Jornalista há quase 30 anos, escreve a coluna Aparte desde 1991. Já trabalhou em TV, rádio e foi editor chefe do Jornal da Paraíba e colunista das TVs Cabo Branco e Paraíba. É comentarista político das rádios Campina FM, Caturité AM e editor do portal de notícias Paraibaonline.

quinta-feira, 07/07/2016

Despedida & saudade

´Liturgia´

Meio dia desta quarta-feira no Vaticano (Roma), 7 horas da manhã no Brasil.

Conforme o ritual católico, esse é o instante semanal para comunicações relevantes da Igreja Católica, entre as quais a rotatividade episcopal.

Circular

Cinco minutos depois, com a circulação da nova edição do jornal oficial da Santa Sé (L´Osservatore Romano), a assessoria de imprensa da Arquidiocese da Paraíba distribuía a informação impactante, apesar de não surpreendente: Dom Aldo di Cillo Pagotto enviou ao Vaticano pedido de renúncia por motivo de saúde, e foi aceito.

Trâmite

No rito católico, pedido desse tipo tramita com o conhecimento da Nunciatura Apostólica (espécie de embaixada do Vaticano em cada país) e pela Congregação para os Bispos.

Interinidade

A notícia da aceitação da renúncia de Dom Aldo veio acompanhada – aí sim – de uma surpresa: a designação temporária do bispo emérito (aposentado) Dom Genival Saraiva de França, que concluiu a sua atividade pastoral na Diocese de Palmares (PE), mas que guarda afinidade com o seu Estado natal (é natural de Alcantil-PB), por força de 35 anos de atuação na Diocese de Campina Grande.

Nomenclatura

A missão de Dom Genival é ser “Administrador Apostólico” da Arquidiocese da Paraíba.

Presumivelmente, por pouco tempo.

Missiva

A carta-renúncia de Dom Aldo contém trechos que devem ser realçados, até porque ele se permitiu citar “sumariamente alguns fatores que me obrigam a tal atitude (renúncia)”, ao cabo de 12 anos à frente da Igreja na capital paraibana.

Doação

“Tentei doar o melhor de mim mesmo, não obstante as sérias limitações de saúde, ademais das repercussões no equilíbrio emocional, causadas pela constante necessidade de superar conflitos inevitáveis, advindos de reações ao meu modo de ser e de agir, sublinhou o arcebispo.

Providências

“Tomei decisões enérgicas e inadiáveis em relação à reorganização da administração, finanças e recuperação do patrimônio da Arquidiocese, sempre em sintonia com o nosso ecônomo. Embora tenha sido exitoso, desinstalei e desagradei muita gente, por razões facilmente presumíveis”, registra Pagotto.

Acolhimento

“Acolhi padres e seminaristas, no intuito de lhes oferecer novas chances na vida. Entre outros, alguns egressos, posteriormente suspeitos de cometer graves defecções, contrárias à idoneidade exigida no sagrado ministério. Cometi erros por confiar demais, numa ingênua misericórdia”, admite o prelado.

Ativo

Conforme Dom Aldo, “tomei posições assertivas diante de políticas públicas estruturais em vista do desenvolvimento integral de nossa gente e de nossa terra. Evitei ´ficar em cima de muro´. Foi inevitável acolher reações e interpretações diferentes”.

Represálias

“Não tardaram retaliações internas e externas, ademais da instauração de um clima de desestabilização urdida por grupos de pressão, incluindo os que se denominaram ´padres anônimos´, escudados no sigilo da fonte de informações, obtendo ampla cobertura num jornal”, discorreu.

Desgaste

“Matérias sobre a vida da Igreja da Paraíba, descritas em forma unilateral, distorcida, provocatória, foram periodicamente veiculadas, seguidas de comentários arbitrários por várias redes sociais”, relata o religioso.

Flexível

“Por tanto tumulto, embora eu esteja sofrendo muito, permito-me afirmar que conservo a minha consciência em paz. Sempre estarei disposto a corrigir rumos, a reorientar passos, a confirmar êxitos alcançados”, escreveu Dom Aldo.

Estilo

Ele acentua na carta que “auto-elogio e passividade não fazem parte do meu feitio”.

