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Arimatéa Souza

quarta-feira, 11/03/2020

A devassa continua

Tensionamento

Como se sabe, o calendário eleitoral programa para o final de julho a realização das convenções partidárias para a homologação de candidaturas a prefeito e vereador nas eleições deste ano.

Mas o afunilamento da disputa pela indicação majoritária, dentro da base governista em Campina Grande, entre Bruno Cunha Lima e Tovar Correia Lima, poderá levar o prefeito Romero Rodrigues a antecipar para (até) o começo de abril a proclamação do candidato governista à sua sucessão.

Distrato

O deputado Felipe Leitão – líder do grupo ´G10´ na Assembleia Legislativa – anunciou ontem que vai se desligar do Democratas nos próximos dias.

Ele não antecipou qual será a sua próxima legenda.

O detalhe

Felipe pretende disputar o cargo de prefeito de Cabedelo.

Limpar a pauta

A Assembleia Legislativa inicia na sessão ordinária de hoje a votação de dezenas de vetos do Poder Executivo (52) que estão à espera de deliberação.

Caminho de casa

O deputado João Gonçalves deverá reassumir no final desta semana o seu mandato na Assembleia Legislativa, deixando o cargo de secretário de Articulação Política do Estado.

Nova…

Gonçalves, ao que se informa, tem sido estimulado a disputar novamente a Prefeitura de João Pessoa.

… Tentativa

“Você ainda não é candidato porque não quer”, teria comentado com ele, dias atrás, o governador João Azevedo (Cidadania).

Retrovisor

Arremate da edição de segunda-feira de APARTE: “A semana ´promete´ na Paraíba…”

Torrente

Os paraibanos amanheceram no dia de ontem sob os ecos de mais uma fase (8ª) da Operação Calvário, cuja essência é o aprofundamento da investigação acerca da utilização de jogos lotéricos para enriquecimento e/ou ´lavagem´ de propinas oriundas da organização social (OS) Cruz Vermelha Brasileira (CVB).

Dupla motivação

Simultaneamente, houve a prisão do radialista Fabiano Gomes – já envolvido com a Operação Xeque-Mate -, sob a suspeita de se constituir num ´operador´ no esquema da ´Calvário´, e com a acusação de tentar pressionar e/ou extorquir envolvidos nessa última.

Garimpo

Como novamente é vasto o volume de indícios levantado pelo Ministério Público da Paraíba, através do Gaeco, cabe pinçar – para contextualizar o leitor – trechos do despacho do desembargador Ricardo Vital de Almeida ao autorizar essa nova fase. É o que segue.

Sem parar

“A ´Operação Calvário´ investiga um gigantesco esquema criminoso caracterizado pela busca incessante, e a todo custo, pelo poder e por vantagem financeira, esta última regada a propinas pagas por variados agentes econômicos e operadores.

´Esquentar´…

“Segundo as investigações o alto comando da enfocada ORCRIM (organização criminosa), para atingir seus objetivos, ´fazia uso de técnicas de lavagem de dinheiro, materializadas, em essência, pela manipulação de um pool de empresas instrumentárias e no uso de um plexo de asseclas, etiquetados como ‘laranjas’, para mascarar suas respectivas participações em eventuais negócios espúrios e/ou na administração do destino de recursos que desaguavam nos cofres de estruturas governamentais´.

… O dinheiro

“Um exemplo disso seria a Lotep, autarquia estadual que teria sido utilizada para ocultar patrimônio e dificultar o rastreamento de dinheiro.

Avanço

“Não obstante o foco da investigação tenha se centrado nos eventos iniciados a partir de 2010 (relativos à chegada do senhor Daniel Gomes à Paraíba), diversos outros episódios demonstram que a atuação da sugestiva ORCRIM se protraiu (avançou) no tempo, denotando possuir habitualidade e ânsia dos seus membros por obtenção de vantagens ilícitas, não se limitando, por conseguinte, ao período em que Ricardo Coutinho esteve à frente do Governo.

