Arimatéa Souza

segunda-feira, 04/02/2019

De novo, o PP

Sempre pode piorar

Periodicamente, a gente tem a generosa tendência de avaliar que chegamos ao fundo do poço na política nacional. Mas, dolorosamente, quebramos a cara.

A eleição do novo presidente do Senado foi um episódio com cenas ridículas, dignas de uma ´sessão pastelão´ já não tão comum na programação vespertina das emissoras de TV.

Duros na queda

Na angulação histórica do fato, atestou-se o grau de resistência dos tradicionais caciques da política nacional, na ânsia de preservar o poder que dominaram por anos à custa de muita ousadia e de procedimentos espúrios.

´Mutirão´

É o caso do senador Renan Calheiros (MDB-AL). Foi necessária uma imensa coalizão circunstancial de forças ideologicamente antagônicas para impedir que ele conquistasse o seu quinto mandato como presidente daquela casa legislativa.

Mudou a ´embalagem´

Por outro lado, na rodada inicial de contemplação dos novos senadores, já foi possível observar que muitas das novidades ensejadas por uma renovação da ordem de 80% – só 8 dos senadores que tentaram a reeleição lograram êxito – são apenas sobrenomes diferentes de cultivadores das mesmas práticas politicas abjetas.

No canto da parede

Incumbido de presidir o processo eleitoral no Senado, o ´decano´ José Maranhão (MDB) viveu momentos de inquietude e de tensão, equilibrando-se entre as suas vinculações com Renan e o monitoramento dos novos colegas de casa e da transmissão ao vivo por várias emissoras de TV e incontáveis de rádio.

´Arriar o óleo´

Num breve instante de relaxamento, Zé acabou se descuidando do microfone da presidência e descontraiu todo o plenário ao avisar que ia “dar uma mijadinha”.

Veja aqui.

Mostrar serviço

Diante do insucesso eleitoral de Renan – com a inesperada desistência do alagoano, com o processo de votação em andamento -, Maranhão avaliou que alguns partidos querem aderir ao governo, mas “não querem chegar de mãos vazias”, razão pela qual elegeram o candidato mais simpático ao governo federal.

Na retaguarda

“Acho que há duas semanas a candidatura de Renan estava muito mais forte. Mas quando o governo resolveu entrar diretamente contra, modificou. O governo concentrou todo um esforço em favor de Davi (Alcolumbre DEM-AP)”, avaliou Zé em entrevista ao site da revista Exame.

Recorrente

A mais recente edição da revista IstoÉ relata mais uma denúncia milionária envolvendo o PP, uma legenda vocacionada para fazer parte dos escândalos nacionais que vieram à tona ao longo das últimas décadas.

Seguem trechos da reportagem.

Além da…

“O PP é o partido com maior número de parlamentares investigados na Operação Lava Jato. Mas não é apenas com os propinodutos da Petrobras que o partido está envolvido. Denúncias recebidas apontam que o partido está ligado também a um esquema de propina envolvendo a saúde dos servidores públicos.

… Petrobras

“O caso está sendo investigado na Polícia Federal no inquérito IPL 1227/2016-4. De acordo com a denúncia, integrantes do PP arrecadavam dinheiro com a cobrança de uma espécie de pedágio dos hospitais e fornecedoras de insumos hospitalares que mantêm convênio com a Geap Autogestão em Saúde, seguradora que gerencia os planos de saúde do funcionalismo público.

´Pedágio´

“Na Geap, ligada ao Ministério da Saúde, que desde o governo Dilma Rousseff era comandado pelo PP, os empresários precisavam descontar 10% dos valores que tinham a receber para destinar ao partido.

´Cabeças´

“Os principais beneficiários da propina foram ao longo dos anos os deputados Aguinaldo Ribeiro (PB) e Ricardo Barros (PR), ex-ministro da Saúde, o ex-deputado Paulo Maluf (SP) e o presidente do partido, senador Ciro Nogueira (PI).

Receita

“A Geap arrecada anualmente R$ 2,4 bilhões com o pagamento do fundo de saúde dos servidores repassado pelo governo federal. Assim, a propina paga pode alcançar a faixa de milhões de reais.

Fatia

“Para receber o valor da fatura do serviço prestado aos conveniados, não basta apenas o empresário dono de hospitais ou fornecedoras de insumos hospitalares comprovarem que prestaram os serviços. Eles precisam separar 10% para o PP. Enquanto não aceitam essa condição, o pagamento não sai.

Glosa

“Num desses acordos feitos por debaixo dos panos, a Geap foi sobretaxada em R$ 7 milhões, só de juros, de uma dívida que estava praticamente perdida. O Conselho Administrativo da entidade (Conad) detectou falhas nos serviços prestados pelo Hospital da Bahia Ltda e recomendou que as faturas referentes ao período entre 2007 e 2011 não fossem pagas.

Quitação

“Auditoria feita em 2009 detectou a existência de assinaturas falsas. A dívida com o Hospital da Bahia totalizava R$ 3 milhões, mas com os juros chegava a R$ 10 milhões. Apesar de todos os problemas apontados na auditoria, as quatro faturas do hospital foram pagas no apagar das luzes de 2017.

Vínculo

“Na ocasião, o diretor-executivo da Geap era Artur de Castro Leite Junior, que foi indicado pelo deputado e ex-líder do governo Temer na Câmara Federal, Aguinaldo Ribeiro (PP-PB). Na Geap, afirma-se que o pagamento só saiu porque o hospital aceitou pagar a propina.

Tudo mantido

“No governo Michel Temer, a tramoia continuou. O ex-ministro da Casa Civil Eliseu Padilha passou o comando da operadora de plano de saúde para as mãos do senador Ciro Nogueira (PI), presidente do PP. Este tratou de esticar seus tentáculos para o Conad e indicou Laércio Roberto Lemos de Sousa para presidir o conselho. Laércio havia sido subsecretário de Planejamento, Orçamento e Administração do Ministério das Cidades na gestão de Aguinaldo Ribeiro, entre 2012 e 2014”.

Terceirização milionária

Ainda a revista: “O PP poderia indicar ainda outras duas vagas para o conselho. Assim Ricardo Barros, então ministro da Saúde, escolheu Rodrigo de Andrade Vasconcelos, que em seu primeiro ato votou pela terceirização do núcleo jurídico da Geap, que ficou a cargo do escritório Nélson Willians & Advogados Associados. O escritório passou a receber, por mês, R$ 2 milhões da Geap. Antes, a Geap pagava R$ 400 mil aos advogados do seu quadro de funcionários. Definitivamente, o PP não se limitou à dilapidar os cofres da Petrobras”.

A ´insurreição´ continua...
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