Covid 19: Brasil atinge a marca de 100 milhões de doses de vacina

Da redação com Folhapress. Publicado em 1 de julho de 2021 às 21:12.

Foto: Reprodução

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PHILLIPPE WATANABE
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O Brasil superou, nesta quinta-feira (1º), a marca de 100 milhões de doses de vacinas contra a Covid-19 aplicadas.

Os 100 milhões se dividem em 74.539.876 milhões de primeira dose e 25.944.570 de segunda dose. Além disso, entram na conta 636.015 vacinas de dose única.

Proporcionalmente, porém, apenas 16,52% da população com mais de 18 anos (pouco mais de 26 milhões de pessoas) está completamente imunizada (com duas doses ou com vacina de dose única), segundo dados do consórcio de veículos de imprensa, formado por Folha de S.Paulo, UOL, O Estado de S. Paulo, Extra, O Globo e G1 para reunir e divulgar os números relativos à pandemia do novo coronavírus. As informações são coletadas diariamente com as Secretarias de Saúde estaduais.

Segundo o consórcio, nesta quinta foram registradas 1.943 mortes por Covid e 63.035 casos da doença. Com isso, país chegou a 520.189 óbitos e a 18.622.199 pessoas infectadas pelo Sars-CoV-2 desde o início da pandemia.

A média móvel de mortes agora se encontra em 1.558 óbitos por dia, décimo segundo dia consecutivo de queda no dado.

Até recentemente, a maior fatia no bolo da vacina era da Coronavac, vacina da farmacêutica chinesa Sinovac produzida no Brasil pelo Instituto Butantan. Trunfo político do governador de São Paulo, João Doria (PSDB), ela foi a primeira vacina contra a Covid-19 a ser aplicada no país, em janeiro, e sustentou por um bom tempo a campanha.

Em seguida, o imunizante da AstraZeneca/Universidade de Oxford, produzida no Brasil pela Fiocruz, começou a ser aplicada e hoje já responde por fatia maior do que a da Coronavac.

As duas vacinas representam, respectivamente, 34% e 57% das primeiras doses aplicadas no país.

Coronavac e AstraZeneca foram os primeiros imunizantes a receberem aprovação emergencial pela Anvisa para aplicação no país. Depois, em 23 de fevereiro, veio a aprovação -já definitiva- da vacina da Pfizer.

Por fim, em 31 de março, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) concedeu a aprovação emergencial da vacina da Janssen (braço farmacêutico da Johnson & Johnson), de dose única.

Com aprovações e contratos posteriores, essas duas últimas representam uma fatia consideravelmente menor de participação no programa brasileiro: 9% são vacina da Pfizer e 0,01% é da Janssen, que só chegou ao país em 22 de junho.

Os números brutos elevados parecem uma boa notícia, mas a situação, além de complexa, poderia ser melhor.
Enquanto as vacinas contra a Covid se tornavam uma realidade, o governo Jair Bolsonaro (sem partido) pouco fazia para buscá-las.

A Pfizer, ainda no início do segundo semestre de 2020, fez diversas tentativas de firmar contrato de venda de imunizantes para o Brasil, as quais foram ignoradas. A vacina da farmacêutica poderia já ter começado a ser aplicada ainda em 2020.

O contrato com a Pfizer só foi confirmado em março de 2021.

Ao mesmo tempo, o presidente, por inúmeras vezes, desprezou, ironizou e falou contra a Coronavac, que poderia ser disponibilizada no país pelo Butantan. Bolsonaro chegou a comemorar o fato de o estudo da vacina ser interrompido para verificação de um óbito -um suicídio- que havia ocorrido em um dos participantes do estudo.

Os quase 75 milhões de primeiras doses já aplicadas equivalem a quase 46,32% da população com mais de 18 anos, público-alvo das vacinas no momento. Apesar de essa dose inicial já promover algum grau de proteção, especialistas e organismos de saúde têm ressaltado a importância de completar o cronograma da imunização com as duas doses, esquema da maior parte das vacinas contra a Covid, exceto a da Janssen, de dose única.

Ao se olhar para as segundas doses aplicadas -ou seja, para pessoas que, algumas semanas após essa picada estará totalmente imunizada (porque o efeito também não é instantâneo)-, o caminho que o país ainda tem pela frente fica mais claro.

A vacinação do maior número possível de pessoas é importante para o país conseguir chegar à imunidade coletiva contra a Covid, que poderá ser atingida somente através das vacinas, segundo especialistas e pelo que foi possível observar do ciclo de mutações do Sars-CoV-2.

A situação brasileira encontra ainda um outro grau de preocupação, considerando o tempo que será necessário para completar a imunização total da população, ao se olhar para um vizinho de continente. O Chile é o líder da vacinação contra a Covid-19 na América Latina, porém, vive uma situação ainda crítica da pandemia.

Mesmo com mais de 50% da população totalmente imunizada, ou seja, já com a segunda dose, o país tem regiões com ocupações de UTI elevadas.

O país, que tem como maior fonte de vacinação a Coronavac, já estuda, inclusive, uma terceira dose do imunizante. O Chile também aplica doses da Pfizer e da AstraZeneca e passou a receber os vacinas da Janssen e da Cansino.

Junto a pequena porcentagem de segundas doses aplicadas no Brasil, surge outra preocupação: novas variantes do coronavírus. Além das cepas que já circulavam pelo país, recentemente ganhou corpo no mundo a variante Delta, identificada inicialmente na Índia.

Segundo as observações disponíveis até o momento, essa variante tem maior potencial de contágio.

Mesmo países com altas taxas de vacinação, como é o caso de Israel, tiveram que retomar restrições (como o uso de máscaras em locais fechados) ao ver o nível de contágios crescer devido à variante.

Recentemente, a vacinação no Brasil apresentou uma aceleração, chegando a uma média móvel de doses aplicadas por dia na casa de 1 milhão. A maior velocidade coincide com a maior oferta de vacinas -algo constantemente cobrado do governo Bolsonaro- e a diminuição nos atrasos de entregas, principalmente da Fiocruz, que sofreu, assim como o Butantan, problemas na importação do IFA (ingrediente farmacêutico ativo).

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