Julho das Pretas: escritoras negras realizam encontro aberto ao público

Da Redação com Ascom. Publicado em 21 de julho de 2021 às 12:39.

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Romancista. Contista. Poeta. Ensaísta. Cronista. Acadêmica. A produção literária de mulheres negras do Distrito Federal é vasta e diversa. Para reunir, saudar e apresentar essas escritas, elas realizam o I Julho das Pretas que Escrevem no DF. O encontro já tem presenças confirmadas de Cínthia Santos, Pietra Souza, Cristiane Sobral, Tatiana Nascimento, Conceição Freitas, Cida Chagas, Marina Andrade, Poeta Kaju, Ramíla Moura, Daniela Luciana, Ismália Afonso, Maíra Brito, Cleudes Pessoa, Debrete, Manuelita Hermes, Zane do Nascimento, Hellen Rodrigues e Waleska Barbosa.

O evento ocorre no sábado, 24, na Banca da Conceição, (308 Sul), entre 15h e 18h e marca o 25 de julho, Dia da Mulher Negra Latinoamericana e Caribenha.

As jornalistas Jacira Silva e Rosane Garcia, precursoras da presença da mulher negra em redações de jornais brasilienses e a educadora e ativista cultural Lydia Garcia serão homenageadas.

A programação vai contar com a presença das autoras e/ou suas obras e ainda um sarau, respeitadas as medidas sanitárias para conter a pandemia de Covid-19.

“A ideia é reunir gerações, algo como ancestralidade, presente e afrofuturismo, linguagens, identidades de gênero e formas de atuar diferentes, sob o guarda-chuva da palavra, da literatura e da publicação. Um encontro ao ar livre, em um espaço simbólico e aberto, onde o público poderá conhecer e bater papo com as autoras e elas, nós, poderemos nos conhecer, reconhecer, apontar um espaço a partir do nosso corpo-político. Nem imaginamos o caminho que está por trás de cada obra de autoria feminina negra que consegue ser parida e o evento é uma oportunidade para descobrir”, diz a escritora Waleska Barbosa, idealizadora da mobilização e autora de Que nosso olhar não se acostume às ausências, de crônicas.

Benditas vozes

Para uma das criadoras do Coletivo Escrevivências, Zane do Nascimento, o Julho das Pretas que Escrevem no DF é uma oportunidade de bendizer vozes plurais. “Um chamamento generoso à troca e escuta entre mulheres negras”.

Autora de onze livros, Cristiane Sobral acredita que é necessária a criação de redes de consumo e produção entre as escritoras pretas. “Alcançar os nossos leitores e construir a nossa visibilidade – isso é política, aquilombamento, estratégia de anunciação da revolução preta”, diz.

Ciranda

Waleska conta que, recentemente, aprendeu a caminhar, caminhando. “Então, essa primeira edição não será perfeita. Será a possível. Queremos mostrar nosso trabalho e dizer que existimos para além da resistência. Fui pensando em formatos, lugares, até chegar na banca da Conceição, de Conceição Freitas, uma das autoras em exposição. E aí, o evento foi se fazendo por força dessa ciranda preta, que está aberta para quem chegar. Queremos segurar as mãos uma das outras”, diz.

“Nossa literatura, nossa produção científica e intelectual oferece a quem nos lê a oportunidade de conhecer o mundo a partir de quem sempre esteve silenciada nos espaços de reconhecimento social e de poder. Cada linha escrita por uma mulher negra é uma parte da realidade que se descortina”, acredita Ismália Afonso.

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