UFPB estuda concentrado proteico de leite de caprino contra melanoma humano

Ascom. Publicado em 28 de abril de 2021 às 20:00.

Foto: Ascom

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Uma pesquisa da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) é responsável pelo desenvolvimento do processo tecnológico de obtenção de um concentrado proteico em pó de soro de leite caprino com 64% de proteína e capacidade de inibir a proliferação de células malignas de melanoma humano.

Esse concentrado proteico foi obtido a partir de soro de leite de cabra, por meio da precipitação isoelétrica, separação por membrana (diálise) e secagem por liofilização.

As proteínas presentes no produto apresentam propriedades bioativas, funcionais e nutracêuticas, atendendo a uma demanda da indústria de alimentos e dos consumidores na crescente busca por alimentos funcionais com benefícios diretos à saúde.

De acordo com a Profa. Tatiane Santi Gadelha, do Departamento de Biologia Molecular do Centro de Ciências Exatas e da Natureza (CCEN) e coordenadora da pesquisa já patenteada pela UFPB, o estudo surgiu a partir do conhecimento popular e científico sobre as propriedades e os benefícios do leite caprino à saúde humana.

“Buscávamos estudar as proteínas bioativas presentes no leite caprino, com o intuito de pesquisar novos compostos com atividades biológicas como a atividade antitumoral”, explicou a docente. Uma das etapas da pesquisa foi a avaliação da potencial atividade antiproliferativa do concentrado de proteína do soro frente a linhagem celular que corresponde a células de melanoma maligno humano.

Durante o teste, a atividade antiproliferativa em células da linhagem A375 (melanoma humano maligno) foi avaliada in vitro, de forma a observar a proliferação das linhagens tumorais e não tumorais expostas a diferentes concentrações das proteínas em diferentes períodos de tempo.

“Podemos observar, nos resultados do teste in vitro da atividade antiproliferativa do soro do leite caprino, que a concentração de 1 mg/mL foi a mais efetiva na inibição da proliferação de células de melanoma maligno, apresentando um percentual de inibição de 66,8%, nas primeiras 24 horas e de 47% e 46% para 48 e 72 horas, respectivamente”, explicou a pesquisadora.

Parcerias – A pesquisa surgiu a partir de um projeto financiado pelo CNPq e em parceria com IDEP (Instituto de Desenvolvimento da Paraíba).

Os estudos foram conduzidos no Laboratório de Química de Proteínas e Peptídeos – LQPP/UFPB, em parceria com o Prof. Luciano da Silva Pinto da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), no Rio Grande do Sul. O projeto também fez parte da dissertação de mestrado de Maria Isabel Ferreira Campos, do Programa de Pós-graduação em Ciência e Tecnologia de Alimentos da UFPB. Também participaram mais dois pesquisadores: Prof. Carlos Alberto de Almeida Gadelha, do Departamento de Biologia Molecular da UFPB, e Samantha de Oliveira Lima, graduanda em Ciências Biológicas (UFPB).

Benefícios – É crescente a demanda por metabólitos naturais que possam desempenhar atividades sobre os diferentes níveis do câncer, aliados aos tratamentos convencionais.

Além desse aspecto, o estudo também considerou que as proteínas do soro do leite de cabra podem modular funções fisiológicas do organismo e desempenhar efeitos funcionais, tais como no sistema cardiovascular por meio da modulação da pressão arterial, efeitos hipocolesterolêmicos e de controle do diabetes mellitus tipo 2; efeitos no sistema imune, a exemplo da atividade antibacteriana e antioxidante; no sistema nervoso, como agonistas e antagonistas de receptores opioides; e no sistema gastrointestinal, como controladores de apetite e moduladores da microbiota.

Por outro lado, ainda agregam valor ao produto o uso de uma matéria-prima diferenciada – soro do leite de cabra – e a utilização de um resíduo que é, usualmente, descartado na natureza pelas indústrias de alimentos sem qualquer tratamento, poluindo o meio ambiente.

Por fim, dentre as propriedades tecnológicas do soro, destacam-se aquelas exercidas pelas proteínas presentes na sua composição, as quais podem agir como agentes espessantes, emulsificantes, espumantes e geleificantes, despertando o interesse para a tecnologia de alimentos como ingredientes alimentícios.

Conforme a Profa. Tatiane Santi Gadelha, as proteínas do soro do leite de cabra têm sido pesquisadas por apresentarem maior potencial funcional em comparação com proteínas do soro do leite de vaca, agregando, por meio dessa inovação, valor ao leite destas espécies e gerando novas perspectivas de mercado.

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