Jornalista há quase 30 anos, escreve a coluna Aparte desde 1991. Já trabalhou em TV, rádio e foi editor chefe do Jornal da Paraíba e colunista das TVs Cabo Branco e Paraíba. É comentarista político das rádios Campina FM, Caturité AM e editor do portal de notícias Paraibaonline.

terça-feira, 19/12/2017

Conversa confidencial

Indissociável

A mundialmente conhecida (principalmente no século passado) estilista francesa Coco Chanel criou uma marca (Chanel) que se transformou em grife cintilante em termos calçados, vestuário, acessórios e muitas outras derivações.

É dela uma frase célebre: “A moda sai de moda, o estilo jamais”.

Comprovação

O ex-ministro e presidenciável Ciro Gomes (PDT), logo ao chegar ontem ao território paraibano, deu mostras de que a frase acima citada continua procedente.

Inapropriado

Na entrevista dada em João Pessoa, encaixou o vice-prefeito Manoel Júnior (PMDB) no contexto da conversa e foi, ao mesmo tempo, duro, deselegante e vulgar, sem que se precise adentrar no mérito das restrições políticas e pessoais que possui com relação ao peemedebista.

Excremento

“Se ele (Manoel Júnior) pensa que eu tenho medo dele, eu tenho mais medo dele com a mão suja de cocô do que ele possa fazer”, expeliu.

Vem de longe

Ciro contextualizou historicamente a gênese da antipatia: “Vocês não sabem que esse canalha (MJ) foi escalado pelo Eduardo Cunha (ex-presidente da Câmara Federal), de quem ele era cupincha, para devassar a vida de meu irmão (Cid Gomes) dentro de um leito de hospital em São Paulo, sendo ele quem é, que eu conheço de longa data”.

Envolvimento

“Manoel Júnior é deste PMDB picareta. Esse ‘PMDB quadrilha’, que eu conheço há bastante tempo. Alguns desses ‘PMDB quadrilha’ estão envolvidos até em assassinatos”, acunhou o ex-ministro.

Desafio

Aí veio a convocação para a ´rinha´: “É o que eu penso dele, na terra dele. Se ele achar ruim, eu vou ficar aqui até amanhã (hoje) cedo”.

Psique

Ao tomar conhecimento do ataque virulento, o vice-prefeito pessoense declarou que “quero pedir desculpas à Paraíba por estar recebendo uma figura como essa. Ele responde vários processos. O problema desse cidadão é psiquiátrico, talvez ele não passe num teste antidoping. Entrarei na Justiça novamente”.

Polarização

De volta à entrevista, o presidenciável respondeu a outras perguntas, a começar pela disputa intensa entre o PT e o PSDB ao longo dos últimos anos na cena política nacional.

Extrapolaram

“O PT é o principal partido que a democracia brasileira produziu, junto com o PSDB. E eles, ao invés de cooperarem, brigaram em São Paulo e racharam o Brasil. Introduziram o ódio, o sectarismo e a radicalização na política, que está fazendo muito mal ao País”, contextualizou.

Incapacidade

“Por isso é preciso que o PT ceda lugar a um novo desenho. Mas eles não são capazes nem sequer de aprender as lições dos erros graves que cometeram”, avaliou Gomes.

Só milagre

Indagado se espera o apoio do PT na hipótese de a candidatura de Lula não se legitimar, por força judicial, o ex-ministro disse que “é mais fácil um boi voar. Mas seria bem vindo sim”.

Sem intervir

Acerca da política paraibana, Ciro observou que “costumamos respeitar muito a autonomia dos companheiros, se eles se comportam nas linhas de valor do partido”.

Afago

E seguiu: “A companheira Lígia (Feliciano, vice-governadora) é uma mulher extraordinária, leal, decente, tem uma identidade ideológica com os mais pobres, com quem trabalha e produz”.

Solidário

Ao se reportar ao esposo da vice, deputado Damião Feliciano, o pré-candidato do PDT declarou que “é um companheiro que luta conosco em situações de sacrifício lá no plenário da Câmara Federal”.

Confiança

“Nunca – como se diz lá no Ceará – fez xixi fora do caco, é sempre na mesma linha de coerência. Eles (o casal) têm a nossa confiança. E a gente sabe que eles vão fazer os diálogos respeitando valores”, adendou Ciro em seu ´dialeto´.

Deferência

O ex-ministro se permitiu um elogio público ao governador paraibano: “A Paraíba está muito bem ser vida. Ricardo Coutinho é uma pérola, é uma figura que eu tenho um carinho e respeito muito grande, como brasileiro e como nordestino. Tenho o privilégio de ser amigo dele”.

Alianças

Sobre coligações para respaldar a sua candidatura, Ciro frisou que “temos uma conversa profunda com o PSB e com o PCdoB. Seria a nossa aliança preferencial”.

“Monstro”

“Com todo o respeito a quem pensa diferente, eu não quero o apoio do PMDB. É preciso botar o PMDB na oposição, e o País precisa destruir esse monstro fisiológico e corrupto que hoje sangra o País por todos os ângulos”, esgrimiu o presidenciável.

“Quadrilha”

Mas ele apimentou ainda mais o seu conceito sobre o PMDB: “Essa quadrilha tem que ser afastada, banida do centro do poder brasileiro, porque eles destruíram os governos FHC e Dilma, na base da fisiologia e do clientelismo. Produziram essa instabilidade politica no País e agora tem um componente golpista criminoso”.

