PSDB cogita apresentar senador como o ´Biden´ brasileiro para 2022

Da redação com Folhapress. Publicado em 22 de abril de 2021 às 8:09.

Foto: Agência Senado

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CAROLINA LINHARES
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Diante do impasse entre Eduardo Leite e João Doria, governadores do PSDB que disputam a candidatura presidencial, grupos tucanos passaram a apostar no senador Tasso Jereissati (PSDB-CE, foto) como uma figura de consenso não só no partido, mas no chamado campo de centro, e agora lhe dão até o apelido de Biden do Brasil, numa referência ao presidente americano Joe Biden.

Na visão de alguns caciques tucanos, Tasso é sereno, progressista, experiente e capaz de dialogar com partidos da esquerda à direita -perfil mais adequado para a tarefa de aglutinar os nomes que se colocam entre Jair Bolsonaro (sem partido) e Lula (PT) na eleição de 2022. Aos 78 anos, Biden assumiu o governo dos EUA após unir diferentes correntes partidárias. Tasso tem 72 anos.

Ainda de acordo com membros do PSDB, a entrada de Tasso no jogo poderia afastar Leite da corrida, já que o governador gaúcho é considerado afilhado político do senador e daria preferência a ele. No entorno de Doria, porém, o nome de Tasso é minimizado, com a avaliação de que ele não vai topar concorrer.

O presidente do PSDB, Bruno Araújo, fez convite público para que Tasso concorra à Presidência da República em uma entrevista ao jornal O Globo na segunda-feira (19).

De lá pra cá, parte da militância e alguns líderes do PSDB passaram a encampar a ideia.

Procurado pela Folha, Tasso não respondeu. É consenso entre tucanos que o senador não pode se colocar abertamente como presidenciável agora que ocupa uma vaga na CPI da Covid e que faz oposição a Bolsonaro. O movimento seria visto como inoportuno, uma tentativa de usar a comissão como palanque.

Mas dentro do PSDB foi comemorado o fato de Tasso não negar a missão logo de cara. Sua fala à GloboNews na terça-feira (20) foi lida de forma otimista por alguns grupos tucanos. “Não é projeto de vida meu chegar à Presidência da República. […] Mas eu faço parte do partido, se me apresentarem como alternativa é uma coisa que a gente tem que amadurecer”, disse o senador.

Aliados do governador Doria viram no gesto de Bruno Araújo uma forma de afagar e reconhecer um líder importante do partido, mas só. Não há entre eles a crença de que o senador de fato abrace a empreitada de iniciar uma corrida nacional. Mais do que isso, acham que esse movimento enfraquece Leite.

O entorno do governador trabalha ainda com o cenário de prévias, provavelmente contra o governador gaúcho. Doria, sobretudo por meio da vacina e de acenos aos políticos do centro, busca se viabilizar dentro do PSDB e entre os eleitores para vencer as prévias e, assim, legitimar-se como candidato tucano.

Há ainda a teoria de que Tasso foi chamado para a disputa para esfriar os ânimos de uma possível rivalidade entre Doria e Leite. De qualquer forma, tucanos afirmam que o momento agora é de esperar e avaliar se o senador realmente se propõe a concorrer.

Alas do partido que rejeitam Doria torcem para que Tasso seja convencido a concorrer. Isso deixaria o governador paulista com poucas chances de ser o representante tucano em 2022.

Em entrevista à Folha na sexta (16), Tasso afirmou que uma terceira via em 2022 é “mais do que possível, [é] viável”. “O que devemos fazer é ter o menor número de candidatos possível disputando esse espaço. Isso depende da nossa habilidade política e do nosso desprendimento”, disse.

Tasso é descrito pelos correligionários como uma figura respeitada dentro e fora do PSDB e que manteve seu capital político ao longo dos anos, após ter sido governador do Ceará em três mandatos, presidente do PSDB e ocupar o segundo mandato como senador.

Tucanos mais antigos fazem questão de lembrar que Tasso quase ocupou a chapa presidencial em 2002 e que era o preferido de Mário Covas para o posto naquele ano.

O fator Tasso, porém, impacta não só o PSDB, mas todo o conjunto de pré-candidaturas que se aproximou em torno do manifesto a favor da democracia lançado no mês passado –e que envolve, além de Doria e Leite, Ciro Gomes (PDT), Luciano Huck (sem partido), Luiz Henrique Mandetta (DEM) e João Amoêdo (Novo).

De acordo com relatos reservados de tucanos, o nome de Tasso passou a ser defendido por pessoas de fora do partido, como a economista Elena Landau e o ex-deputado Eduardo Jorge, e muda o status de negociação de alianças. Ou seja, com Tasso à mesa, no lugar de Leite ou Doria, os partidos de centro se veem mais incentivados a dialogar com o PSDB.

Como, dos nomes colocados, Ciro é o único com a candidatura confirmada pelo seu partido, o PDT, tucanos esperam que haja algum tipo de conversa ou até acerto entre Tasso e Ciro. Uma candidatura única, no entanto, é considerada improvável, já que ambos são do Ceará e porque Ciro não deve abrir mão de sua cadeira.

Ciro e Tasso, contudo, têm boa relação e foram aliados no estado. Ciro, na época no PSDB, sucedeu Tasso no governo.

Para o presidente do PDT, Carlos Lupi, uma possível candidatura de Tasso não altera nada nos planos do partido de lançar Ciro. Mas Lupi admite que, entre os tucanos, a conversa com Tasso é mais fácil “pela relação pessoal dele com Ciro”. “Ciro já está colocado. É legítimo que o PSDB apresente um nome, nós respeitamos “, disse Lupi.

Ainda na entrevista à Folha, Tasso afirmou que cabe aliança com o PDT. “O PDT tem exceções, mas, de maneira geral, é um partido que está mais para o centro. Eu chamaria de centro-esquerda. E com esse espectro todo cabem alianças.”

Da parte de Huck, como mostrou a Folha, a aproximação recente entre o apresentador e Leite é calculada também como um aceno a Tasso, que é entusiasta da candidatura do governador gaúcho. Aliados de Huck entendem que o senador, pela experiência e por representar a ala mais antiga do PSDB, ajuda na construção de uma chapa do centro.

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