Estado e PMJP com ´fratura exposta´ na área da Saúde

Da Redação*. Publicado em 4 de julho de 2021 às 9:50.

Foto: montagem/Paraibaonline

Foto: montagem/Paraibaonline

A incontinência verbal é uma ´marca própria´ do secretário de Saúde de João Pessoa, Fábio Rocha.

O capítulo mais recente dessa característica do auxiliar do prefeito de João Pessoa foi objeto de comentário na coluna Aparte, assinada pelo jornalista Arimatéa Souza.

Pode até ser algo nato, mas perpassa isso a evidente tolerância do prefeito Cícero Lucena (PP).

Em maio último, Fábio detonou a CPI da Covid: “Ridícula, totalmente desnecessária (…) Só para fazer o mal à nação (…) Comissão de palhaços institucionalizados (…) Eles apontam o dedo e não dão solução”.

Na noite desta quarta-feira, o secretário de Saúde de JP mirou o governo estadual no tocante ao fluxo de entrega de vacinas oriundas do Ministério da Saúde.

Conforme Fábio, “as coisas não estão transparentes como deveriam ser”, apontando a intenção do Estado de “diminuir a velocidade da vacinação na cidade de João Pessoa”.

Em seguida, ele foi ainda mais incisivo: “Como secretário de Saúde do município, eu não vou aceitar isso, como já declarei abertamente”.

A intenção da PMJP é receber imediatamente a cota de doses da Capital, logo após o desembarque no aeroporto Castro Pinto.

Ao ser instado a comentar o público ataque à sua gestão, o secretário estadual Geraldo Medeiros disse que “eu desconheço totalmente essa solicitação”.

“A intenção da Secretaria de Saúde do Estado sempre foi agilizar esse processo, por isso foi montada toda essa logística de veículos e aeronaves”, enfatizou Medeiros, para emendar: “É uma declaração que eu não consigo compreender”.

Por fim, o titular da SES realçou que “a Secretaria de Saúde adota um modelo igualitário, sem privilégios para municípios menores ou maiores”.

Mesmo sendo considerado um secretário avesso à atividade política, Fábio Rocha evidentemente sabe que o teor do que afirmou provocaria inevitáveis interpretações de natureza político-institucional.

Pensar diferente significaria extrema ingenuidade – coisa incompatível com o seu perfil e/ou trajetória –, ou o sentimento de que se considera um auxiliar ´imexível´ na gestão pessoense.

No item saúde/pandemia, as rotas de colisões administrativas entre a prefeitura de JP e o governo estadual se sucedem.

Não custa recordar que – repetidamente – a PMJP ingressou no Judiciário contra o Estado.

Se é verdade que Cícero Lucena e João Azevedo têm evitado tratar publicamente dessas desavenças de gestão, e até mesmo negado qualquer estremecimento político por conta desses desencontros já referidos, não é menos verdade que a ação do secretário Fábio Rocha deixou ´mal na foto´ a administração estadual.

O ex-presidente José Sarney, no exercício do mandato, costumava dizer que “em política os amigos costumam dar mais trabalho do que os inimigos”.

*com informações da coluna Aparte, assinada pelo jornalista Arimatea Souza

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