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Arimatéa Souza

quinta-feira, 25/03/2021

A pandemia da beligerância

´Universos paralelos´

Diante da gravidade do insano litígio entre os governos da Paraíba e de Campina Grande, em torno do combate à pandemia do coronavírus, este colunista volta a dedicar-se inteiramente ao tema, nesta edição, como forma de demonstrar a irracionalidade que permeia esses fatos, enquanto a escalada de notificações de contaminação e de mortes não dá trégua.

 

Recorte…

Na manhã de anteontem, diante do reiterado argumento da PMCG de que o governo estadual estaria punindo a cidade no rateio dos lotes periódicos de vacinas que têm chegado ao Estado, o secretário de Saúde da Paraíba, Geraldo Medeiros, disse à Rádio Caturité FM (104.1) que o Programa Nacional de Imunização é quem determina o quantitativo de doses para cada cidade.

… Recente

Mais: o quantitativo não foi calculado recentemente, mas no início do ano passado, e baseado no índice de imunização da vacina contra a gripe e no número de habitantes.

Desconhecimento

“A Secretaria de Saúde do Estado (SES) não tem nenhuma influência no quantitativo que é direcionado para cada município. Isso é tão evidente, que dos 223 municípios da Paraíba apenas um questiona. Infelizmente, não conhecem a gestão pública”, emendou o secretário.

Sobrecarga

Geraldo rebateu também a acusação de que a SES estaria encaminhando uma quantidade excessiva de pacientes com Covid-19 para o hospital municipal Pedro I: “Isso é um delírio onírico (psicose, alucinação)”.

´In loco´

Pouco tempo depois dessa entrevista, na sessão ordinária da Câmara campinense, o vereador Alexandre Pereira (PSD) se superou no exercício desmedido da representação do Poder Executivo, fazendo a sua participação remotamente a partir do Hospital Pedro I.

Contraponto

Na sua saudação inicial aos colegas, ele disse que a intenção era rebater as informações veiculadas que dão conta da indisponibilidade de leitos naquela unidade parlamentar.

Sob fogo cruzado

“Isso não é verdade (…) O que nós estamos sofrendo é simplesmente o desejo do governo estadual de que possamos chegar ao caos, para dar a ele a visibilidade que o governo estadual deseja”, cravou.

Ação…

Ainda segundo o líder, o governo estadual “tem agido de uma forma muito violenta, nos órgãos de imprensa institucional ´entre aspas dele´, para querer mostrar que a nossa cidade estaria vivendo um caos na saúde”.

… Deliberada

“(Isso) não é verdade. O Estado está agindo de forma muito baixa, sorrateira, no sentido de querer colocar Campina no patamar de outras cidades, sem mostrar a incompetência do governo no período de veraneio. E agora querem colocar (a culpa) em Campina Grande”, bradou o líder.

Perversidade

Prosseguiu o líder: “Repudio a ação perversa, maldosa e diabólica do governo João Azevedo, que tenta colocar Campina em um patamar de desespero que não existe, porque fizemos o ´dever de casa´ desde março do ano passado”.

´Discípulo´

“O governo Azevedo usa as artimanhas como um aprendiz do mal do ex-governador Ricardo Coutinho”, continuou na ofensiva Alexandre.

Réplica

A partidarização seguiu adiante na sessão.

O vereador Anderson Almeida (Podemos), líder do bloco de oposição, reagiu prontamente.

Confrontação

“Alexandre tenta, mais uma vez, esticar a corda entre Estado e prefeitura. Estamos cuidando de vidas. Que o ego dos governantes não ultrapasse a questão da vida da população, que sofre muito”.

Descuido

“Por que a prefeitura reabriu a UPA do Alto Branco exclusivamente para Covid? Se reabriu, é porque fechou”, verbalizou Almeida

Truculência

“Querem impor na força e no grito uma realidade que não existe (…) Não é a gritaria que resolve”, avançou o líder oposicionista.

Seguidor

“Me mostre o novo Hospital da Criança, que só tem a fachada (…) Não podemos viver de balela (…) O prefeito de Campina está seguindo o exemplo do presidente Bolsonaro”, acrescentou Anderson.

O que importa

Nesse momento da sessão, a vereadora ´Dona Fátima´ (Podemos) ponderou junto aos colegas: “Essa não é a hora de discutir quem é bom ou melhor. É hora de buscar soluções para os problemas da cidade”.

Sem derivação

“Não levemos esse momento para os palanques políticos”, apelou a vereadora Carol Gomes (PSD).

Comando único

Na manhã de ontem, veio à tona a decisão do juiz Ruy Jander Teixeira da Rocha, titular da 3ª Vara da Fazenda Pública de Campina Grande, determinando que seja unificada, em nível estadual, a Central de Regulação para os leitos destinados aos pacientes com Covid-19 na rede conveniada ao SUS, algo que vinha sendo feito pela Secretaria de Saúde da PMCG.

