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Arimatéa Souza

sábado, 23/09/2017

Cara a cara

O controvertido Janot

O ex-procurador geral da República, Rodrigo Janot, foi convertido, ao longo das semanas que precederam a conclusão do seu mandato, numa figura extremada: abominada por alguns e reverenciada por outras.

Para isso pesou muito o seu envolvimento com o curso das investigações da Operação Lava Jato, mas notadamente o acordo que celebrou com os donos do grupo JBS/Friboi, convertendo uma ruidosa deleção num absolvição inusitada e, para muitos, exagerada.

Por sinal, Janot culminou o seu mandato como PGR solicitando a revisão das concessões referentes à citada delação.

Garimpo

Já distante dos holofotes próprios de quem comanda a Procuradoria Geral da República, o mineiro Janot concedeu uma longa entrevista ao jornal Correio Braziliense.

É oportuna a reprodução de alguns trechos de suas declarações. É o que segue.

Ausência na posse

(da sucessora) ”Quem vai em festa sem convite é penetra.

Evitou se encontrar…

(com Michel Temer?) “As pessoas que têm que se sentir constrangidas, não sou eu. Fiz o meu trabalho (…) Não autorizei ninguém a receber mala de dinheiro em meu nome. Nem tenho amigo com R$ 51 milhões em apartamento.

Origem

(da briga com a sucessora Raquel Dodge) “Nunca houve uma rivalidade a esse nível, claro que não.

Troca da equipe

“Eu me espantei porque havia ofício formal, com convite para que toda a equipe da Lava-Jato continuasse. Existia um ato formal dela (Dodge). Depois, ela começou a desconvidar.

Críticas

“Uma das estratégias de defesa é tentar desconstruir a figura do acusador. É assim que eu vejo. De repente, passo a ser o vilão da história, o dito vilão da história, porque há necessidade de desconstituir a figura do acusador. O que fizeram comigo vão fazer com outros.

Esperteza…

“Ele (empresário Joesley Batista, Friboi) foi mais esperto que ele mesmo. A esperteza capturou ele próprio. A gente tem que deixar muito claro: a colaboração premiada é um instituto novo para a gente, já aprendemos muito.

… Em excesso

“Quando a gente faz um acordo desse, é de natureza penal, a gente está negociando com bandido, bandi-dê-ó-dó. O cara, porque é colaborador da Justiça, não deixa de ser bandido. As coisas têm que ser muito claras. A mesa de negociação é um lugar muito duro, um ringue mesmo.

Vida própria

“A Lava-Jato não pertence ao MP, pertence à sociedade, ao mundo. Não é uma marca minha. Eu dei as condições necessárias para que outros colegas pudessem trabalhar, em Curitiba, no Rio, em São Paulo. A Lava-Jato não pertence mais ao Ministério Público. É um patrimônio da sociedade brasileira. Ela corre o mundo.

Marco

“Tem um momento para mim que foi um divisor de águas. O que deu impulso danado nas colaborações foi a decisão do Supremo, que disse: condenou em segundo grau, vai para a cadeia. Os caras começaram a fazer conta. A estratégia era empurrar, agora não tem mais jeito. Esse foi, na minha leitura, um dos pontos que gerou essa mudança. Grandes delações também chamaram todas as outras.

Morte do…

(ex-ministro Teori Zavascki) “Temi, sim. Eu sou agnóstico, eu creio muito pouco. Com a morte dele, eu passei a crer ainda menos. Eu dizia: não é possível. Esse foi um dos mais difíceis momentos, com certeza. Foi devastador para todo mundo. Ele era muito firme. Ainda bem que o ministro Fachin também é.

Sérgio Moro

“A gente está no meio de um lamaçal, no meio de bandidos, cheiro de podre para todo lado, só tem uma maneira de não se contaminar, a gente tem que ser reto. O Moro é duro, eu fui duro, e tem que ser mesmo.

Estacas de proteção

“O grupo de Curitiba foi muito importante. O juiz foi muito importante. Uma parte que pouca gente fala, mas que permitiu chegar até agora, o Tribunal Regional Federal da 4ª Região, que manteve com firmeza todas as decisões.

Futuro

“Quero ser julgado de maneira isenta. Se eu errei, que apontem os erros. Se eu acertei, que mostrem os acertos. Só isso.

Delações

“Essa história de que a gente prende para ter colaboração, muita gente falava isso, e a gente só mostrava a estatística: 85% são com pessoas soltas. A pessoa só tem medo de ser presa quando comete crime.

Roteiro

“A iniciativa tem que ser do colaborador, com advogado (…) Ele tem que dizer o crime que cometeu, o comparsa dele, como participou desse crime e revelar o caminho da prova. Se imputa falsamente, ele comete crime.

Rótulos

“Primeiro eu era petista, indicado pela Dilma. Quando viram o meu radar, virei perseguidor de político. Não estou criminalizando a política, estou criminalizando bandido.

Enganação

“A cidadania vem com força para 2018. Ninguém aguenta mais ser enganado dessa forma. Agora, é importante também que a política faça a sua parte. Temos que ter reforma política profunda”.

Na Capital

Em encontro partidário marcado para o plenário da Câmara Municipal, o vereador Bruno Farias será reconduzido hoje à presidência municipal do PPS pessoense.

Será uma tribuna para novos ataques à gestão do prefeito Luciano Cartaxo (PSD).

Trinca

O doleiro Lúcio Funaro, ligado à cúpula nacional do PMDB, afirmou em delação premiada que o presidente Michel Temer e os ex-deputados Eduardo Cunha (RJ) e Henrique Alves (RN) receberam cerca de R$ 250 milhões de propinas decorrentes de créditos da Caixa Econômica Federal que eram liberados para empresas, noticiou o jornal O Globo.

Sábado é dia de poesia

“… Já sonhamos juntos/ Semeando as canções no vento/ Quero ver crescer nossa voz/ No que falta sonhar…” (música ´Sol de Primavera´, do compositor Beto Guedes, que tem no título a estação das flores, que começou ontem).

Afinação

O PMN promove hoje, em João Pessoa, um encontro estadual.

“O objetivo é alinhar diretrizes, orientar o partido sobre posicionamentos que serão tomados em 2018 e discutir com os diretórios sobre a participação do partido nos municípios”, enfatizou Zennedy Bezerra, presidente estadual do PMN.

O detalhe

O PMN é considerada uma ´legenda alternativa´ de Luciano Cartaxo.

Se não ajudar…

Em (pelo menos) duas oportunidades, na recente festa de aniversário do senador José Maranhão (PMDB), o prefeito Romero Rodrigues e o ex-deputado Ruy Carneiro, presidente do PSDB/PB, trocaram algumas palavras.

RR renovou a ponderação, em forma de apelo, para que a direção ´tucana´, se não deseja estimular, não atue para obstacular a visibilidade de um filiado que se coloca à disposição do eleitorado para as eleições vindouras.

O PP anda muito calado sobre 2018 na Paraíba...

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