Jornalista há quase 30 anos, escreve a coluna Aparte desde 1991. Já trabalhou em TV, rádio e foi editor chefe do Jornal da Paraíba e colunista das TVs Cabo Branco e Paraíba. É comentarista político das rádios Campina FM, Caturité AM e editor do portal de notícias Paraibaonline.

sábado, 17/02/2018

A nova oferta ao PDT

Reflexão que vem da ´sacristia´

O período quaresmal no Brasil é marcado, ao longo das últimas décadas, pelo lançamento da Campanha da Fraternidade, um forte momento no calendário litúrgico da Igreja Católica no País, promovido pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

O tema proposto pelos bispos para este ano é polêmico, atual e – diria – inevitável nos tempos atuais: ´fraternidade e superação da violência´.

Precedentes

Na verdade, com o seu atilado senso histórico e social, a milenar Igreja, em outras ocasiões, já havia proposto à sociedade o debate do mesmo assunto, de maneira correlata.

Caminhada

Em 1997, foi a abordada a questão da ´fraternidade e os encarcerados´; em 2001, ´Vida sim, drogas não!´; em 2009, ´fraternidade e segurança pública´.

Alocução

Quando do lançamento da CF em Campina Grande, na quarta-feira de cinzas, o novo bispo diocesano, Dom Dulcênio Fontes de Miranda foi enfático nas declarações, ensejando um desdobramento político-partidário que transcendeu, em muito, a sua preocupação cidadão.

Embate

Igualmente, ao que parece, ele denotou que ainda não aquilatou a dimensão que possui, lamentavelmente, a disputa política local, que perpassa e ignora o calendário eleitoral, e se apossa do cotidiano para retroalimentá-la.

O que disse o bispo?

“Exigimos das autoridades competentes que haja mais segurança (…) O que eu posso lhe dizer, com toda segurança, e já experimentei aqui em Campina, nós estamos ao Deus dará.

Atenção especial

“Nós precisamos que as autoridades competentes, a começar pelo nosso governador, que olhe um pouco mais para Campina Grande, porque está a violência muito grande.

Massificação

“Nós vamos intensificar, vamos fazer um trabalho durante a CF (quaresma) para que a sociedade tome consciência de que nós estamos mergulhados, e não estamos protegidos por aqueles que deveriam nos proteger”.

Contraponto

Fiel ao seu estilo, prontamente Ricardo Coutinho respondeu às observações episcopais: “Talvez o bispo tenha se referido à violência, e eu concordo inteiramente. Só que a violência não é promovida pelo Estado. A violência é promovida pelos setores da sociedade.

Estatísticas

“Algumas pessoas, evidentemente nem todo mundo tem a obrigação de entender de segurança pública. E essas pessoas quando têm acessos aos dados – e, com certeza, o nosso bispo não teve acesso a nenhum sobre segurança. Se ele tivesse acesso aos dados, saberia que o número de homicídios em 2017 foi menor do que o de 2009 na cidade.

Diferencial

“A Paraíba é o único Estado do Brasil a durante seis anos seguidos reduzir os crimes contra a vida.

Proativo

“Eu, como governador do Estado, mais do que qualquer uma outra pessoa, tenho compromisso e tenho energia dedicada para buscar compreender e agir para poder diminuir a violência.

Sem preposto

“Eu tenho, efetivamente, acompanhado e tudo que é positivo ou negativo em não coloco em colo de assessor ou de secretário. Eu coloco sob a minha responsabilidade. Eu sou dessa forma.

 

Atuação

“Nenhum Estado brasileiro, nesses sete anos de governo, teve a performance que a Paraíba teve na segurança pública. E desafio qualquer um a demonstrar, não com palavras – porque palavras, em certos momentos, embutem emoções, que são legitimas -, mas com dados. Eu trato de políticas públicas, e não de eventos isolados”.

Óticas

Em algum grau, e sob as suas respectivas angulações, pastor e governante têm razões para as declarações que realizaram, que não são predominantemente conflitantes.

Ensinamento

Para se avançar eficazmente nesse debate nacional que está sendo estimulado pela CNBB, é recomendável invocar o próprio texto-base da CF 2018: “A superação da violência nasce da relação com o outro. A cultura da paz acontece em todas as realidades da vida e na relação com todos os seres”.

Audacioso

Se alguém tinha dúvidas do perfil gélido e calculista de Michel Temer, a partir de ontem teve que eliminá-las ou reduzi-las substancialmente.

Dedo na ferida

Numa iniciativa ousada, o presidente da República trouxe integralmente para si a responsabilidade de gerenciar o completo (e complexo) caos na estrutura de segurança pública do Rio de Janeiro até o final de seu mandato – dezembro próximo.

Efeito…

Além da insustentabilidade da situação, que clama algum tipo de iniciativa antes de o poder público perder integralmente o controle dos espaços coletivos na cidade, o gesto de Temer significa que ele refez a aposta para tentar melhorar a sua popularidade e – no limite do seu positivismo – se lançar na (aparentemente inglória) batalha por buscar a reeleição.

… Político

Indiretamente (quem sabe também propositadamente), Temer tira de cena a reforma previdenciária, provavelmente pelo reconhecimento da inexistência dos votos mínimos (308 deputados) para a sua aprovação.

 

Nessa perspectiva, a ação presidencial pode ser interpretada como uma saída honrosa para evitar o malogro e o desgaste da votação.

Desfocar

Mas – nunca se sabe – pode igualmente se constituir numa estratégia para tentar a aprovação enquanto as atenções do País se voltam para a ´cidade maravilhosa´.

Situando

Pela Constituição Federal, com a existência de uma intervenção federal não pode ser promovida emenda à própria CF.

Avançar o…

O prefeito campinense Romero Rodrigues (PSDB) está propenso a solicitar uma nova reunião da direção estadual do partido, ainda este mês, para tratar da sucessão estadual.

… Calendário

Ele cogita aceitar a antecipação das decisões acerca da chapa majoritária da oposição.

Renovação da vice

Não trocar o certo pelo duvidoso. Esse princípio é, na essência, o que inspira a proposta que a cúpula do PSB deu publicidade esta semana, e anteriormente ecoou nos ouvidos da família Feliciano – leia-se PDT/PB.

– Lígia (Feliciano) está nesse processo todo e sabe da importância da continuidade desse projeto. Isso vem sendo conversado e discutido. Cada partido tem sua autonomia. A decisão é dela: se fica como vice ou se sai candidata. Haverá possibilidade de se repetir a aliança – comentou ontem o pré-candidato a governador pelo PSB, secretário João Azevedo.

Vem aí um ´rebuliço´ no MDB/PB...
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