Jornalista há quase 30 anos, escreve a coluna Aparte desde 1991. Já trabalhou em TV, rádio e foi editor chefe do Jornal da Paraíba e colunista das TVs Cabo Branco e Paraíba. É comentarista político das rádios Campina FM, Caturité AM e editor do portal de notícias Paraibaonline.

sexta-feira, 05/01/2018

A ´liturgia´ de Zé

Endereços certos

O experiente senador José Maranhão (MDB) subiu ontem a ´Serra da Borborema´ com três itens primordiais em sua agenda: um encontro com o sobrinho e médico Mirabeau Maranhão; uma entrevista com este colunista; e uma conversa com o prefeito Romero Rodrigues (PSDB).

Esse último item foi desdobrado em dois, como se lerá mais adiante.

Sem extremos

Ao abrir o leque de perguntas, perguntei a Zé se a sua candidatura ao governo será “inevitavelmente” oposição?

“Não necessariamente”, devolveu ele, para emendar adiante: “Eu posso ter votos em todos os partidos”.

Na bagagem

JM justificou que “o momento presente da vida politica nacional e local recomenda” que o eleitorado leve em consideração dois fatores que apontou como “fundamentais”: “ter vida pública limpa e comprovada competência”.

Aversão

O senador observou que “o eleitorado tem revelado, através das pesquisas, um descrédito total na classe politica, que terminou nivelando-a por baixo”.

Causa

JM declarou algumas vezes que o distanciamento do MDB (ou de parte dele) do governador Ricardo Coutinho (PSB) se desvia à cobrança de RC por um sistemático alinhamento incondicional.

Convergência

Confrontado se foi acerto ou equívoco o apoio ao socialista no 2º turno do pleito de 2014, JM respondeu que o seu partido “votou pela convergência nacional”, uma vez que Ricardo apoiou as candidaturas da ex-presidente Dilma Rousseff e de Michel Temer.

Retomada

Maranhão recordou as tratativas que teve naquele ano com o senador Cássio (PSDB), na fase ´embrionária´ da reaproximação entre ambos, quando havia a hesitação mútua no tocante à reação da opinião pública e dos correligionários de ambos.

Reconhecimento

“Cássio, com coragem e coerência, já fez essa ´mea culpa´”pela não aliança à época”, pontuou.

Reciprocidade

Quando enveredei pela visível aproximação com o prefeito Romero, JM respondeu que “tenho procurado corresponder à atenção que ele tem comigo. E acho absolutamente normal que isso aconteça”.

Parceria

Zé deu um ´verniz´ na sua postura atual: “Estamos vivendo um tempo novo na política da Paraíba, diferente daquela linha divisória, odienta, do ao correligionário tudo e ao adversário, nada. Nós temos que colaborar com as administrações operosas”.

 

Janela aberta

O colunista indagou Maranhão se ele havia sondado ou convidado Romero para ingressar no PMDB.

“Não fiz esse convite, mas seria uma boa ideia”, disse prontamente.

Astuto

Sobre o eventual (ou provável) desapontamento do deputado Veneziano (MDB) com os seus gestos na direção de Romero, o senador foi sutileza em estado bruto: “Veneziano não expressou nenhum tipo de reprovação às atenções que eu recebi do prefeito de Campina Grande”.

Projeto…

Quando questionado sobre como convenceria o vice-prefeito pessoense Manoel Júnior de aceitar (e aderir) ao projeto de candidatura própria a governador, mesmo ele estando na expectativa de suceder ao prefeito Luciano Cartaxo (PSD) a partir de abril próximo, Zé disse que “não posso pedir para ele absorva isso ou aquilo”.

… Coletivo

“Nós temos discutido politicamente essas questões todas. Converso democraticamente com Manoel. Isso não é uma questão pessoal, mas politica”, acrescentou JM, para lembrar que “fui lançado pré-candidato a governador pelo meu partido, e foi por unanimidade”.

Vaga cativa

José Maranhão foi enfático ao se reportar ao compromisso partidário com a campanha à reeleição de seu colega de Senado Raimundo Lira.

E garantiu que, em qualquer circunstância ou cenário, a candidatura dele está assegurada.

Aliados

Ao tratar sobre alianças para a chapa majoritária do MDB/PB, Zé declarou que “não estou querendo marchar sozinho. Eu vou buscar as alianças. Estou trabalhando para isso”.

´Arremeteu´

No final da entrevista, um ´papo reto´.

Colunista: O senhor se sente bem mais próximo do PSDB do que o PSDB estaria do PSD?

“Eu não pensei ainda para fazer essa avaliação (…) Eu não quero fazer essa avaliação. Os meus dentes em politica não estão nascendo agora. Já estão nascidos”, derivou.

Linha direta

No turno da tarde, Maranhão foi ao encontro de Romero Rodrigues, com quem também esteve, ao que se informa, na virada do ano.

Até posaram alegremente para uma foto.

Talhares

Lá em cima, falei do desdobramento da agenda maranhista, ontem, em Campina.

É que, ao lado de amigos comuns, Zé e Romero jantariam à noite num dos restaurantes da cidade.

O que rola em Brasília

Enquanto isso, na edição de ontem do jornal O Estado de São Paulo uma nota intitulada “novos amigos” noticia que senadores paraibanos e antigos adversários, José Maranhão e Cássio Cunha Lima negociam uma aliança para o governo. Com 84 anos, Maranhão quer, como vice, o deputado Pedro Cunha Lima, de 29 anos, filho de Cássio.

APARTE, há semanas, registrou que Pedro ´taxiava´ para a chapa majoritária.

Tem vice-prefeito cogitando trocar de partido?...
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