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Arimatéa Souza

sexta-feira, 14/01/2022

Carta branca do MDB

Bumerangue

João Azevedo é um homem de sorte. Bastaram aproximadamente 55 segundos de uma fala inconsequente, agressiva e desrespeitosa do deputado/delegado Wallber Virgolino (Patriota), direcionada à categoria funcional que integra, para o governador ser duplamente contemplado: com a indução de servidores do setor policial e até da própria opinião pública, no sentido de ser definitivamente celebrado o acordo salarial do segmento.

Inconveniente

Noutra perspectiva (política), João vai jogar no ´colo´ da – lá vai uma expressão que o cenário impele! – oposição ´clássica´ à sua administração um ator político que pode ficar estigmatizado pelo palavreado que escolheu para externar o seu desapontamento com a discussão salarial em pauta.

´No papel´

Para se ter a dimensão da contundência do que disse o parlamentar/delegado, é preciso reproduzir o pronunciamento pouco ´patriota´ (alguém que não enxerga defeito no seu país ou na categoria que integra) do parlamentar.

Medrosos

“Vocês são fracos de verdade. Pense num povo medíocre. Têm que ganhar pouco mesmo essas desgraças. Nem coragem de lutar têm. Me envergonha essa categoria, me envergonha! Eu quero pegar um corno desses dizendo que eu não faço nada pela Polícia Civil, porque pense num povo fraco e medíocre.

Sem “coleira”

“Nasceram para serem escravos. É por isso que eu virei deputado, porque não aceitei a coleira, não aceitei as rédeas em mim. Mas o povo fala em lutar e em crescer, mas a Polícia Civil não vai mudar nunca. Vai ser essa desgraça a vida todinha, porque o povo é fraco e gosta de ser tratado como moleque e como escravo”.

Imponderável

É importante sublinhar, na ótica administrativa, que o governo estadual surpreendeu as categorias que representam o aparato da segurança pública ao propor na rodada inicial de negociações (dia 4 último) ações muito além do que era imaginado pelos representantes classistas.

Inesperada

Não é o caso de se dizer que a proposta foi o almejado pelos policiais, mas pragmaticamente foi muito além do esperado, considerada a situação das finanças públicas.

Reação

E essa ação governamental atiçou uma mobilização político-partidária inequívoca, no sentido de tentar não encurtar a viabilização do acordo.

Desdizer

Ao longo do dia de ontem, Wallber buscou se desculpar (virtualmente) pela ´incontinência verbal´.

Na ´emoção´

Ele alegou que as declarações foram verbalizadas “no calor do debate. Foram ditas não por um deputado, mas por um delegado”.

“Não engulam corda e não fiquem com raiva de mim”, apelou.

Prejudicado

Virgolino frisou que “não vou me aposentar como deputado, mas como delegado e me senti atingido frontalmente com essa proposta por parte desse governo bandido”.

Outros trechos

“Eu nunca me envolvi com sindicato e associação, porque acho um monte de trambiqueiros. Quem está lá, está pensando em interesses pessoais. Você nunca me viu na Assembleia (Legislativa) abrir a porta para esse tipo de gente.

“Boquinha”

“É um bocado de cabra safado que se juntam para angariar interesses pessoais. Esse povo não está do lado da polícia. E a tendência é de mau a pior. Não querem perder a boquinha. Não vão bater de frente com esse governo-bandido nunca.

Futuro

“Ele (governo) acabou com a Polícia Civil. A gente vai se aposentar e nem dinheiro para comprar remédio a gente vai ter. Eu estou deputado, mas lá na frente eu vou receber como delegado de polícia de novo.

Jogo duplo

“Eu sei o que eu passei com a perseguição desse povo, desses ´amiguinhos´ que hoje estão dando uma de bom moço e fazendo negócio com o governo. Eles sempre estiveram do lado do governo. Fizeram o que Ricardo Coutinho queria.

Reprovação

“Todas as emissoras de rádio falaram mal de mim. Quem bota a cabeça pra fora para atingir este governo eles atacam”.

Vinculação

Existe outra dimensão a ser acentuada nessa questão.

É a ligação direta e quase incondicional entre segmentos das polícias militares no país e o presidente Bolsonaro.

Retaguarda

Para o ´capitão´ de Brasília, contar com o apoio, simpatia e até mobilização da maior parte dos 406 mil PMs ativos e cerca de 56 mil bombeiros é algo fundamental para o seu projeto de reeleição em curso.

Embate

Isso passa pela contestação e/ou enfrentamento aos governadores hostis ao governo central.

Mobilização

Tanto isso é verdade, que o governo federal retomou a mobilização para votar nas próximas semanas, no Congresso Nacional, o que está sendo chamado de ´pacote de bondades´ para essas categorias.

Concessões

Consta da proposta em tramitação a criação de novas patentes; a possibilidade de policiais e bombeiros voltarem à ativa, se não forem reeleitos; e a garantia de nomeação e promoção para investigados pela Justiça, e mesmo para os que se tornaram réus.

O detalhe

As novas patentes seriam: tenente-general, major-general e brigadeiro-general.

Vai demorar

“Nenhuma decisão vai acontecer antes de maio ou junho na sucessão presidencial”.

O prognóstico é do deputado federal Baleia Rossi (SP), presidenta nacional do MDB.

Acomodações

Ele frisou que “em vários estados vamos ter palanques duplos ou triplos” no tocante ao pleito presidencial.

Quem decide

“As lideranças da Paraíba são quem vão definir qual o posicionamento o partido vai ter” acerca da eleição nacional, situou o emedebista na ´Correio FM´.

Passe livre

“Quem vai definir o futuro do MDB na Paraíba são as suas lideranças”, reforçou o deputado.

Nas entrelinhas, ele abriu a brecha para uma aliança com o ex-presidente Lula (PT) já no primeiro turno.

“Torcida”

Ao tratar sobre a hipótese de o senador Veneziano Vital vir a concorrer ao governo estadual, o dirigente partidário botou fermento na massa: “Nós temos a grande liderança do senador Veneziano, que é um jovem preparadíssimo. Qual é a nossa torcida? Que ele seja candidato a governador”.

Respeito

Rossi ressalvou que “nós temos a tradição de respeitar as decisões dos diretórios e das executivas estaduais”.

Para um bom entendedor…

Eis a ´cereja´ no bolo colocada por Baleia Rossi: “Temos pesquisas mostrando que a candidatura de Veneziano tem uma capacidade de crescimento muito grande”.

Julian Lemos tenta aproximar Moro do ´Palácio da Redenção´....

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