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Arimatéa Souza

segunda-feira, 23/03/2020

A pulsação das ruas

O medo da insensibilidade

Na pregação da missa que celebrou, ontem, no Vaticano, o papa Francisco fez uma invocação a um marcante texto de Santo Agostinho: ´Tenho medo de Cristo quando passa´.

´Mas por que tens medo do Senhor?´

´Tenho medo de não dar-me conta de que é o Cristo e deixá-lo passar´.

Meu temor

Sob a inspiração da reflexão acima, tenho igualmente medo de que esta nação continental não recolha lições e constatações das privações que sofre no presente: privações de relacionamento e, o que é pior: de vidas ceifadas no rastro de um vírus que nasce da incúria dos homens, mas igualmente nos alerta sobre o relativismo inerente às coisas mundanas e passageiras.

Ficamos para trás

Enquanto o ´bonde´ da história avança trazendo a reboque países comprometidos com a melhoria das condições de vida e (pelo menos) erradicação da pobreza desumana, há décadas nos permitimos, irresponsavelmente, o estabelecimento de uma imbecil confrontação político-partidária, cuja simplificação atesta o quão ridícula é: “nós” X “eles”.

Devastação

Quando a torrente do imponderável apresenta as suas garras, sua ira e seu poder de dizimar vidas, descobre-se o óbvio: tragédias e epidemias não escolhem, muito menos respeitam, distintivos partidários.

Indesejável

O pior e mais nefasto que pode resultar de toda essa realidade factual é não aprendermos com ela; é virarmos a página indolentemente quando o coronavírus arrefecer o seu ímpeto.

Oxalá

Não é possível que saíamos dessas vicissitudes e desse generalizado pavor como mergulhamos compulsoriamente nele, em muitos casos com muitas pessoas ainda sem se darem conta da real dimensão do precipício no qual o mundo inteiro se meteu.

´Siamesas´

Encerro essa breve reflexão igualmente invocando Santo Agostinho: “A esperança tem duas filhas lindas, a indignação e a coragem; a indignação nos ensina a não aceitar as coisas como estão; a coragem, a mudá-las”.

FPM

O Fundo de Participação dos Municípios de março teve a maior queda entre os repasses deste ano chegando a 44,46%.

O detalhe

Essa redução ainda não reflete o ´tombo´ na economia decorrente do coronavírus.

Sondagem

O Instituto Datafolha divulgou, no final de semana, uma pesquisa acerca da reação dos brasileiros diante dessa calamidade pública dos últimos dias.

É oportuno ressaltar alguns números.

Ativas

Entre as pessoas entrevistadas, 72% disseram que estão “bem informadas” sobre o tema.

97% declararam que estão tomando atitudes para evitar ser infectado.

Ações

Entre as principais providências foram citadas (pela ordem) lavar as mãos, evitar sair de casa e uso de álcool gel.

O detalhe

É sempre bom ressaltar que álcool gel é uma alternativa para quem não dispõe, em determinado momento e/ou local, de um ambiente para a lavagem das mãos com água e sabão, que é o mais recomendável.

Volto à pesquisa

Outros números. 82% dos pesquisados aprovaram a suspensão de celebrações religiosas; a quarentena temporária teve a aprovação de 73%; o fechamento de bares teve o endosso de 86%.

Abastecimento

80% das pessoas ouvidas declararam que não tiveram dificuldades para comprar medicamentos; 89% disseram que não enfrentaram problema para a aquisição de alimentos.

Prevenção

Ainda a pesquisa Datafolha: 77% das pessoas ouvidas deixaram de abraçar; 77% deixaram de apertar as mãos como cumprimento; 76% suspenderam as atividades de lazer; 75% passaram a evitar beijos.

Palpite

Ao serem perguntados quanto tempo acham que essa situação vai perdurar, 22% responderam até 30 dias; 22% entre 30 e 60 dias; 27% mais de 60 dias.

Criatividade

A verve do brasileiro para o humor alivia indiscutivelmente esses instantes de angústia e aflição.

Eis o que disse o leitor (e amigo) Adilson Anselmo sobre a sua nova rotina: “Já lavei tanto as mãos com sabão que já apareceram restos de cola das atividades que fazia em sala de aula quando estudava o antigo ginásio.

Aplausos

São merecidas e justas as homenagens e reverências que têm sido feitas em todo o Brasil aos milhares de profissionais de saúde que se dedicam à batalha, muitas vezes inglória, de salvar vidas e de atenuar dor e sofrimento.

APARTE faz coro a esse reconhecimento.

Da boca de…

“… A recessão será devastadora para todos os subempregados, a população mais pobre, idosos desamparados e qualquer pessoa que precise de atenção hospitalar. Serão muitas, inclusive jovens…” (Mônica de Bolle, economista e colunista da revista Época).

Fora de…

Futuro presidente do Tribunal Superior Eleitoral, o ministro Luís Roberto Barroso se manifestou contra qualquer cogitação, no curto prazo, de adiamento das eleições municipais deste ano.

… Pauta

“As eleições constituem um dos ritos vitais para a democracia. Só se deve cogitar de adiá-las diante da absoluta impossibilidade de sua realização”, enfatizou Barroso.

É preciso cantar

Em tempos de sofreguidão e desânimo, APARTE vai fechar suas edições com música, a começar com o pernambucano Alceu Valença.

“Tomara meu Deus, tomara

Que tudo que nos separa

Não frutifique, não valha

Tomara, meu Deus (…)

Que tudo que nos amarra

Só seja amor, malha rara

Tomara, meu Deus (…)

E o nosso amor se declara

Muito maior, e não pára em nós

Se as águas da Guanabara

Escorrem na minha cara

Uma nação solidária não pára em nós”.

“Vai passar...” (Chico Buarque)....
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