Entidades tacham reitor da UFPB de autoritário e interventor por determinar ordem de despejo

Da Redação/Haceldama Borba. Publicado em 19 de junho de 2021 às 10:00.

Foto: Paraibaonline

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Sob a alegação de uma dívida acumulada em R$ 2,6 milhões pelo não pagamento de aluguéis, o reitor da UFPB, Valdiney Gouveia, deu ordem de despejo do prédio da instituição às entidades de classe, Associação dos Docentes da Universidade Federal da Paraíba (Aduf-PB) e do Sindicato dos Trabalhadores em Ensino Superior do Estado da Paraíba (Sintes-PB).

As entidades têm um prazo de 45 dias para desocuparem as salas. Reunidas em assembleias, a ADUFPB e o SINTESPB emitiram uma nota em repúdio ao ato do reitor e o tacham de autoritário e antidemocrático.

Veja a Nota:

Nota da Assembleia Docente da ADUFPB em repúdio ao autoritarismo do interventor da UFPB
Reunidos em assembleia no dia 16/06/2021, os docentes da UFPB, informados sobre o ato autoritário, antidemocrático e antissindical do interventor da universidade, que notificou a ADUFPB e o SINTESPB a desocuparem suas sedes estabelecidas na instituição, vêm a público manifestar seu mais veemente repúdio a este gesto arbitrário e inadmissível.

Reiteradamente, desde que assumiu, sem votos, a gestão da UFPB, o interventor vem desferindo ataques injustificáveis e, por isso mesmo, inaceitáveis, às representações sindicais dos docentes, dos servidores técnico-administrativos, dirigindo medidas não menos abusivas contra a representação estudantil, dando mostras evidentes de seu desprezo pelas entidades representativas das três categorias.

A ADUFPB, o SINTESPB e o DCE, por suas imprescindíveis funções na vida da comunidade universitária, enquanto instâncias que prezam pelos direitos de seus representados, atuando em prol das garantias por melhores condições de trabalho e estudo, constituem-se ainda como espaços, por excelência, de formação política democrática e cidadã, sendo justamente o exercício da democracia o que assegura o bom funcionamento do ambiente universitário, por definição, plural, diverso.

Não é admissível que o gestor de uma universidade trate as entidades representativas das categorias docentes, discentes e de técnicos-administrativos como “locatárias” no sentido comercial, como se fossem prestadoras de serviço com interesses privados, como se estivessem estabelecidas no campus com qualquer outro propósito que não seja a defesa intransigente dos valores e preceitos que regem as universidades públicas e que lhes conferem qualidade, pluralidade e vitalidade.

Mais uma vez, o interventor Valdiney Gouveia evidencia, nesse ato, seu mais truculento desrespeito à instituição cuja gestão lhe foi outorgada, ilegitimamente, por decreto. Ele expressa, desse modo, nada além da sua subserviência ao projeto daquele que lhe conferiu arbitrariamente um mandato não consentido pela comunidade acadêmica contra a qual se volta.

O projeto de destruição das organizações e entidades representativas, de ataque às liberdades de organização e manifestação, de uma universidade falsamente tecnocrática e apolítica representa o desejo de destruição da Universidade, portanto, de negação à ciência e de penalização da classe trabalhadora.

Ao tempo em que manifestamos nosso repúdio, afirmamos que esta é uma luta por democracia, por direitos, por respeito à universidade pública, e conclamamos toda a comunidade universitária a se levantar contra esta medida arbitrária que ora denunciamos e contra a intervenção do governo Bolsonaro na UFPB.

Fora, Bolsonaro! Fora, interventor! Resistamos!

Assembleia Docente da ADUFPB
18 de junho de 2021

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