Operação Gênesis cumpre mandados contra policiais no Ceará e na Paraíba

Da Redação*. Publicado em 21 de julho de 2021 às 8:13.

Foto: Ascom

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Na manhã desta terça-feira (20), o Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE) cumpriu mandados contra policiais que são suspeitos de crimes de extorsão, tortura, comércio ilegal de arma de fogo, corrupção ativa e organização criminosa.

No total foram 12 mandados de busca e apreensão, sendo sete mandados de condução coercitiva (para os policiais), um mandado de prisão contra o policial militar que supostamente lidera o grupo, além de medidas cautelares de afastamento das funções de todos os outros seis policiais, que foram cumpridos no Ceará, na capital Fortaleza, e nos municípios Aquiraz, Itaitinga e Pacatuba; e no município de Itabaiana, no estado da Paraíba.

Entre os suspeitos estão sete policiais militares da ativa, um policial civil da ativa e quatro integrantes que supostamente atuariam como informantes da organização criminosa. A ação faz parte da 4ª fase da Operação Gênesis e tem como objetivo desarticular uma organização criminosa formada e liderada, majoritariamente, por agentes públicos da área de segurança.

Segundo o Ministério Público, estes agentes públicos tinham acesso ao sistema de informações da Polícia para selecionar as vítimas e planejar as ações criminosas, que eram praticadas através de crimes de extorsão e tortura contra traficantes de alto poder aquisitivo ou que já tivessem passagens pela polícia, com o intuito de obter vantagens financeiras e informações pertinentes.

Com isso, os informantes levavam as “informações” ao policial militar líder da organização, que passava a orientá-los sobre os detalhes que precisariam para a ação, a exemplo de quais veículos eram usados pelos traficantes, a rotina de cada um, além dos principais endereços das vítimas.

Feito isso, o suposto líder selecionava e convidava, dentro das necessidades de cada caso, os demais comparsas para a formação da equipe, e o alvo passava a ser monitorado dentro das “operações de inteligência policial” e de pesquisas nos sistemas policiais.

As pessoas eram abordadas e levadas para sua residência ou para local mais isolado, onde, eram torturadas para que apontassem o esconderijo de drogas ou de dinheiro, contraindo assim uma “dívida” com os policiais envolvidos para que não fossem presas, com o pagamento de um determinado valor em dinheiro, que era dividido entre os policiais participantes do esquema.

Segundo as investigações da Operação Gênesis, era de costume do policial militar apontado como líder do grupo apresentar atestados médicos para que desta forma fosse dispensado do serviço e, desta forma, ficar mais livre para a realização dos crimes.

A primeira fase da Operação Gênesis ocorreu em setembro de 2020 e foram cumpridos 17 mandados de prisão e de busca e apreensão em Fortaleza e em Maracanaú.

A segunda fase da Operação foi deflagrada em outubro de 2020 e foram cumpridos 16 mandados de prisão e 16 mandados de busca e apreensão em Fortaleza e em Caucaia.

Já na terceira fase, ocorrida em maio de 2021, foram cumpridos 26 mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão, sendo 21 contra integrantes de organizações criminosas, com oito integrantes já presos, e cinco contra policiais militares do Ceará, em Fortaleza e Caucaia, na Região Metropolitana.

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