Respaldo

Em solo pessoense, Carlos Lupi, presidente nacional do PDT, que acompanha Ciro, situou que “nós estamos formando em todo o Brasil palanques para dar sustentação à candidatura de Ciro”.

Indagação

No tocante à política estadual, Lupi verbalizou que “o meu apelo é que a Lígia seja candidata a governadora. Se ela foi escolhida candidata a vice, é porque ela merece a confiança dele (Ricardo). E se ela merece a confiança dele e se comporta de maneira ética e de lealdade exemplar, por que ela não pode ser a candidata?”

Apreciação

Avançou Lupi: “O nosso partido reivindica que seja considerado, inclusive pelo governador, o nome dela (Lígia). Nós não queremos impor, porque a democracia não compreende a palavra imposição”.

Deslocamento

No turno da tarde, já em Campina, Ciro tratou de alguns temas na ordem do dia.

Confira alguns trechos.

Estagnado

“O Brasil não se reforma estruturalmente desde os anos 80, e as alianças politicas têm sido feitas basicamente para a perpetuação no poder e para evitar CPIs.

Veto

“Eu estou anunciando claramente que o PMDB será oposição ao meu governo, porque o PMDB não é o monopolista dessas falcatruas, mas é o centro dessas falcatruas que estão destruindo o Brasil.

Lula

“São merecidas as referências positivas que a maioria da população brasileira faz a ele. Os erros que cometeu na política é que, talvez, expliquem o que ele está sofrendo sem merecer.

Sem apologia

“Eu li a sentença do (juiz Sérgio) Moro, como advogado e professor de Direito, e não vejo fundamento ali, por isso torço para que ele (Lula) seja absolvido. Agora, você não pode fazer a apologia (defesa) da justiça lenta (…) Fui dizer isso e virou uma intrigalhada. Que Lula seja feliz, é o meu desejo.

Jair Bolsonaro

“Pra mim é um personagem. Eu fui colega dele na Câmara Federal. O Bolsonaro não conhece o Brasil, não tem a menor noção do que é nada. Está interpretando um papel, que é tentar a golpes de frases muito feitas e muito rápidas (capitalizar) essa angústia e essa repulsa que o povo brasileiro está (…) O Brasil está chocado com a corrupção e a generalização da corrupção.

Omisso

“Bolsonaro, com esse jeitão destabanado, parece ser o antipolítico tradicional. Um cara que há 27 anos é deputado federal e nunca deu um dia de serviço ao Rio de Janeiro, que é o epicentro da violência.

Vai murchar

“Ninguém sabe de um discurso dele contra essa esculhambação toda. É um personagem que não resiste muito mais à exigência grave que a sociedade brasileira deve fazer para que o País mude essa situação.

Perfil do seu vice

“Um homem da produção, baseado no Sudeste brasileiro, seria o ideal. Mas isso vamos conversar com os partidos com quem estamos dialogando, preparando uma possível aliança de amplo centro-esquerda no País.

Conversa com…

“75,87% de nossa conversa foi sobre o Brasil. Sobre a importância de a gente administrar com delicadeza esse momento complexo; a contradição de uma sentença favorável ou de uma sentença contrária ao Lula; e a repercussão que isso vai ter no pensamento progressista do Brasil. E a ´manhas´ do PT.

… O governador

“Conversamos também sobre a Paraíba. O que eu ouvi do governador foi sempre o que eu ouvi dele: é que ele tem pela vice-governadora um grande apreço, confiança e estima, e que pretende desdobrar os seus caminhos de sucessão em diálogo franco com ela, porque o que está acima de tudo é a Paraíba, que está num bom momento.

Próximos passos

“Combinamos diálogo, diálogo, diálogo. E fazer as decisões todas com muita franqueza e lealdade.

Depende dela

“Se ela (Lígia) quiser é nossa candidata, sem qualquer tipo de reserva, porque é trabalhadora leal, e ainda tem a vantagem de mulher.

Efeitos…

“A reforma trabalhista introduziu no mundo do trabalho uma selvageria: insegurança jurídica e insegurança econômica. E tem um efeito colateral dramaticamente grave: é que ela vai acabar de liquidar a sustentabilidade financeira do financiamento da previdência social, com o trabalho intermitente.

Reação

“O Brasil tem que revogar pura e simplesmente, o que não quer dizer que nós não precisamos adaptar a legislação brasileira aos novos modos, aos novos desenhos que o mundo do trabalho, sofisticadamente em transformação, pede. Mas nunca introduzindo insegurança jurídica e econômica para os trabalhadores.

Fuga

“A reforma da previdência também é uma selvageria muito pouco estudada. E só esse terror que o Governo Temer está fazendo já tirou 2 milhões de contribuintes da previdência, justamente os salários mais altos que podem rapidamente se adaptar a planos privados de previdência.

Pode esperar

“Temos que lutar para não deixar essa selvageria passar, e depois convocar a sociedade para chegarmos a um grande entendimento nacional sobre o futuro da previdência. E nós temos tempo para isso”.

Pausa

O novo bispo diocesano de Campina Grande, dom Dulcênio Fontes, é o entrevistado de hoje no programa ´Ideia Livre´, que começa às 21h15 na TV Itararé – canal 18.1 (HD) e 19 (analógico), ou pela internet, no endereço www.tvitarare.com.br

Sem a anfitriã

De forma surpreendente, a vice-governadora Lígia Feliciano não participou da recepção (e da conversa) que Ricardo Coutinho ofereceu a Ciro Gomes e Carlos Lupi.

Enivaldo e Romero devem conversar hoje, em Brasília, sobre 2018...
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