Gestor

“O investigado/denunciado Coriolano Coutinho (suposto integrante do Núcleo Financeiro Operacional da ORCRIM (…) sendo aparentemente responsável por administrar a rede de interpostas pessoas da família ´Coutinho´.

Expansão

“Daniel Gomes da Silva (suposto integrante do Núcleo Econômico da ORCRIM), em sua colaboração revelou que, no final de 2017, a Cruz Vermelha Brasileira, filial Paraíba, recebeu convite da empresa Bilhetão Serviço e Intermediação LTDA para lançar um ´certificado de contribuição´ no Estado, havendo discutido a proposta com a então Secretária-Geral da Cruz Vermelha/PB, Mayara de Fátima Martins de Souza, decidindo assinar o contrato com a empresa Bilhetão Serviço para lançar o produto “Bilhetão da Sorte”, o que ocorreu em 7 de novembro de 2017.

Impedimento

“Segundo apontaram as investigações, Coriolano seria, senão ´dono´, ´sócio oculto´ da empresa Paraíba de Prêmios, e, assim, não teria admitido que a Cruz Vermelha (CVB) ingressasse na área (loterias), gerando concorrência, ordenando, em reunião com Daniel Gomes, que a CVB/PB não se envolvesse no respectivo ramo.

´Operador´

“Fabiano Gomes da Silva, possível integrante da organização criminosa investigada. Segundo indicam o produto das buscas realizadas na 7ª fase da operação, este investigado pode ter assumido a função de operacionalizar repasses ilícitos de dinheiro em espécie, supostamente controlados, diretamente, pelo então governador Ricardo Coutinho.

Pressão

“Além disso, segundo expõe a peça cautelar referenciada, Fabiano estaria fazendo uso de canais de imprensa no intuito de embaraçar as investigações empreendidas na ´Operação Calvário´, praticando extorsões contra terceiros que não teriam aceitado pagar vantagens indevidas por ele exigidas, constrangendo-os sob a falsa promessa de revelação de conteúdo sigiloso, sugestivamente envolvendo a citada Operação.

Vínculo

“Destaco a ligação entre Mayara de Fátima Martins de Souza e a investigada/denunciada Estelizabel Bezerra (deputada, presa durante a 7ª fase da operação).

Indicação

“Segundo as investigações, em 2017, a pedido de Livânia Farias (ex-secretária de Administração do Estado), Mayara, chefe de gabinete de Estelizabel (na Assembleia Legislativa), foi contratada como secretária-geral da filial da CVB/PB na Paraíba, assumindo, logo após, a presidência da CVB/PB, o que teria servido para apoiar as pretensões de Estelizabel.

Engajamento

“No âmbito da CVB/PB, Mayara teria promovido diversos eventos em apoio à candidatura de Estelizabel, além de supostamente ter atuado na vinculação do Paraíba de Prêmios com a referida entidade, sendo necessário, por conseguinte, desvendar o grau da autonomia de suas condutas e também verificar se os recursos por ela recebidos foram utilizados, ainda que indiretamente, pela autoridade (deputada) com prerrogativa de foro.

Na execução

Adicionalmente, houve a apreensão de uma arma de fogo (pistola) com Fabiano Gomes, que não possui posse de arma, e também uma ação envolvendo um auditor do Tribunal de Contas do Estado (Richard Euler), que teria recebido R$ 200 mil para atenuar as investigações contra a Cruz Vermelha.

Passando a régua

Em resumo, a 8ª fase tomou por base parte do que havia sido recolhido na fase anterior, mas ainda não avançou sobre os envolvidos que possuem a chamada ´prerrogativa de foro´.

Ou seja, algumas fases ainda estão por vir. E candidaturas postas ao pleito que se avizinha poderão ficar pela estrada, dedicando a energia inicialmente programada para a conquista de votos ao indigesto exercício da defesa, sob os holofotes da opinião pública.

A Cruz Vermelha está virando um ´rosário´ de crimes...
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