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Arimatéa Souza

segunda-feira, 23/12/2019

A indignação da PGR

Sem respirar

Pois é, nos tempos atuais tem operação da Polícia Federal até nos finais de semana.

Sábado último, enquanto a Paraíba acompanhava os desdobramentos da prisão de Ricardo Coutinho e o impasse no Superior Tribunal de Justiça sobre qual ministro despacharia o seu pedido de soltura, a PF realizou a Operação Pés de Barro que visa apurar o pagamento de mais de R$ 1 milhão e 200 mil em propinas resultantes do superfaturamento das obras da ‘Adutora Capivara’, no Sertão paraibano.

A operação tem como base a delação do empresário George Ramalho.

Petebista

O deputado Wilson Santiago (PTB-PB) está entre os alvos da investigação e foi afastado do cargo por determinação do ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal.

Alcance

Foram 13 mandados de busca e apreensão, quatro de prisão preventiva, além de sete ordens de afastamento das funções públicas nas cidades de João Pessoa, Uiraúna e São João do Rio do Peixe e Brasília.

Leque

O rol de investigados engloba o prefeito de Uiraúna, João Bosco Nonato Fernandes, quatro assessores de Wilson Santiago e um funcionário da prefeitura, bem como um empresário com nome ainda não confirmado.

Origem

A ordem para a operação partiu do ministro Celso de Mello, decano do Supremo Tribunal Federal.

Indisponibilidade

Até o gabinete de Wilson Santiago em Brasília foi vasculhado.

Houve também o bloqueio de bens imóveis dos investigados para ressarcir os cofres públicos dos desvios apurados.

Pelo ralo

As obras foram contratadas inicialmente por R$ 24.807.032,95 e dizem respeito à construção de um sistema que deve se estender de São José do Rio do Peixe a Uiraúna.

A PF informou que a distribuição de propinas chegou a R$ 1.266.050,67.

Enquadramento

Conforme a tipificação, os investigados deverão responder pelos crimes de peculato, lavagem de dinheiro, fraude licitatória e formação de organização criminosa, cujas penas, cumulativamente, passam 20 anos de reclusão.

Situando

Historicamente, ‘pés de barro’ significa riquezas que não se sustentam do ponto de vista moral.

Defesa

A assessoria de Wilson Santiago divulgou nota na qual informa que ele “recebe com respeito e acatamento a decisão do Ministro Celso de Mello”, mas está “absolutamente tranquilo e demonstrará, em momento oportuno, a inexistência de qualquer relação com os fatos investigados”.

Repasses

A PF revelou ter comprovado 16 entregas de dinheiro em benefício do prefeito de Uiraúna e de Santiago.

Os pagamentos ocorreram diferentes locais de Brasília e da Paraíba.

´Esconderijo´

Em uma dessas entregas, os agentes flagraram o prefeito Bosco colocando na CUECA R$ 25 mil, que seriam destinados a Santiago.

Ele alegou que “a camisa seria curta”. Estava no hotel ‘Vó Ita’ na cidade de Sousa.

Destinos

Houve entregas também na sede do PTB, em João Pessoa; estacionamento de hotéis e de supermercados em JP; Edifício Holanda, em JP; Gravatá Flat Hotel, em Cajazeiras; Pousada Verde Mar, em JP; Hotel Kubitschek Plaza em Brasília.

Data especial

Hoje é a data de aniversário do inesquecível amigo e jornalista William Monteiro de Lima, que Deus chamou à Sua presença há aproximadamente um mês.

Semeadura

Quando de sua partida, contei neste espaço a árvore que ele plantou e cultivou na calçada da residência onde moro.

Visualização

No meu facebook está publicada a foto dessa árvore, vigorosa e frondosa, servindo de sombra para muita gente, inclusive, para anônimos que não o conheceram e, portanto, não sabem quem lhes proporcionou tamanho alívio no sol escaldante deste final de ano.

Abrigo

Mas é importante realçar algo mais. Diariamente, nos primeiros raios solares e quando do amarelar crepuscular de cada final de tarde, inúmeros pássaros, predominantemente Bem-te-vis, entoam dessa árvore seus cantos singulares: pela manhã, entoam os acordes da chegada de um novo dia; à tarde, sinalizam o prenúncio do reinado das estrelas e o brilho ímpar da lua.

Atemporal

Os pássaros são a demonstração viva (e bela) de que quem cultivou amizades e plantou árvores tem vida eterna.

Da boca de…

“… A nossa missão precisa continuar…” (Márcia Lucena, prefeita da cidade do Conde, após ser liberada da prisão, no final de semana. Ela é ex-secretária de Educação do Estado e está sendo investigada na Operação Calvário).

Inesperada

A liberação do ex-governador Ricardo Coutinho (PSB) por parte do ministro Napoleão Maia, do Superior Tribunal de Justiça, na tarde do último sábado, surpreendeu a Procuradoria Geral da República (PGR).

Liderança

Em parecer encaminhado ao ministro acima citado, a PGR, através do vice-procurador-geral Humberto Jaques de Medeiros, se posicionou enfaticamente em sentido contrário, sob a alegação de que RC continuaria, se liberado, a liderar o grupo que supostamente desviou R$ 134,2 milhões em recursos da saúde e da educação no Estado, preservando a “estrutura delitiva no atual governo”.

Proeminente

Conforme o procurador, a liderança política do ex-governador é ‘fortíssima’.

Captura

“Estamos diante, portanto, de uma flagrante situação de gravíssimos crimes praticados por uma organização criminosa, a qual, sem nenhuma dúvida, o paciente (RC) lidera. Temos o Estado capturado e refém de organização criminosa”, enfatiza o vice-procurador.

Restauração

Noutro trecho, o titular da PGR acentua que “a sociedade paraibana viu o movimento das instituições de persecução e responsabilização na direção do desmonte de organização que capturou o Estado. A prisão restaurou a ordem pública. A liberdade do paciente, ainda que no plano individual seja clemente, no plano coletivo, social e público é um atentado contra a ordem pública”.

Manutenção

À ótica da PGR, a liderança de RC seria tamanha que, mesmo diante de “inúmeros escândalos de irregularidades” envolvendo as duas organizações sociais investigadas no esquema criminoso, o atual governador manteve seus contratos.

Bom velhinho

Nota publicada no final de semana no jornal O Globo: “Se Napoleão Nunes Maia, ministro do STJ, pudesse fazer um pedido ao Papai Noel, seria para o ex-procurador-geral da Paraíba Gilberto Carneiro, preso na operação que levou Ricardo Coutinho para a cadeia, não resolva delatar”.

Muito trabalho pela frente para a PF...
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