Sete partidos procuram 3ª via para presidente que atraia “maioria silenciosa”

Da redação com Folhapress. Publicado em 16 de junho de 2021 às 20:27.

Foto: José Cruz/ Agência Brasil

Foto: José Cruz/ Agência Brasil

RANIER BRAGON
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – Dirigentes e integrantes de sete partidos de centro-direita e de centro-esquerda reuniram-se em almoço nesta quarta-feira (16) em busca de um objetivo que, nos bastidores, boa parte do mundo político já considera inviável -uma terceira via para disputar a Presidência da República contra Jair Bolsonaro e Lula em 2022.

Na saída do encontro, realizado na casa de um advogado ligado ao DEM, no Lago Sul, em Brasília, o discurso foi unânime: nomes não foram falados, mas houve consenso de que ninguém ali alimenta desejo de se incorporar a Bolsonaro ou Lula, pelo menos não no primeiro turno.

Nas palavras de Bruno Araujo (PE, foto), presidente do PSDB, busca-se chegar aos corações da chamada “maioria silenciosa”, termo muito usado, geralmente, por políticos que enfrentam forte oposição nas ruas.

“Queremos falar com essa maioria silenciosa, que não é nem que está com bandeira vermelha nas ruas nem quem está em cima de uma moto no fim de semana se manifestando politicamente”, afirmou o tucano, em referência tanto aos protestos contra Bolsonaro quanto às motociatas patrocinadas pelo presidente da República.

Apesar dos discurso de otimismo, as divergências são claras em várias das legendas, a começar no próprio PSDB, que tem quatro pré-candidatos a presidente, entre eles o governador de São Paulo, João Doria, que é torpedeado por fatia expressiva dos tucanos e dos outros partidos que se reuniram em Brasília.

Além de Araújo, participaram do encontro os presidentes do DEM, ACM Neto, que saiu sem falar, do Cidadania, Roberto Freire, do Podemos, Renata Abreu, e do PV, José Luiz Penna.

O presidente do MDB, Baleia Rossi (SP), não foi sob o argumento de que tinha um importante compromisso no mesmo horário -um encontro com o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG). Ele mandou um deputado representá-lo.

Baleia foi derrotado na eleição para a presidência da Câmara, em fevereiro, em uma disputa que rachou o DEM de ACM Neto, acusado pela ala de Baleia de se aliar aos interesses de Bolsonaro.

A divergência resultou na expulsão de Rodrigo Maia (RJ), ex-presidente da Câmara e padrinho da candidatura de Baleia, além da desfiliação do prefeito do Rio, Eduardo Paes, que foi para o PSD.

Criticado pelos dois lados, tanto dos bolsonaristas quanto dos anti-bolsonaristas, ACM tenta demonstrar força, mas há uma avaliação de que a sigla tende a murchar nos próximos meses, com a saída de parlamentares para outras siglas.

Havia ainda no almoço desta quarta representante do Solidariedade, partido que se inclina a apoiar Lula.

O organizador do almoço foi, oficialmente, o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta (DEM), que tenta viabilizar seu nome como terceira via.

Na saída, ele afirmou que o único consenso ali foi que os partidos entendem que “os dois extremos” não pacificam o país.

Segundo participantes, acertaram-se novos encontros e um compromisso prévio de que todos tentarão não apoiar Lula ou Bolsonaro no primeiro turno, com o objetivo de fortalecer um terceiro nome -embora essa carta de intenções possa e deva ser rasgada a depender do andar da carruagem.

De acordo com as pesquisas, Lula e Bolsonaro polarizam a disputa.

Pelo último levantamento do Datafolha, do início de maio, Lula lidera a corrida para a Presidência com margem confortável no primeiro turno e venceria Bolsonaro na segunda etapa, também com folga.

O petista alcança 41% das intenções de voto no primeiro turno, contra 23% de Bolsonaro.

Em um segundo pelotão, embolados, aparecem o ex-ministro da Justiça Sergio Moro (sem partido), com 7%, o ex-ministro da Integração Ciro Gomes (PDT), com 6%, o apresentador Luciano Huck (sem partido), com 4%, João Doria (PSDB), que obtém 3%, e, empatados com 2%, Mandetta e o empresário João Amoêdo (Novo).

Desse grupo, dois já desistiram oficialmente, Amoêdo e Huck. Moro é considerado carta fora do baralho pela maioria dos políticos.

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