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Padre Edjamir Silva Sousa: Creio na Igreja

Da Redação. Publicado em 4 de abril de 2021 às 17:01.

Foto: Ascom

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A liturgia deste domingo celebra a ressurreição de Jesus e garante-nos que a vida em plenitude resulta de uma existência feita dom e serviço em favor dos irmãos. A ressurreição de Cristo é o exemplo concreto que confirma tudo isto.

Os Atos dos Apostolos apresenta a Palavra de Jesus transmitida pelos discípulos (cf Atos 10, 42) sob o impulso do Espírito Santo (cf. Atos 2). É a certeza de que a Igreja não está sozinha e que essa Palavra que ela anuncia para humanidade contém a proposta libertadora de Deus (cf Atos 10, 38). 

A Igreja nasce dos ensinamentos de Jesus, torna-se portadora desse testemunho e é animada pelo Espírito, fiel à doutrina transmitida pelos apóstolos, que tornará presente o plano salvador do Pai e o fará chegar a todos os homens. 

O texto desta manhã é um eco do “kerigma” primitivo. Pedro começa por anunciar Jesus como “o ungido, que tem o poder de Deus” (vers. 38a); depois, descreve a práxis pastoral de Jesus, que “passou fazendo o bem e curando todos os que eram oprimidos” (vers. 38b); em seguida, dá testemunho da morte de Jesus na cruz (vers. 39) e da sua ressurreição (vers. 40); finalmente, Pedro tira as conclusões acerca da dimensão salvífica de tudo isto: “quem acredita n’Ele, recebe, pelo seu nome, a remissão dos pecados”(v. 43b). 

Esta catequese refere também, com alguma insistência, o testemunho dos discípulos que acompanharam, a par e passo, a caminhada histórica de Jesus (vers. 39a.41.42). Quem caminha com Jesus, quem faz os mesmos passos de Jesus, movido pelo Espirito Santo, tem condições de dar testemunho do Ressuscitado. 

Por isso que no credo dizemos: “CREIO NA IGREJA”. No testemunho dos membros da Igreja, sustentados pelo Espirito, lemos as páginas do Evangelho. É a Aliança de Deus que não é mais escrita em pergaminhos, filactérios ou em tábuas, mas no belo testemunho de cada pessoa. E são muitos, basta olhar para sua comunidade de fé e perceber. 

A ressurreição de Jesus é a consequência de uma vida gasta a fazer o bem e a libertar os oprimidos. Isso significa que, sempre que alguém – na linha de Jesus – se esforça por vencer o egoísmo, as injustiça e por fazer triunfar o amor, está a ressuscitar; significa que, sempre que alguém – na linha de Jesus – manifesta, em gestos concretos, a sua entrega aos irmãos, está a construir vida nova e plena. 

A ressurreição de Jesus significa, também, que o medo, a morte e o sofrimento deixam de ter poder sobre o homem que ama com sinceridade, que se dá, que partilha a vida. Ele tem assegurada a vida plena – essa vida que os poderes do mundo não podem destruir, atingir ou restringir. Ele pode, assim, enfrentar o mundo com a serenidade que lhe vem da fé. 

Aos discípulos pede-se que sejam as testemunhas da ressurreição. Nós não vimos o sepulcro vazio; mas fazemos, todos os dias, a experiência do Senhor ressuscitado, que está vivo e que caminha ao nosso lado nos caminhos da história. A nossa missão é testemunhar essa realidade; no entanto, o nosso testemunho será vazio se não for comprovado pelo amor e pela doação, as marcas da vida nova de Jesus. Essa é a vida nova em Cristo. 

Eu estou a ressuscitar, porque caminho pelo mundo fazendo o bem e libertando os oprimidos, ou a minha vida tem sido movida por um fascino e um repisar os velhos esquemas do egoísmo, do orgulho, do fascínio pelo poder, pelo que é desumano? 

Que a luz do Ressuscitado brilhe sobre nós, nestes tempos cinzentos que vivemos. Feliz Pascoa!

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