Atitude

“Passo por duras provações – segue o arcebispo – sentindo a frustração de alguns sonhos que entrego nas mãos de Deus (…) Penso que eu não tenha o direito de provocar ou de prolongar sofrimentos ainda maiores, especialmente aos jovens que esperam servir a Deus na vida sacerdotal nesta Igreja da Paraíba que tanto nós todos amamos”.

 

Gesto

Na parte derradeira, ele enfatiza que “creio que o melhor, pelo momento, para a Igreja Universal e para a Igreja Particular da Paraíba, seja a minha renúncia”.

Caminhada

“Há muitos espaços e oportunidades. Estou disposto a buscá-los, pedindo a Deus que me mostre o lugar onde eu possa ser útil, a começar pela minha Congregação do Santíssimo Sacramento, que eu tanto amo”, frisa o arcebispo.

Arremate

“Não há nada de oculto que um dia não venha a ser revelado e proclamado pelos tetos”, finaliza Dom Aldo Pagotto.

Chegada

Dom Genival igualmente divulgou uma carta direcionada à Arquidiocese da Paraíba e à população pessoense, anunciando que “desejo afirmar a todos que chegarei, brevemente, com a disposição de servir”.

O detalhe

Ele se encontra no interior do Ceará orientando um retiro espiritual.

Telúrico

Em mim a motivação para servir à Arquidiocese da Paraíba tem uma linguagem afetiva, pelo fato de ser paraibano e de ter residido na cidade de João Pessoa, durante oito anos, como aluno do Seminário Imaculada Conceição”, assinalou Dom Genival.

Oração

“A fim de que possa exercer bem a função de Administrador Apostólico, torno minha a prece do salmista: “Dai-me bom senso, retidão, sabedoria” (Sl 118, 66). Tendo consciência de não ser fácil administrar uma instituição, especialmente num contexto de transição, peço, com humildade: ´Senhor, dai-me serenidade para eu aceitar as coisas que eu não posso mudar. Dai-me coragem para eu mudar as coisas que eu posso mudar. Dai-me discernimento para eu conhecer a diferença´,” escreveu o prelado que chega´.

Ensinamento

O bispo roga que “por esse discernimento, eu possa contribuir para a prática da comunhão e da unidade em nossa Arquidiocese, seguindo esse ensinamento de Santo Agostinho: ´Nas coisas essenciais, a unidade; nas coisas não essenciais, a liberdade; em todas as coisas, a caridade´.”

Compreensão

Ao se reportar à renúncia de Dom Aldo, o seu substituto pontifica que “renúncia ao governo diocesano não é demérito para nenhum Bispo, por ter completado 75 anos, como no meu caso, ou em razão de enfermidade, como no seu caso”.

Descarte

O deputado federal Wellington Roberto (PR-PB) recusou o convite para ser o relator do processo contra o deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) no Conselho de Ética da Câmara Federal. Alegou acúmulo de atividades.

Jair é acusado de fazer apologia à tortura.

Sem votar

Presidente da Comissão de Constituição e Justiça do Senado, o senador José Maranhão (PMDB) pediu o adiamento, ontem, da votação do projeto da DRU (Desvinculação de Receitas da União).

O detalhe

Essa proposta libera 30% das receitas da União das amarras fixadas pela Constituição Federal no tocante ao rateio das receitas federais.

Recepção

O PT campinense promoveu ontem uma solenidade, na sede da ACI, para proclamar o apoio à candidatura do deputado/prefeitável Adriano Galdino (PSB).

Unido

Socorro Ramalho, que falou em nome do partido, prometeu adesão total, sem defecções, apesar da ausência no evento do presidente municipal do partido, Peron Japiassu. Voltarei ao assunto.

Coesão

“Quero que todos nós estejamos juntos, porque é uma batalha que não é fácil”, discursou Adriano.

Essa tal de saudade

Há quatro anos se foi o inesquecível poeta Ronaldo Cunha Lima, uma lacuna ainda impreenchível no cotidiano paraibano, em particular no coração de seus amigos, terreno onde transitava com a desenvoltura própria da cumplicidade de sonhos e de sentimentos.

Um retalho de recordação: “A fé é uma fonte que se alimenta do eterno. Nela, os homens se dessedentam e se revigoram, para as travessias das solidões e dos desertos da vida”.

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