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Viveiro Florestal de João Pessoa ensina preservação e manuseio das abelhas sem ferrão

Da Redação com Secom/JP. Publicado em 11 de julho de 2021 às 9:25.

Foto: Dayse Euzébio/Secom/JP

Foto: Dayse Euzébio/Secom/JP

Imagine um lugar repleto de árvores nativas da Mata Atlântica, onde houvesse criação de abelhas para que os estudantes das redes públicas e particular pudessem visitar e aprender sobre esse inseto e sua preservação, desde a organização física da colmeia, a hierarquia e outras curiosidades. Esse lugar é o Viveiro Florestal de João Pessoa, em Gramame, onde funciona o Meliponário Didático.

O meliponário conta atualmente com sete colmeias (caixas), cada uma com sua rainha e cerca de 2.500 operárias. As abelhas são da espécie Uruçu-nordestina (Melipona scutellaris), nativa da Mata Atlântica, que não tem ferrão e produzem mel com propriedades medicinais. No entanto, o mel não é coletado, pois a produção é baixa e apenas para o uso da colméia, pois as abelhas também se alimentam desse mel na entressafra.

“O Meliponário tem um fim didático, então quando os alunos vêm aqui, a gente separa uma dessas caixas e mostra a relação das abelhas com as flores, com a floresta onde coletam o pólen, como aumenta a população dentro da colméia, como fazer a caixinha, como alimentá-las no período de entressafra, quando não temos flores”, explicou o biólogo Genilson Freire, coordenador do Viveiro Florestal.

O cotidiano do Meliponário é de cuidado com as abelhas.

“Nós temos que ficar atentos às pragas, como o forídeo, que entra na colmeia e tenta colocar as larvas no interior dos potes de pólen. E se isso acontecer eles acabam a colmeia, além disso, na entressafra, quando não há flores, nós ajudamos na alimentação delas, oferecemos um xarope feito água filtrada e açúcar demerara três vezes por semana”, contou Genilson.

Ele disse ainda que a população da Uruçu-nordestina é menor do que da africana (Apis mellifera scutellata) e da italiana (Apis mellifera ligustica), a produção de mel também, embora o valor de mercado seja maior.

O preço do mel da Uruçu chega a R$ 120 o litro e tem mais propriedade medicinal porque essa abelha não coleta o pólen de qualquer flor, ela é seletiva e sempre procura a melhor.

Ampliação – O Meliponário Didático está fechado devido à pandemia do Coronavírus e será reaberto quando aulas na rede pública forem retomadas.

“Nós vamos criar, em parceria com o Sesc, uma trilha ecológica no Viveiro Florestal, onde as pessoas vão conhecer plantas nativas, finalizando o passeio no Meliponário”, disse o diretor de Estudos e Pesquisas Ambientais da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semam), Sérgio Chaves.

Sérgio Chaves revelou ainda que existe a possibilidade de inserir meliponários em outros pontos da Capital.

“Essas abelhas se adaptam bem a outros ambientes da cidade. Por isso nós estamos estudando a viabilidade de inserir meliponários em parques e praças. Não em qualquer lugar, mas naqueles onde existe vegetação florífera e condições de alimentação para as abelhas, que vão ajudar na polinização da área”, afirmou.

Uruçu-nordestina – A abelha Uruçu-nordestina não tem ferrão, mas tem mandíbula e a ‘mordida’ é semelhante à da formiga de roça. Não chega a ser dolorida, mas incomoda. O ciclo de vida dura 45 dias desde a eclosão da célula de cria. Depois ela passa a fazer pequenas tarefas dentro da colmeia e após 35 dias vai fazer trabalho de campo, ou seja, vai coletar pólen, que pode ser distante até 2,5 km da colmeia.

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