Especialista: pandemia fez população se aproximar mais de reality show

Da Redação com Ascom. Publicado em 16 de maio de 2021 às 22:02.

Os realities shows se tornaram um fenômeno no Brasil. A pessoas passaram a acompanhar por várias horas pessoas que ficam confinadas em um ambiente.

Nesta 21ª edição do Big Brother Brasil (BBB 21), que foi encerrada dias atrás, se percebeu um grande acirramento das torcidas, formadas por pessoas que nem conhecem os participantes, mas que se propõe a passar horas votando para que seu escolhido ganhe o prêmio de R$ 1,5 milhão.

Mas qual a relação existente entre os participantes de um reality show com o público?

A psicóloga da MedPrev do Sistema Hapvida em João Pessoa, Michelle Costa (foto), explica.

Foto: Ascom

Foto: Ascom

“A condição de ‘curiosidade pela vida do outro’, de observar a pessoa em sua intimidade diária chama bastante atenção das pessoas. Nos dias atuais, a condição de cárcere privado a qual a maioria de nós está submetido, devido a pandemia, aproximou ainda mais essa realidade do BBB de nós mesmos, fazendo com que nos identifiquemos ainda mais com os jogadores do reality”, analisa.

A especialista destaca que a identificação com os jogadores confinados, a sensação de ver alguém sendo “injustiçado”, são fatores que corroboram para que o público se mobilize com a realização de mutirões para votação, como uma forma de proteger ou vingar determinado participante no jogo. Além disso, Michelle alerta que como tudo na vida o nível de consumo desses produtos midiáticos devem ser dosados para evitar malefícios à saúde mental.

“A condição de entretenimento é super válida. Porém, fazer uso excessivo desse tipo de programação, estimula a fuga da realidade. Passa-se a viver a realidade dos jogadores. Esse é o tipo de entretenimento válido para dar um ‘escape’ nessa realidade tão dura pela qual estamos vivendo. Porém, deixo aqui o alerta para que não se ‘mergulhe no jogo’ e esqueçamos de ‘jogar aqui fora'”, orienta a psicóloga que segue o alerta sobre os possíveis malefícios que podem vir a ser enfrentados por quem consome esse tipo de programa em excesso e faz um comparativo com a teledramaturgia.

“Os realities têm o caráter de entretenimento, de nos representar através de algum participante. Porém os principais malefícios, quando ficamos ‘viciados’ por eles é querer enfrentar situações singulares, vivenciadas dentro dos programas, como tal participante o fez. Sem medidas, com emoção ao extremo, sem levar em conta o contexto social que está inserido.

Não é o mesmo que acompanhar novelas, pois os personagens são fictícios; já no reality, são pessoas vivenciando situações reais, da vida cotidiana, por isso que se faz necessário muita cautela”, pondera.

Dados – Pesquisa “Reality Shows Brasil”, da empresa Mindminers, revelou que 90% dos entrevistados disseram saber o que é um reality show e 89% declararam que assistem. Destes, 25% relataram ver com frequência. A pesquisa ouviu mil pessoas acima de 18 anos, das classes sociais ABCDE em todas as regiões do país.

Share this page to Telegram
Matérias Relacionadas

2018 - Paraiba Online - Todos os direitos reservados.

BeeCube