Jornalista há quase 30 anos, escreve a coluna Aparte desde 1991. Já trabalhou em TV, rádio e foi editor chefe do Jornal da Paraíba e colunista das TVs Cabo Branco e Paraíba. É comentarista político das rádios Campina FM, Caturité AM e editor do portal de notícias Paraibaonline.

sábado, 16/09/2017

A encenação e os fatos

´Rei posto´

Chegou ao final, ontem, o longo ´reinado´ do deputado estadual Tião Gomes (cerca de 12 anos) à frente do PSL no Estado, legenda que está sendo ´rebatizada´ nacionalmente como ´Livres´.

O comando do partido passa a ser exercido pelo vereador pessoense Lucas de Brito.

 Oxigenação

“A decisão é parte do processo nacional de renovação (…) com o objetivo de oxigenar as práticas partidárias de modo a possibilitar o aumento da contribuição cívica do PSL em meio ao contexto político turbulento que o Brasil atravessa”, enfatiza a nota divulgada pela direção nacional.

Retaguarda

Objetivamente, o pano de fundo dessa troca de comando é o processo eleitoral do ano que vem: Tião Gomes é um aguerrido aliado do governador Ricardo Coutinho (PSB), e Lucas um partidário do prefeito pessoense e pré-candidato a governador Luciano Cartaxo (PSD).

Pé na estrada

Dessa maneira, muito provavelmente Tião deverá anunciar em breve o seu novo destino partidário, assim como o ex-deputado Álvaro Gaudêncio Neto, que há poucos dias foi reinvestido no comando da legenda em Campina Grande.

Controversa

A indicação do advogado paraibano Walter Agra para o cargo de procurador-geral do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) encontrou resistência no governo federal e entre especialistas da concorrência.

Origem

Conforme o jornal ´Estadão´, a rejeição é principalmente ao fato de ele não ser funcionário de carreira da Advocacia Geral da União (AGU), como os últimos ocupantes do cargo, e também por ele ser ligado ao PMDB, ao ex-presidente José Sarney e ao ex-senador Cícero Lucena (PSDB-PB).

“Afronta”

“A nomeação constitui uma afronta, além de um desprestígio, à representação constitucional conferida à AGU para o exercício das atividades de assessoria jurídica e da representação judicial e extrajudicial dos Poderes da União e de suas autarquias e fundações públicas federais”, afirma uma nota remetida à Presidência da República pela Associação Nacional dos Advogados Públicos Federais.

O detalhe

Não existe determinação legal de que o chefe da procuradoria do Cade seja servidor público ou da carreira dos advogados da União.

Só lembrando

Caberá ao procurador dar pareceres jurídicos sobre os principais casos que tramitam no Cade, entre eles mais de 30 processos relacionados à Operação Lava Jato.

Apartidário

Em entrevista ao ´Estadão´, Walter Agra declarou que “nunca fui filiado a nenhum partido político e não tenho nenhuma ligação com partidos nem com o ex-presidente José Sarney, que, infelizmente, nunca conheci”.

Ocaso

Está chegando ao fim a ´era Janot´ como procurador geral da República, marcada por muita controvérsia, muitas ações e muitas altercações com o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, e com o ex-presidente da Câmara Federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

 

Citações

O site jurídico ´J´ fez uma compilação das invocações filosóficas que embasaram as petições de Rodrigo Janot ao longo dos últimos anos, que vão do líder e pacifista indiano Mahatma Gandhi, passando pelo poeta e jornalista Millôr Fernandes, o advogado e poeta Gregório de Matos, entre outras.

Exemplo

Na peça jurídica original da ´Lava Jato´, em 2015, Janot encarou o então ´todo-poderoso´ Cunha, citando Gandhi:  “Quando eu me desespero, eu me lembro que, durante toda a história, os caminhos da verdade e do amor sempre ganharam. Têm existido tiranos e assassinos e, por um tempo, eles parecem invencíveis, mas no final sempre caem. Pense nisto: sempre”.

Garimpo

Vale a pena reproduzir trechos – numa semana marcada pela troca de insultos entre o ex-presidente Lula e o seu ex-ministro Antonio Palocci (Fazenda) – de um recente artigo escrito pelo renomado jornalista Clovis Rossi (Folha de São Paulo)

´Seita´

“Desde que chegou ao poder, em 2003, o PT deixou de ser um partido para se transformar em uma seita que adora um único santo, um certo Luiz Inácio Lula da Silva.

Não assimilável

“Não dá para o lulismo aceitar que seu sumo sacerdote não seja santo. Fazê-lo destruiria os pilares em que se sustenta a seita.

Sem espantar

“Nem chega a ser novidade: a promiscuidade de Lula com as empreiteiras (não apenas com a Odebrecht) é notória faz algum tempo.

Efeito

“O que Palocci fez foi substituir a palavra ´promiscuidade´ por ´pacto de sangue´ – que é bem mais eloquente e mais suscetível de ser elevada às manchetes.

Retrovisor

“Vê-se agora que o profeta Lula não é bom em profecias. Em abril, dia 26, soltara nota em que dizia: ´Palocci é meu amigo, uma das maiores inteligências politicas do país. Ele tá trancafiado, mas não tenho nenhuma preocupação com delação dele´.”

Sábado é dia de poesia

“… Você mulher de corpo e alma/ Estremece a minha calma (…) Eu esqueço a tristeza/ Me perco nessa beleza…” (Benito di Paula, que fez shows dias atrás em Campina Grande e João Pessoa).

Ensaios

Nos últimos dias, a crônica política tem relatado quase diariamente gestos recíprocos de fidalguia entre Ricardo Coutinho e José Maranhão (PMDB).

Adubando

Ambos informam que até acertaram para oportunamente uma conversa politica mais demorada.

É apenas para dar manchete, ocupar espaço na mídia e provocar alvoroço na oposição.

Entendimento preliminar

Zé e o ´mago´ já conversaram prolongadamente há vários dias. E as promessas governamentais fizeram o peemedebista – pelo menos – avaliar a proposta de estarem juntos no mesmo palanque em 2018.

Por enquanto, as emulações atendem ao interesse de ambos.

Trocas ruidosas de partido à vista...
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