Jornalista há quase 30 anos, escreve a coluna Aparte desde 1991. Já trabalhou em TV, rádio e foi editor chefe do Jornal da Paraíba e colunista das TVs Cabo Branco e Paraíba. É comentarista político das rádios Campina FM, Caturité AM e editor do portal de notícias Paraibaonline.

sábado, 08/07/2017

´Batismo´ habilidoso

Outra ferida aberta

Coube ao senador Cássio descortinar outro momento tenso do governo cambaleante do presidente Michel Temer (PMDB), mediante a divulgação no jornal Folha de São Paulo, edição de ontem, de um diálogo recente do paraibano com investidores.

A matéria sinaliza que dias mais tensos ainda estão por vir. A reprodução do texto é o que segue.

É pra já

Em fala a um grupo de investidores nesta quinta (6), o senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) disse que, se depender do processo na Câmara, “dentro de 15 dias o país terá um novo presidente”.

Elevação

Para o tucano, a “instabilidade aumentou” com a prisão de Geddel Vieira Lima, o avanço da delação de Eduardo Cunha e a escolha de Sergio Zveiter (PMDB-RJ) como relator da denúncia na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça).

Ocaso

Evidenciando que uma ala do tucanato rifou Michel Temer, Cássio afirmou que “o governo caiu”.

Estagnação

Ao falar das reformas, ainda conforme a ´Folha´, Cássio disse que, se Temer continuar no Planalto, as propostas não passarão.

´Plano B´

O senador ainda enfatizou que Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da Câmara, já teria dado sinais de que não mexerá na equipe econômica se assumir o governo. “Maia deverá apresentar mais estabilidade.”

Contexto

Em entrevista ontem, CCL ponderou que “naturalmente, os 15 dias (para o fim do governo) foi uma força de expressão, uma vez que não há nem tempo material para que isso ocorra”.

Agravamento

O senador observou que “fiz apenas uma análise política”, mas reiterou que se o relatório da Comissão de Justiça da Câmara for “pela admissão do processo” contra Temer, “é claro que poderá provocar um ´efeito dominó´.”

“De fato, a situação do governo se agravou bastante”, reforçou.

Quase consenso

CCL revelou que seis dos sete deputados federais do PSDB que integram a Comissão de Justiça vão votar pelo prosseguimento da investigação contra Temer.

Aproximação

Na edição de ontem, o jornal Valor Econômico (SP) noticiou que o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), “passou a conversar mais com o mercado financeiro” desde o agravamento da crise política.

Blindagem

Um dos pontos mais recorrentes das conversas, destaca o jornal, são elogios à equipe econômica, numa demonstração obliqua de que, eventualmente elevado à condição de presidente interino da República, Maia manteria o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, fiador das reformas.

Ecoou

A contundência da fala de Cássio, prevendo a iminência da derrocada do presidente Temer, provocou reação quase instantânea do governador paraibano.

Traição

“Talvez eu preferisse nem comentar isso, mas esse é o retrato político do Brasil: a política ficou para os mais espertos, como algo descartável. Eu penso que quem trai a democracia por que é que não vai trair um amigo que, por ventura, tenha ocasionalmente?” – indagou RC.

 

Sem inocentes

Ricardo continuou: “Ou será que esse povo, que derrubou um governo sem crime de responsabilidade, não sabia quem era quem antes? Todo mundo sabia e esses participavam”, esgrimiu Ricardo Coutinho.

Esperteza

RC prosseguiu nas declarações e afirmou que “a política está ficando, cada vez mais, para alguns espertos. É preciso parar com isso. E só quem pode parar com isso, através da boa escolha, da depuração, é efetivamente a população”.

Sinuosidade

Caso contrário, ainda segundo Ricardo, “esses perfis que habitam a política no Brasil vão continuar produzindo cenas dantescas como esta: em uma semana (Cássio) diz que aquele que está lá é o melhor que tem, e na outra já prepara o pulo do gato para poder colocar outro e poder aumentar a sua influência, o seu poderio”.

Equívoco

“Quem deu o golpe talvez imaginasse que bastava a grande mídia abençoar, passar a mão na cabeça que governariam tranquilos impondo a sua pauta, que não era a pauta de 2014. Graças a Deus, eu mantive minha posição, porque democracia só muda no voto”, acrescentou o governador.

O ´no 1´

Igualmente não demorou a ´réplica´ do senador Cássio, que qualificou Ricardo como “o maior oportunista que a Paraíba já viu em termos de política”.

Todo o leque

Ainda conforme CCL, o atual governador “já se aliou com todo mundo, já se juntou com todo mundo e faz política por absoluto oportunismo. É um oportunista de carteirinha”.

Chamamento

Cássio observou que a decisão de Ricardo de não concorrer às eleições vindouras “compete a ele”, mas ressaltou que “teria muito gosto de enfrentá-lo nas urnas novamente o ano que vem”.

Da boca de…

“… Não é possível que as crianças de hoje saibam o que é milk shake e não saibam o que é um pão doce com caldo de cana…” (escritora pernambucana Elvira Oliveira, durante a recente posse da nova diretoria da Academia de Letras de Campina Grande).

Milionário

Na entrevista que concedeu esta semana à TV Itararé, o presidente da seccional paraibana da OAB, Paulo Maia, revelou que a entidade tem mais de R$ 9 milhões a receber de advogados que se encontram inadimplentes.

Agora é Lula

Conselho dado a deputados petistas de São Paulo: “Na dúvida e no aperto, a rua é o melhor caminho”.

Sábado é dia de poesia

“A fé é uma fonte que se alimenta do eterno. Nela, os homens se dessedentam e se revigoram, para as travessias das solidões e dos desertos da vida”.

Ronaldo Cunha Lima, inesquecível, cujo 5º aniversário de morte transcorreu ontem.

Na surdina

Apesar de não ter ocorrido, formalmente, disputa para a liderança do PMDB no Senado, o ex-líder Renan Calheiros (AL) tentou impedir a indicação do paraibano Raimundo Lira.

´Prepostos´

Sutilmente, Renan buscou viabilizar as indicações de Kátia Abreu (TO), Valdir Raupp (RO) ou Jáder Barbalho (PA).

Postura holística

Sabedor dessas articulações, Lira proclamou após a sua indicação que “o PMDB é um partido plural. Temos que ter sempre a convicção de que não vamos liderar uma bancada com pensamento único. Nosso objetivo é harmonizar a bancada e, em todos os momentos, refletir a maioria”.

Parece que Temer precisa de ´sete vidas´...
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