Padre: Edjamir Silva Sousa: O anúncio do Evangelho

Da Redação. Publicado em 16 de maio de 2021 às 21:08.

Foto: Ascom

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A Festa da Ascensão de Jesus sugere que, no final do caminho percorrido no amor e na doação, está a vida definitiva na comunhão com Deus. Sugere também que Jesus nos deixou o testemunho e seus seguidores devem continuar a realizar o projeto libertador de Deus para os homens e para o mundo.

Depois de uma vida marcada pelo serviço, Jesus foi ao encontro do Pai. Ele sobe aos céus levando consigo as marcas de nossa humanidade em seu corpo e em sua história de vida. Mas Ele deseja que sua missão seja também a nossa. 

Antes de subir ao céu, o Ressuscitado nos dá sinais para interpretar sua ressurreição, mas também a sua vida como enviado do Pai. E qual é o sinal de hoje (neste domingo)? O sinal é a Ascenção e o envio dos apóstolos, “homens da Galileia” (cf. Atos 1, 11). 

A Galileia significa a terra da história de Jesus, lugar em que o Senhor viveu quase toda a sua vida. A Galileia era uma região próspera e bem povoada. A sua situação geográfica fazia desta região o ponto de encontro de muitos povos; por isso, um número importante de pagãos fazia parte da sua população, judeus e pagãos compartilhavam a vida social e viviam a religião de uma maneira diferente da ortodoxia dos judeus de Jerusalém e da Judéia: suavizando a interpretação e a prática da Lei. 

É dentro desse contexto de abertura e de flexibilidade que nasce e cresce o autêntico cristianismo, universal e libertador, sem as amarras de uma espiritualidade legalista, moralista e intransigente. É estratégico que o anúncio do Evangelho do “Reino”, a formação do grupo de discípulos (cf. Mt 4,12-22) e o inicio da vida missionária tenha acontecido na região dos pagãos. Parafraseando as expressões da filosofa Djamila Ribeiro (2017) dizemos que o lugar de fala de Jesus é a Galileia e continuará sendo este (as nossas galileias) o lugar teológico do Senhor Ressuscitado: como lugar de adoração e serviço, em espirito e em verdade (cf. Jo 4,22-24. 2Tm 3,16).

A proposta de salvação que Jesus fez e que os discípulos devem testemunhar destina-se a toda a terra. Portanto, é uma missão ampla e universal: as fronteiras, as raças, a diversidade de culturas, não podem ser obstáculos para a presença da proposta libertadora de Jesus no mundo.  O cristão é tão familiar com Deus que admira e se encanta com a variedade, a diversidade e a multiplicidade do mundo, e não teme o mundo com toda sua complexidade e aparente contradição. 

Depois, Jesus define o conteúdo do anúncio: o “Evangelho”. O que é o “Evangelho”? No Antigo Testamento (sobretudo em Isaías), a palavra “evangelho” está ligada à “boa notícia” da chegada da salvação para o Povo de Deus. Depois, na boca de Jesus, a palavra “Evangelho” designa o anúncio de que o “Reino de Deus” chegou à vida concreta dos homens, trazendo-lhes a paz, a libertação, inclusão, a felicidade.

Tornar-se discípulo é, em primeiro lugar, aprender os ensinamentos de Jesus a partir das suas palavras e dos seus gestos, da sua vida oferecida por amor: O Espírito do Senhor está sobre mim, porque me ungiu para pregar o Evangelho aos pobres. Ele me enviou para proclamar a libertação dos aprisionados e a recuperação da vista aos cegos; para restituir a liberdade aos oprimidos (…). (Lucas 4, 18ss)

Mas, o anúncio do Evangelho que os discípulos são chamados a fazer vai atingir não só os homens, mas “toda a criatura”. A Ascensão nos impulsiona, ao mesmo tempo, para Deus e para o mundo e nos convida a olhar o mundo como “sacramento de Deus”. Um olhar capaz de descobrir os sinais de esperança que existem nele; um olhar afetivo, marcado pela ternura, pela compaixão e por isso gerador de misericórdia; um olhar que compromete solidariamente. 

Muitas vezes preferimos seguir um Jesus olhando para o “céu”. É necessário ao cristão descobri-Lo dentro de si mesmo, nos outros e no mundo. O cristianismo tem uma espiritualidade demasiadamente exigente e comprometedora. 

A Ascensão de Jesus nos desafia a romper a estreiteza de nossa vida para expandi-la a horizontes mais inspiradores e sempre recordando as suas Palavras: “Eu estarei convosco até ao fim dos tempos”.

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