Embasamento

O magistrado – ao julgar a ação proposta pela Procuradoria Geral do Estado – fundamenta a sua decisão em deliberação do Comitê Intergestores Bipartite – CIB, composto por gestores municipais indicados pelo Conselho de Secretarias Municipais de Saúde (Cosems), através da Resolução CIB-PB nº 70, de 21 de maio de 2020.

Inconveniente

“Não me parece legítimo se limitar o atendimento num determinado município, que sempre atua como polo regional no sistema de saúde pública”, assina o juiz.

Alcance

À sua ótica, “os principais atingidos pelo não fornecimento do serviço público de saúde, no que tange à obrigação do Município de Campina Grande, é toda a sociedade do Estado”.

Regência

“É induvidoso que o fornecimento público do serviço de saúde é regido pelo princípio da universalidade, fato consagrado na Constituição Federal de 1988”, sublinha Ruy Jander.

Inoportuno

Para o titular da 3ª Vara da Fazenda Pública, “tendo em vista o princípio da corresponsabilização dos entes públicos, não há que se falar em isolamento de um Município como uma ilha no atendimento à saúde diante de uma pandemia”.

Celeridade

O magistrado determinou um prazo máximo de 24 horas para a transição dessa regulação, sob pena da aplicação de multa diária de R$ 50 mil à PMCG.

Tradução

Entenda-se por central de regulação, uma espécie de organização do fluxo de acesso às áreas hospitalar e ambulatorial, visando adequar a oferta disponível na Rede SUS de determinada região às necessidades imediatas da população.

Inconsequente

“Essa queda-de-braço não interessa a ninguém”, enfatizou já na sessão de ontem da Câmara campinense o vereador Olímpio Oliveira (PSL).

´Bolsonarizou´

Ainda nessa sessão, o vereador Rubens Nascimento (DEM) afirmou que Campina “sofre certa retaliação” devido ao fato do “alinhamento da cidade às pautas do governo federal”.

Via ilegítima

O edil demista disse que o Estado atua “com arbitrariedade”, buscando o Judiciário.

Mergulhar CG…

Diante da decisão judicial acima referida, o prefeito Bruno Cunha Lima (PSD) comentou que há uma tentativa de montar uma ´força-tarefa´ para, de forma orquestrada, tentar colapsar o Hospital Pedro I e a rede municipal de Saúde da cidade, por motivações políticas.

… “No caos”

“Para mim, fica muito clara a tentativa de se criar um problema para incluir Campina no caos que o próprio governo do Estado criou. Ao invés de fazer a sua parte ampliando leitos, desmontou hospital de campanha em João Pessoa e fechou leitos na primeira macrorregião”, acentuou BCL.

Invocação aos MPs

Adicionalmente, o prefeito disse que estranha a decisão, pois os próprios Ministérios Públicos Estadual e Federal não têm conhecimento de nenhuma denúncia ou de problema na regulação e no gerenciamento da saúde em Campina Grande.

Nitidez

“A Central Estadual de Regulação, mesmo tendo no Hospital de Clínicas 90% de vagas nas enfermarias, permaneceu pedindo transferências para o Hospital Pedro I. Fica claro que há uma tentativa de colapsar o Hospital Pedro I”, pontuou Bruno,

Desejo oculto

O prefeito reforçou que “sempre que solicitado, o hospital (Pedro I) esteve e permanece de portas abertas. Querem, com uma falsa narrativa, colapsar o complexo hospitalar da cidade, sendo esta a real intenção do governo do Estado”.

Retrovisor

Dia 18 de dezembro último, João Azevedo e Bruno Cunha Lima conversaram no Palácio da Redenção, em João Pessoa, ou seja, antes da posse de BCL.

Quatro mãos

“Só há como enfrentar essa doença com a união de esforços, com a expertise e estrutura de cada um (Estado e PMCG)”, afirmou o governador na ocasião.

Ação conjunta

Na mesma ocasião, o então prefeito eleito declarou que “nós entendemos que devemos evitar um aumento ainda maior do contágio, a partir da responsabilidade de cada um de nós no cuidado e no atendimento à parte sanitária”.

Sem bandeira branca

Três meses depois, como é possível deduzir, a gravidade da pandemia mostra-se proporcional à propensão para a confrontação.

Os ´exércitos´ retóricos, de lado a lado, estão afiados para embate público e sem filtros.

Que seja sábio e verdadeiro um provérbio chinês, segundo o qual “quanto maior for o caos, mais perto estará a solução”.

Bola de neve: e tudo começou com uma discussão sobre a ´cor da bandeira´...
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