresponsável) de parlamentar cuja atuação no Congresso Nacional, mantida essa inaceitável visão autoritária, só comprometerá a integridade da ordem democrática e o respeito indeclinável que se deve ter pela supremacia da Constituição da República!!!!” – revidou o ministro através de nota.

Ilegitimidade

Ainda Celso de Mello: “Votações expressivas do eleitorado não legitimam investidas contra a ordem político-jurídica fundada no texto da Constituição! Sem que se respeitem a Constituição e as leis da República, a liberdade e os direitos básicos do cidadão restarão atingidos em sua essência pela opressão do arbítrio daqueles que insistem em transgredir os signos que consagram, em nosso sistema político, os princípios inerentes ao Estado democrático de Direito”.

Repreensão

Diante da repercussão negativa do fato, o pai do deputado, presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) afirmou que “já adverti o garoto. A responsabilidade é dele. Ele já se desculpou. Isso aconteceu há quatro meses”.

“Absurdo”

“Ele (Eduardo) aceitou responder a uma pergunta sem pé nem cabeça, e resolveu levar para o lado desse absurdo aí. Temos todo o respeito e consideração com os demais poderes, e o Judiciário obviamente é importante”, avançou Jair.

Enfática
O presidenciável foi além: “A advertência (ao filho) foi até pesada. Ele já assumiu a responsabilidade, repito, e se desculpou. No que depender de nós, é uma página virada na história”.

Retratação

À noite, Bolsonaro remeteu uma carta ao ministro Celso de Mello, num gesto elogiável e até tranquilizador: “É meu dever, como cidadão, manifestar meu apreço por Vossa Excelência, seja pela conduta impecável no exercício de jurisdição, seja pela forma ponderada como sempre se manifesta ao público”.

Relativização

“Quero, por escrito, deixar claro que manifestações mais emocionais, ocorridas nestes últimos tempos, se mostram fruto da angustia e das ameaças sofridas neste processo eleitoral”, assinala o candidato, acrescentando que o STF é o “guardião da Constituição”, e que “todos temos que prestigiar a Corte”.

Precedente

Em abril último, o deputado Wadih Damous (PT-RJ) criticou a atuação do Supremo no caso do ex-presidente Lula (PT) e disse ser necessário “fechar o Supremo” e “enquadrar essa turma”.

Inaceitável

O Judiciário brasileiro não é – nem de longe – um poder imaculado.

Mas ignorar (ou tentar ridicularizar) a sua importância institucional é algo que deve ser repudiado.

Na tela

O 2º turno da sucessão presidencial é o tema de hoje no programa ´Ideia Livre´, que começa às 22h15 na TV Itararé: canal 18.1 (HD) e 19 (analógico).

Participam os professores José Maria Nóbrega (UFCG) e Laudiceia Araújo (IFPB), e o historiador Vanderlei de Brito.

Da boca de…

“… Não podemos fazer desta semana mais uma véspera de apocalipse…” (Sergio Etchegoyen, ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional).

Nossa guerra

O final de semana registrou 77 pessoas que foram atendidas no Hospital de Trauma de Campina Grande por conta de acidentes envolvendo motocicletas.

Remanejamento

A área de ensino superior deverá ser deslocada do Ministério da Educação para o Ministério da Ciência e Tecnologia, caso seja eleito no domingo Jair Bolsonaro.

Por onde anda o ministro Gilmar Mendes, sempre tão falante?...
Share this page to Telegram

Arquivo da Coluna

Arquivo 2019 Arquivo 2018 Arquivo 2017

2018 - Paraiba Online - Todos os direitos reservados.

BeeCube